terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Ilhéus, no paraíso do cacau

 A Costa do Cacau no litoral da Bahia conjuga uma grande extensão de belas praias, algumas quase desertas, com matas nativas, santuários ecológicos e principalmente as plantações de cacau que a tornou conhecida e famosa em todo mundo. São mais de 200 km de praias encantadoras sombreadas por densos coqueirais que levam a destinos únicos e inesquecíveis. 


Consideradas entre as mais belas praias do litoral brasileiro, da Costa do Cacau fazem parte Ilhéus, Itabuna, Uruçuca, Itacaré, Una, Canavieiras e Santa Luzia. Além das praias, a Costa do Cacau possui muitos rios, cachoeiras, corredeiras, manguezais, serras, grutas, mirantes, fazendas de cacau, parques temáticos e áreas de proteção ambiental que permitem um encontro com a natureza e com seu legado cultural, tradições, estórias e lendas. 



Nessa região está a única Estância Hidromineral a beira mar do mundo, a maior concentração de biodiversidade do mundo e a maior área de preservação de Mata Atlântica do norte e nordeste do Brasil. Terra primitiva onde viveram os índios tupiniquins, esse cenário de extraordinária beleza e verdadeiros paraísos ecológicos são locais ideais para a prática de traking, trilhas, cavalgadas, montain bike e também para pescaria e esportes náuticos, sendo considerados os melhores picos de surf do litoral da Bahia. 

 
A "Estrada Parque" é a primeira rodovia ecológica do país com praias selvagens, manguezais e cachoeiras. De um lado tem o mar azul e do outro a Mata Atlântica ainda preservada, sendo uma opção de ecoturismo na área de proteção ambiental. Sempre é bom lembrar que não se deve embrenhar nas matas junto com pessoas desconhecidas. Os guias turísticos confiáveis são apenas aqueles credenciados pelas empresas de turismo. 

Com uma extensa mata virgem, o Ecoparque do Una dá ao turista a oportunidade de conhecer a extração artesanal de borracha e percorrer trilhas que levam a passarelas suspensas nas copas das árvores, que proporcionam uma vista magnífica da floresta.

O complexo da Lagoa Encantada é outra área de preservação ambiental, um paraíso onde se encontram as Caldeiras do Almada, uma sequência de quedas d'água perfeitas para um banho. O Salto do Apepique é o point dos praticantes de rappel e tirolesa. As corredeiras são perfeitas para a prática de canoagem e raffiting.    



Ilhéus é a porta de entrada da espetacular Costa do Cacau, famosa por ambientar as obras literárias de Jorge Amado, por sua história e construções coloniais. Com um extenso litoral, a cidade já foi a primeira produtora de cacau do mundo sendo hoje um dos melhores destinos turísticos da Bahia. 

Para quem chega em Ilhéus de avião, as emoções começam mesmo antes do pouso. Quando se incia a descida, tem-se a impressão de que o avião irá mergulhar no mar já que a pista é curta. Nas imediações do aeroporto há lindas pousadas e hotéis de frente para as mais lindas praias de Ilhéus, Olivença e Canavieiras. Do outro lado da ponte está o centro histórico e a saída para Itacaré.

Cristo da enseada
Catedral de São Sebastião
Convento/Igreja Nossa Senhora da Piedade
Igreja e Museu São Jorge
Repleta de casarões históricos, os vários mirantes permitem uma bela vista panorâmica da cidade e de toda região. Na entrada da barra o monumento do Cristo de 7.5 metros é uma referência religiosa de Ilhéus. Destacam-se na paisagem a Catedral de São Sebastião e o Convento/Igreja Nossa Senhora da Piedade. 

A mais antiga de Ilhéus é a Igreja de São Jorge construída com pedras de cantaria em 1556. É onde funciona o Museu de Arte Sacra de Ilhéus conservando uma secular imagem de São Jorge e valiosas peças sacras. 


Fundada em 1534, Ilhéus é uma da cidades mais antigas do Brasil tendo muitas histórias para contar. Apesar de sua antiga existência, só foi reconhecida como cidade quase 300 anos depois. Mesmo sendo considerada na época uma terra de maravilhas, o antigo dono das terras não tinha muito interesse por elas tendo deixado apenas um déspota para tomar conta das terras com plantações de cana de açucar e pacificar os bravos índios.

Atualmente o Rio do Engenho é um dos principais pontos turísticos da cidade. Além de uma bela paisagem, o povoado tem grande importância cultural devido à presença de monumentos construídos antes de 1550. No local há as ruinas do Engenho de Sant’Ana, um dos primeiros engenhos de cana-de-açúcar no Brasil e a Capela de N. Sra. de Santana, a terceira capela rural mais antiga do país.


Plantação de cacau
Cacau in natura
Cacau secando

A plantação de cacau em Ilhéus teve início no século 17 com as mudas vindas da Amazônia. As sementes se multiplicaram com grande velocidade fazendo Ilhéus brilhar como grande produtora de cacau mas também gerar uma infinidade de histórias recheadas de cobiça, amores e lutas pelo poder. Escritores marraram em suas obras as desenfreadas paixões dos coronéis por terras, dinheiro e mulheres. 

Hoje o cultivo do cacau e o chocolate é um atrativo de Ilhéus. As visitas guiadas são divididas nas Rotas do Chocolate I e II. Uma das rotas inclui visita às comunidades indígenas para conhecer a culinária e os costumes da tribo, passeios de barco pelo rio e cachoeiras. A segunda rota inclui a visita aos processos de colheita do cacau, seleção das amêndoas e fabricação de chocolate incluindo uma deliciosa degustação.

A Fábrica de Chocolate, construída em 1985 nos moldes de um chalé suíço, foi a primeira fábrica de chocolate artesanal do norte/nordeste do Brasil. Sua especialidade são os chocolates com mais de 50% de cacau na composição. Lá são encontrados bombons, barras de chocolate e vários outros tipos. 


 
 

Ilhéus sempre primou pelo bom gosto e requinte mantendo muita ligação com a Capital Federal, que antigamente era no Rio de Janeiro, e também com a Europa. Na época havia muito dinheiro, gosto pelo luxo e por excentricidades, tanto que em 1921 quando um dos coronéis inaugurou sua casa ele ofereceu um banquete com um cardápio escrito em francês. Era comum as famílias possuírem grandes pianos em suas casas e fazendas, que vinham da Europa nos navios que atracavam em Ilhéus. 
 

Dessa época são os belos prédios como o Palácio Paranaguá que hoje é a sede da prefeitura e as belas casas construídas pelos coroneis. Caminhar pelas ruas estranhamente angulares e separadas por casas coloniais coloridas, é descobrir uma cidade que foi a primeira do interior do nordeste a ter um prédio construído com elevador. 

E, devido ao seu prestígio, a cidade precisava de um local para as apresentações teatrais. Em vista disso foi construído em 1932 o Teatro Municipal de Ilhéus, que é considerado um dos melhores do interior da Bahia.

homenagem a Jorge Amado
Bataclan
Hoje Ilhéus não tem grandes baladas e nem vida noturna agitada, mas há lugares curiosos como o Bar Vesúvio que é um dos mais antigos da cidade e tem mais de 100 anos. Fundado por dois italianos, passou por vários proprietários até que o último dono resolveu resgatar a tradição do bar que é considerado um patrimônio cultural e histórico da cidade. Junto às mesas há uma estátua de Jorge Amado, um de seus mais ilustres fregueses que incluiu o bar numa de suas obras como o "bar do Nacib". 

Em seu passado glorioso, cabarés, clubes noturnos e cassinos movimentavam a rica cidade. Um dos mais famosos é o Bataclan de Maria Machadão na Av. 2 de Julho, que foi o antigo bordel frequentado pelos coroneis do cacau tendo servido de cenário para as narrativas na obra "Gabriela, Cravo e Canela".  Atualmente o Bataclan é um espaço cultural destinado a lançamento de livros, vernissages e eventos sociais. 


A Casa Jorge Amado foi o local onde o escritor Jorge Amado passou a maior parte de sua vida e onde escreveu seu primeiro romance. Construída em 1920 pelo pai de Jorge Amado, a casa tem estilo eclético e ainda mantém o mesmo padrão original. Com madeiras de jacarandás, o mármore da casa veio de Carrara na Itália já que muitos navios italianos atracavam em Ilhéus.

A casa foi doada ao município pelo próprio escritor.
Autor de grandes romances de sucesso, os problemas e as injustiças sociais foram temas constantes em suas obras, além do folclore, da política, crenças e tradições. Suas obras foram traduzidas em 49 idiomas para 55 países. Falecido em 2001, Jorge Amado deixou 45 obras publicadas, sendo as mais significativas da literatura brasileira de ficção. 

Casa de Cultura Jorge Amado





sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Muqui, uma colônia italiana em estilo art-nouveau




Muqui é pequena e encantadora cidade localizada entre grandes montanhas ao sul do Espírito Santo e faz parte das rotas capixabas. Fundada em 1912 às margens do rio muqui, a cidade já teve uma das maiores plantações de café o que lhe deu grande prestígio. Dessa época restaram duas centenas de belos casarões históricos que são o charme da cidade, sendo também uma opção de férias em antigas fazendas.



 
 

 
 
 
Em função das fazendas de café, Muqui viveu um período de muita riqueza e ostentação da aristocracia que são visíveis nas construções de sobrados e palacetes com varandas contendo afrescos nas paredes e balcões artisticamente trabalhados. Em diversos estilos, é o maior conjunto arquitetônico art-nouveau do estado.  
 
 


Outra ostentação daquela época são as dezenas de pianos centenários existentes na cidade, que foram preservados e ainda funcionam perfeitamente. O Projeto "Muqui de Portas Abertas" visa promover mensalmente saraus de piano, fazendo ecoar música nos casarões da cidade que abrirão suas portas para receber o público. Além de assistir as apresentações musicais permitirá apreciar o interior dos belos palacetes com seus ricos detalhes nos tetos trabalhados, antigos cadelabros e maçanetas de porcelana.

 

 
 


Muqui teve grande desenvolvimento com a Linha Férrea Leopoldina que transportava o café. A Estação de Muqui testemunhou muitas chegadas, principalmente de imigrantes italianos que vinham em busca de uma nova vida no Brasil e eram atraídos pelas fazendas de café. Muitos italianos chegaram em Muqui mesmo antes da existência da estação. Vindo em lombos de burro, eles transformaram a cidade numa grande colônia italiana.  

As antigas fazendas de café fazem parte do roteiro de ecoturismo quando se pode conhecer sua história. Algumas recebem visitas de turistas e oferecem hospedagem, além de passeios pela Serra da Morubia, cachoeiras e piscinas naturais. É também a oportunidade de conhecer a gastronomia típica do lugar e provar os doces, pães e pizzas. Um dos atrativos é o Sumidouro, um fenônemo natural que faz o rio desaparecer debaixo de um lajeado para reaparecer a 800 metros depois.

 



A Igreja de São João Batista, que é o padroeiro da cidade, é uma das maiores igrejas do Espírito Santo. Construída com belos vitrais nos anos de 1940, os afrescos foram feitos pelo pintor Giuseppe Irlandi e os mármores foram importados de Carrara na Itália. A avenida de acesso à igreja tem um largo passeio pavimentado por onde se pode caminhar calmamente e apreciar o encanto da cidade e a beleza de seus jardins.

Muqui tem muitas festas, festivais e eventos durante o ano, sendo um deles o Carnaval do Boi Pintadinho quando vários blocos saem às ruas cada um levando seu boi pintado. Porém o evento mais conhecido de Muqui e considerado um dos mais antigos é o Encontro da Folia de Reis que recebe mais 90 grupos provenientes de várias localidades do Brasil durante a semana do folclore. 


 


Festejo de origem portuguesa, a Folia de Reis é uma tradição passada de geração em geração. Os grupos, com suas roupas brancas ou uniformes, caminham pelas ruas da cidade levando seus instrumentos e as violas enfeitados com fitas coloridas, tendo cada cor um significado próprio.

Com saudações e cantorias, eles vão de casa em casa levando sua bandeira enfeitada, que é um objeto sagrado. Os palhaços ou bastiões com suas máscaras e roupas coloridas dançam, cantam e pulam ao som dos tambores, viola e sanfona pelas ruas históricas da cidade. Eles são incumbidos de levar as espadas que, segundo a tradição, serviriam simbolicamente para defender a bandeira.

Apesar dos folguedos a festa está relacionada ao culto católico do natal, numa manifestação de fé e devoção que finaliza na igreja. A Folia de Reis representa a história da viagem dos três Reis Magos, reproduzindo de forma simbólica a ida ao presépio para adorar o Menino Jesus. 


 

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

Seguidores