terça-feira, 30 de outubro de 2012

Paranapiacaba, um pedacinho da Inglaterra no Brasil



Protegida pelas montanhas da Serra do Mar, a histórica Vila de Paranapiacaba no ABC Paulista é um lugar mágico que oferece uma prazeirosa viagem no tempo. Incluída entre os 100 monumentos mais importantes do mundo pela WMF - World Monuments Fund, a cidade guarda um marco da presença britânica no desenvolvimento do Brasil.




O primeiro jogo de futebol no Brasil: Paranapiacaba se orgulha de ter participado do primeiro jogo de futebol realizado no Brasil em 14 de abril de 1895. A partida foi disputada entre funcionários das empresas inglesas Companhia de Gás e Cia. Ferroviária São Paulo Railway, na Várzea do Carmo em São Paulo.

Foi também foi a primeira cidade do país a ter um campo de futebol com medidas oficiais e um dos clubes mais antigos. Com algumas construções em estilo vitoriano, constantemente  cidade é envolta num nevoeiro que lembra o fog londrino e lhe dá um charme europeu.




 
 
 
 
Estação Alto da Serra: Paranapiacaba significa na lingua tupi "lugar de onde se vê o mar" e uma das atrações turísticas da cidade é a antiga Estação do Alto da Serra, que era o ponto de partida do trem que transportava pessoas e cargas até o Porto de Santos nos anos de 1870. 

A antiga linha férrea utilizava um sistema funicular com roldanas, que ajudava o trem a enfrentar um desnível de quase 800 metros entre o litoral e o topo da serra. Atravessando 11 túneis na rocha, a ferrovia foi criada na época para substituir os lombos de burro que levavam  as mercadorias até o porto,  uma viagem que além de ser demorada não era muito adequada.    
 
 

 



Museu do Funicular: Desativada em 1977, no Museu do Funicular estão antigas máquinas e peças do sistema ferroviário. Atualmente os antigos trilhos da ferrovia servem para um passeio de Maria-Fumaça que percorre um trecho de 1 km relembrando seus áureos tempos.  

A estação, que era uma passagem obrigatória dos moradores, foi o primeiro referencial da vila. Ali era um ponto de encontro onde se faziam negócios, discutia-se política, comentava-se sobre futebol e outros assuntos da cidade. A passarela metálica construída em 1899 sobre a linha férrea, era a única ligação existente entre as duas partes da cidade.  
 
 
 

 
Estação antiga: Com arquitetura em estilo vitoriano, o projeto da estação foi desenhado por engenheiros britânicos e da Inglaterra foram trazidas as peças desmontadas e telhas. A velha estação de madeira já estava em processo de demolição quando ocorreu um incêndio.

Restaurada e integrada à nova estação, tem destaque a torre de arquitetura inglesa onde está um relógio fabricado em Londres por Johnny Walker. O relógio era usado para controlar o horário de trabalho dos empregados e saída dos trens, já que podia ser visto de todos os pontos da cidade.


 
 
 
 
Museu: O atual Museu do Castelo, também chamado Castelinho, servia como residência do superintendente inglês que controlava o sobe e desce do trem pela Serra do Mar. Com vista privilegiada para pátio de manobras, oficinas e para a vila, a imponência do Castelinho era o símbolo da hierarquia na época.

Construído em 1897, dizem que as inúmeras janelas do Castelinho serviam para vigiar os empregados e observar a movimentação na vila. Atualmente nesse espaço há exposição de objetos da antiga estação, um resgate da história da vila e do primeiro sistema ferroviário do Estado de São Paulo.
 
 
 
 
 
Vila Ferroviária: A vila ferroviária, que os ingleses batizaram de Vila Martin Smith, tinha jardins floridos nos quintais pois a intenção era construir uma cidade-modelo. Criadas pela empresa britânica que administrava o sistema, as casas da vila eram destinadas aos empregados da Companhia Inglesa de Trens São Paulo Railway que deu origem à cidade. Dessa época restam ainda as antigas casas de madeira. 
 
 
 
 
 
As casas destinadas aos engenheiros eram de alto padrão com grandes varandas. Construídas originalmente em madeira, depois foram sendo reformadas em alvenaria. Os ferroviários casados e com filhos recebiam uma casa maior feita de madeira e cobertas com telhas de zinco.

A casa dos solteiros eram conhecidas como barracos. Tinham apenas dormitórios, poucos sanitários e chuveiros, já que os ferroviários trabalham em turnos. Na Casa Fox, que é um centro de referência, há maquetes da vila feita em madeira. 


 

 


Igreja Matriz: A Igreja Matriz, que antes era chamada de Capela alto da Serra, teve sua primeira missa em 1884. Embora seja uma construção modesta, tem grande valor histórico.  É dedicada ao Senhor Bom Jesus. 



Cambuci, um símbolo de Paranapiacaba
 
  
Cambuci
Produtos artesanais feitos de Cambuci

Cambuci: Fruto típico da Mata Atlântica, o cambuci é abundante na região sendo uma tradição seu consumo na vila. No Festival do Cambuci que acontece em abril na época da colheita, há degustação de variados pratos, doces, bolos, drinks, sorvete e milk shake feitos com a fruta. Os produtos artesanais feitos com Cambuci são vendidos no antigo mercado, tal como a cachaça, licor, bombons, doces e até Ice Cambuci. 
 
Pau da missa: O "pau da missa" é um centenário pé de cambuci localizado entre a Parte Alta e a Parte Baixa da cidade. Por estar localizada numa passagem obrigatória para quem ia para a estação, no passado a árvore servia como um quadro de avisos. Os convites para festas, casamentos, aniversários, partidas de futebol, avisos de missas e falecimentos eram afixados na árvore, por isso a árvore tornou-se um dos símbolos de Paranapiacaba.
 
 
  
Centro cultural: O antigo mercado construído em 1899 hoje é usado como espaço multicultural. Por ser uma construção comercial, no passado foi projetado visando manter a higiene e sistemas de ventilação com venezianas nas laterais. A construção ao lado era destinada aos sitiantes que traziam aves, ovos e frutas para vender na feira livre.
  

 
 
 
Clube: O Clube União Lyra-Serrano atualmente é o local onde acontecem os shows, bailes, festas e exposições. Construído em 1907 e ampliado posteriormente, o clube foi um local de divertimento.
 
Naquela época havia uma sessão de cinema mudo, geralmente um filme exibido em séries. No salão cada grupo de família tinha os seus lugares marcados e os camarotes nas laterais eram reservados para o alto escalão da ferrovia. Existia ainda um salão para jogo de bilhar e campo para bochas.
 
   

 
  


 

Parque Ecológico: Cercada pela Mata Atlântica na Serra do Mar, na região há inúmeras trilhas que levam a riachos e cachoeiras dentro de uma rica biodiversidade. O Parque Ecológico tem um Centro de Visitantes que disponibiliza ampla informação sobre o parque antes das trilhas guiadas.

É o local preferido dos praticantes de caminhada ecológica e esportes como arvorismo, rapel e cicloturismo. Cada trilha ou cachoeira tem suas referências históricas e lendas, tal como a famosa Cachoeira do Poço das Moças. Segundo contam, há mais de 10 anos três moças morreram afogadas no poço e desde então durante a noite ouve-se estranhos barulhos como se alguém estivesse cortando as árvores com um machado. 


Expresso turístico São Paulo/Paranapiacaba

Eventos: A cidade mantém um calendário de eventos durante o ano todo que inclui a Festa do Padroeiro, Festas Juninas, Festivais gastronômicos e o Festival de Inverno que atrai muitos turistas à cidade.

Na Lua Cheia de maio acontece a convenção de bruxas e magos. Assim como em outras cidades do interior, Paranapiacaba tem muitas histórias de misticismo, episódios sobrenaturais e muito folclore mantidos na crença popular.

Acesso: Um modo divertido de acesso à cidade é através do Expresso Turístico que sai da Estação da Luz em São Paulo aos domingos, partindo às 8h30 e retornando às 16h30. O percurso de quase 50 km é feito em 1h30, passando por diversas estações construídas pela antiga empresa britânica. 

Ao longo do percurso sobre os trilhos, monitores dão informações históricas sobre a ferrovia paulista e estações da CPTM. Os bilhetes são comprados no Saguão principal da Estação da Luz ou reservados pelo site da CPTM. Há também acesso por ônibus saindo de Santo André. Se resolver ficar alguns dias, na cidade tem diversas opções de pousada.

 

sábado, 6 de outubro de 2012

Cabo Frio o paraíso dos velejadores


Na Região dos Lagos, Cabo Frio é uma das cidades mais antigas e mais conhecidas do Rio de Janeiro. No começo dos anos de 1500 os portugueses chegaram nessas terras e, ainda que estivessem num clima tropical, foram surpreendidos pelo fenômeno da ressurgência. Ao sentirem a baixíssima temperatura das águas, deram-lhe o nome de Cabo Frio.
 
 
A Praia do Forte é a principal de Cabo Frio que também conhecida como Praia da Barra, considerada por velejadores como a maior raia do mundo. Com mais de 7 km de extensão é o point de jovens e turistas sendo marcada pelo imponente Forte de São Mateus. Construído em 1616, o forte voltado para o mar aberto era um ponto de defesa contra piratas e invasores franceses, ingleses e holandeses que vinham em busca do pau-brasil que era abundante na região. Do forte tem-se uma vista de toda a extensão da Praia do Forte até Arraial do Cabo.
 
 
Pela força de suas ondas, a Praia das Dunas é a preferida para quem gosta de surfar. Cercada por enormes dunas de areia branca e muito fina, é uma das praias mais perigosas devido à correnteza que forma redemoinhos. Outra também perigosa é a Praia do Foguete conhecida por suas águas frias e profundas com forte correnteza, por isso é uma praia pouco frequentada. Quase deserta, a Praia Brava é cercada por altas escarpas sendo um local para quem aprecia o naturalismo.
 

 
E por ser a região dos lagos um ponto de referência nos campeonatos de Surfe, em Cabo Frio foi criado o Museu do Surfe que é considerado o maior da América Latina. No acervo estão mais de 400 pranchas,  nacionais, importadas, algumas muito antigas, além de roupas, troféus, skates, fotos, vídeos e documentos. 
 

Também considerada boa para o surfe é a Praia do Peró que está separada da Praia das Conchas por um pequeno canal. A Concha tem esse nome devido ao seu formato. Nessa praia se reúne o pessoal que gosta da pesca de arremesso. Devido aos fortes ventos, as condições do mar em Cabo Frio podem mudar inesperadamente tornando o mar agitado e produzindo fortes ondas.

A Praia de São Bento está próxima do centro sendo banhada pelo canal. Dessa praia se avista a Ponte Feliciano Sodré, a Nova Ponte e o Bairro da Gamboa, que é famoso por sua Rua dos Biquinis onde muita gente vai comprar trajes de banho, roupas de ginástica, chapéus, óculos de sol e uma inifinidade de acessórios de praia. É um verdadeiro shopping a céu aberto com imensos toldos em forma de lírios e jardins.


Situadas às margens da Lagoa de Araruama, nas praias do Siqueira e das Palmeiras se concentra a pesca de camarão como também na Ilha dos Anjos onde se pesca o melhor camarão da região. Há muitas ilhas em Cabo Frio tal como a Ilha dos Pargos que tem muitas anchovas, a Ilha Dois Irmãos, Ilha dos Papagaios, Ilha do Japonês e Ilha Comprida que é apropriada para mergulho e pesca submarina.

Escunas, traineiras e lanchas partem do Canal para passeios pela Lagoa de Araruama, Ilha do Japonês e Praia Brava. Pela manhã sai o pessoal que gosta de mergulhar. No final do dia os passeios são perfeitos para apreciar o por do sol.



No alto do Morro da Guia está a Capela de Nossa Senhora da Guia. Construída em 1740 pelos padres franciscanos, a capela é cercada de lendas e mistérios. Conta-se que antes havia uma capela no pé do morro onde ficava a imagem da santa. No entanto, a cada manhã a imagem da santa aparecia sempre no alto do morro. Tendo esse fato se repetido várias vezes, os padres resolveram construir outra capela no alto do morro.

Da capela tem-se uma bela vista panorâmica, o problema é que todo o percurso da subida deve ser feito a pé pois só são permitidos veículos que transportam pessoas idosas ou portadores de necessidades especiais. Ao lado da Igreja Matriz de Nossa Senhora de Assunção está a Igreja de Nossa Senhora da Conceição que tem uma santinha encontrada por um pescador num lugar chamado taboleiro. A pequena imagem feita de nogueira tem apenas um palmo de altura. 
 
 

A Igreja de São Benedito construída em 1701  faz parte do patrimônio histórico do Bairro da Passagem. Foi construída especialmente para ser usada pelos escravos pois na época eles eram proibidos de entrar nas outras igrejas. Uma réplica de um barco de pesca foi colocada no altar representando a humildade e a fé dos pescadores.

O Bairro da Passagem era um local de travessia para o Canal do Itajuru. Com ruas estreitas e de calçamento antigo, na época da fundação da cidade surgiram as primeiras construções que hoje integram a parte histórica da cidade. No Morro da Guia está um importante sítio arqueológico com um santuário da mitologia tupinambá feito de pedras. Sobre essas pedras os índios ouviam as histórias dos feiticeiros que ensinavam a arte de viver e amar a vida.

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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