sábado, 12 de novembro de 2011

Diamantina, cidade das serestas



Diamantina, em Minas Gerais, é um conjunto arquitetônico que retrata a riqueza da arte barroca e mantém viva a história do Brasil. Conhecida por seus festivais, suas serestas e a vesperata, um evento em que os músicos se apresentam à noite ao ar livre, o centro histórico com ruas íngremes e calçamentos em pedra serve de cenário todos os anos para um carnaval muito animado.







Terra de Chica da Silva e do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, Diamantina possui um dos mais expressivos acervos históricos do país sendo considerada Patrimônio Histórico da Humanidade. Conhecida inicialmente como Arraial do Tejuco, em 1831 passou a ser chamada de Diamantina devido ao grande volume de diamantes encontrados na região.

Os portugueses, que reinavam no Brasil naquela época, remetiam grandes quantidades de diamantes para a Coroa portuguesa no século 17. Dessa época originou a famosa expressão "Santo do pau ôco". Para evitar de pagar impostos, se construiam imagens de santos ocas onde se escondia os diamantes para serem contrabandeados para Portugal.

Foi nessa época que reinou Chica da Silva, a escrava que virou rainha. Como amante do Contratador que detinha a concessão real para explorar as lavras, ela mandava e desmandava na cidade e tinha seus caprichos. Alforriada da escravidão, tornou-se uma mulher muito rica que mantinha muitas muncamas bem vestidas e ornamentadas com diamantes.



A cidade tem inúmeras capelas e igrejas, sendo a Igreja Nossa Senhora do Carmo uma das mais antigas e a mais suntuosa da cidade que tem um órgão trabalhado em ouro. Contruída em 1760 com financiamento do Contratator João Fernandes, o homem mais rico de Diamantina e amante de Chica da Silva, dizem que João Fernandes ordenou a construção da torre da igreja nos fundos da Igreja já que era proibido que qualquer escravo, mesmo alforriado, ultrapassasse a torre da igreja e tinha de assistir a missa do lado de fora da igreja. Mas outros dizem que ela exigiu a construção da torre atrás da igreja pois não queria ser incomodada com o repicar dos sinos da igreja que estava bem próximo de sua casa. A alta sociedade frequentava a igreja discriminavam Chica da Silva por ela ser negra.





O ex-Presidente do Brasil Juscelino Kubsticheck nasceu em Diamantina em 1902. Foi o primeiro presidente a ser eleito pelo voto direto após a Proclamação da República. Durante seu mandato, como presidente da República de 1956-1961, o Brasil viveu um período de notável desenvolvimento e estabilidade política. Com um estilo inovador na política brasileira, Juscelino idealizou a construção de Brasilia e criou em torno de si uma aura de simpatia e confiança entre os brasileiros.

Sua casinha simples hoje é um ponto turístico. Ninguém poderia imaginar que ali nasceria um grande homem que transformaria o destino do Brasil. De família humilde, dizia o ex-presidente que ele tinha um quartinho que mal cabia sua cama e uma mesinha feita de caixotes. Filho de uma professora e órfão de pai aos 3 anos de idade, Juscelino formou-se em medicina e era grande entusiasta das serestas.

Para Diamantina são atraídos estudantes que encontram na Universidade de Diamantina uma das mais prestigiadas Faculdades de Odontologia do Brasil. Na época, quando foi eleito governador, Juscelino Kubsticheck preocupou em instalar na cidade uma escola de nível superior. Sua intenção inicial era iniciar um curso de mineralogia mas tornando-se amigo de um professor de odontologia, criou a faculdade. Naquela época só existia curso de odontologia em Belo Horizonte.





De caráter exótico, o Passadiço da Glória é um cartão postal da cidade. Construído em 1878 para ligar duas casas ,onde funcionava um educandário e um orfanato administrados pelas Irmãs da Ordem de São Vicente de Paula, o objetivo da obra era para reduzir o contato com o mundo externo e facilitar a comunicação entre os prédios. Na época a obra causou polêmica mas depois passou a fazer parte da paisagem da cidade.

A Casa da Glória, construída pela Senhora Josefa Maria da Glória ou pela Coroa Portuguesa, foi uma residência oficial que consagrou grandes festas como a aclamação de Dom João VI como rei de Portugual em 1818 e as núpcias de Dom Pedro I. Nessa casa se hospedaram grandes personalidades políticas e artisticas internacionais, até que a casa foi transformada em educandário. A casa em frente tornou-se um orfanato e deu origem ao passadiço.


A Casa do Muxarabi é um ponto turístico que atrai pelo balcão em muxarabi que significa “de onde se vê sem ser visto”. Erguida no século 18 para ser uma residência particular, o balcão de treliças permite a visão para exterior mas esconde quem estiver vendo de dentro da casa. Originário de construções árabes, era um recurso arquitetônico da época que permitia ventilação e protegia as casas de olhares curiosos.



Outro prédio que chama atenção é a Casa do forro pintado que serviu no passado de moradia para famílias da elite local. No teto de um dos cômodos há pinturas em painéis, onde cores suaves representam cenas idílicas de quatro dos cinco sentidos. Dos sentidos podemos notar a audição sendo simbolizada por uma cena em que o pastor mostra à mulher um pássaro. Já o tato é representado pelo pastor beijando a mão da donzela com um cupido ao fundo. As pinturas têm estilo rococó.









Como cidade histórica, Diamantina tem muitos museus mas também muitas belezas naturais como a Gruta do Salitre que parece um castelo medieval e outras grutas. Com águas muito limpas, diversas cachoeiras se formam na região tais como as Cachoeiras da Sentinela, das Fadas, da Toca, Três quedas, Tombadouro e dos Cristais.

Explorando as redondezas, pode-se chegar aos distritos da Sopa, São João, Curralinho e Beriberi, antigos locais onde se ergueram ranchos durante a época de exploração de diamantes. Beriberi foi criada no passado devido a instalação de uma fábrica e ainda hoje mantém a mesma arquitetura. Com casas antigas, a cidade se tornou um cenário cenográfico.



Diamantina integra o circuito Estrada Real, um dos roteiros culturais e turísticos do Brasil. A trilha existente é uma histórica via de ligação entre o norte de Minas e o sul da Bahia. Atualmente existem apenas cerca de 300 metros de trecho calçado, onde turistas podem observar a vista da cidade através do mirante.

É por ali que passavam os diamantes extraidos e os tropeiros que se deslocavam pelas estradas de Minas levando mantimentos para comercialização. Isso deu origem ao Mercado Municipal que hoje é um ponto turístico onde acontece todos os anos a Feira de Produtores Rurais e Artesanato. Transformado em centro cultural, é nesse local que se reúnem os turistas para conhecer a cultura do Vale do Mucuri e as deliciosas quintadas mineiras.







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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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