quinta-feira, 18 de abril de 2013

A exótica Ilha de Marajó

 
Longe da agitação urbana, com um clima ameno e ventilado, a Ilha de Marajó esconde mistérios que vão além da paisagem. Situada no extremo norte do Brasil entre as cidades de Belém e Macapá, a ilha é cercada pelas águas dos rios Amazonas, Tocantins e pelo oceano Atlântico, o que torna a viagem até a ilha uma extraordinária aventura.
 
Marajó é a maior ilha fluviomarinha do mundo e um dos santuários ecológicos mais preservados da Amazônia. Com paisagens exóticas, centenas de praias desertas, pântanos, igarapés e muitos búfalos em toda parte, a ilha faz parte de um arquipélago que compreende 2.500 ilhas e ilhotas espalhadas na foz do rio Amazonas. É um cenário perfeito para quem deseja desvendar um pedaço quase intacto da Amazônia. 
 
Cidade Soure
Das proximidades de Belém saem barcos e balsas rumo à ilha. Devido à enorme dimensão da ilha, de aproximadamente 50.000 km2, há muitas cidades além de pequenos vilarejos entre as matas, rios, campos, mangues e igarapés. O lado leste a ilha é coberta por savanas e o lado oeste pelas florestas.

Salvaterra é o porto de chegada e Soure é considerada como capital por ser onde vive a maior parte da população e onde estão os melhores hotéis e restaurantes. Há outras cidades, como Cachoeira do Arari, Ponta de Pedras, Muaná, São Sebastião da Boa Vista, Curralinho, Breves, Gurupá, Santa Cruz do Arari, Anajás, Afuá e Chaves, cada uma com seu
encanto. 
 
 
 
 
O belo cenário natural da ilha serviu de inspiração para músicos, poetas e cineastas que se encantaram com suas paisagens. É impressionante a extensão de algumas praias, como a Praia do Pesqueiro em Soure que possui muitas dunas e coqueiros sendo a preferida por moradores e turistas. Na maré baixa a faixa de areia até o mar chega a 1 km.

A Praia do Goiabal é onde as garças solitárias pescam à beira-mar. Situada dentro da Fazenda São Jerônimo, o lugar é tão paradisíaco que ali foram gravadas cenas de uma novela. Passando pela Fazenda Araruna, depois de atravessar um rio chega-se à praia de Barra Velha. No caminho desfilam búfalos, garças e guarás.

A Praia Grande em Salvaterra é uma das mais procuradas durante o verão. Cercada por coqueiros, uma atração do lugar é o farol. Há também as praias Agua Boa e Joanes, também conhecida como Monsarás, que atrai muitos turistas devido às ruínas de uma igreja construída pelos jesuítas no século 17.
 
Soure e Salvaterra são as cidades mais conhecidas por estarem mais próximas de Belém, mas a Ilha de Marajó oferece muito mais. A ilha é um local excelente para pescar e também é um lugar de muitas emoções para quem gosta de praticar esportes radicais.  
 
 
O surf na pororoca atrai muitas pessoas para ver ou deslizar sobre as ondas que se formam quando o rio enfrenta o mar. Considerada como um dos maiores espetáculos da natureza, dizem que alguns minutos antes da Pororoca chegar há uma calmaria, um momento de silêncio. As aves se aquietam e até o vento parece parar de soprar.

Quando ela se aproxima com seu barulho ensurdecedor, os caboclos já sabem e rapidamente procuram um lugar seguro como enseadas ou mesmo os pontos mais profundos dos rios para aportar suas embarcações. Se a canoa estiver na "baixa-mar" onde a pororoca bate furiosa e barulhenta, destrói a canoa e leva tudo consigo junto com as árvores das margens do rio.

Formando uma elevação súbita das águas junto à foz, o encontro das correntes contrárias como se fosse um obstáculo que impedisse seu percurso natural, fazem as águas correrem rio a dentro por quase 50 km subindo uma altura de 3 a 6 metros. Dependendo das condições do vento, formam-se ondas perfeitas.

Há várias explicações para o fenômeno, porém a principal consiste na mudança das fases da Lua Nova e da Lua Cheia, principalmente nos equinócios quando o Sol está alinhado ao Equador. O surdo ruído semelhante a um trovão e ouvido a quilômetros de distância, deu origem ao nome Pororoca definido pelos índios da região com a expressão onomatopaica: poroc-poroc...
 
Ilha Mexiana
Cidade Chaves
Cidade Chaves
O fenômeno natural, que conjuga beleza e violência no encontro das águas do mar e do rio, acontece nos estuários rasos de todos rios que desembocam no golfo amazônico, mas principalmente na foz do grandioso e imponente rio Amazonas. Dizem que as ondas mais fortes ocorrem entre setembro e março. 
 
Entre as ilhas Caviana e Mexiana, há relatos de ondas de até 8 metros de altura. A Ilha Mexiana na foz do rio Amazonas é deserta e um típico local para quem deseja se hospedar no meio da natureza. Ali fica o Marajó Park Resort, único hotel da ilha que oferece diversos passeios de ecoturismo, pesca esportiva e traslado de avião que sai de Belém.

Mexiana está próxima da pacata cidade de Chaves onde há extensas praias desertas. Este é um dos lugares mais lindos do litoral de Marajó. Com suas casas coloridas que se destacam em meio à paisagem, a cidade é um verdadeiro paraíso onde sopra uma brisa suave e onde a pororoca passa com grande força.
 

No litoral deserto e selvagem de Marajó também ocorre um fenômeno interessante. Durante seis meses, na invernada, as águas do Rio Amazonas invadem os rios formando as praias de água doce de cor amarelada. Mas durante seis meses é a vez do oceano Atlântico penetrar nos rios, formando as praias de água salgada que se torna salobra e esverdeada. Por isso o cenário da ilha nem sempre é o mesmo.

Em Marajó há somente duas estações: verão e inverno. No verão, de junho a dezembro, os campos secam surgindo uma paisagem que parece um deserto. Nessa época pode-se circular em vários pontos da ilha através de estradas, porém sob um calor inclemente. Essa é a época das grandes cavalgadas para apreciar os campos de Marajó.

No inverno, de janeiro a maio, as águas cobrem os campos e tudo fica alagado. É a época das paisagens grandiosas onde tudo é colorido de vários tons de verde que mostra todo o esplendor da Amazônia. Nessa época o clima é mais ameno mas só se chega em alguns lugares usando barcos e canoas.
 
Cidade Afuá

Devido a essa característica do clima da ilha, as casas situadas nas áreas sujeitas a alagamento são construídas sobre palafitas e ligadas por pontes. Na época da cheia dos rios, onde não há pontes só é possível circular usando barcos. 
 
cidades e vilarejos que são totalmente flutuantes, tal como Afuá que é conhecida como Veneza Marajoara. Toda a cidade de Afuá é erguida a 1.20 metro do chão. As largas avenidas na verdade são pontes e protegem a cidade na época das cheias do rio que ocorrem a cada 4 anos.
 
Devido à característica exótica da cidade, não há carros ou motos na cidade e só é permitida a circulação das bicicletas.  Com isso foi criado o bicitaxi, que é feito com duas bicicletas acopladas. Novas versões foram aprimoradas surgindo até a bicilância - uma bicicleta ambulância. Mas esse exotismo só existe em Afuá.
 
Cidade Ponta das Pedras
Cidade Mauná
Em uma viagem de barco pelos rios podem ser apreciados os encantos da região com suas trilhas misteriosas que convidam a um passeio inesquecível. A Baia de Marajó concentra uma intensa navegação de barcos grandes e pequenos que seguem para diversos locais da ilha. Um desses lugares Ponta das Pedras, que tem uma bela praia margeada por coqueiros e um calçadão com desenhos marajoaras. 

Bem próximo de Ponta das Pedras está Muaná, uma cidade que conserva uma autêntica essência cultural da amazônia. Perto da orla de Mauná está a Ilha da Pescada e outras duas ilhas paradisíacas e selvagens: a Ilha Palheta e a Ilha do Mandií. Na misteriosa Ilha da Palheta há um palacete e um engenho centenário onde os escravos do século 19 produziam açúcar, álcool e cachaça.

Durante o Festival do Camarão de Muaná os turistas lotam o Camaródromo para assistir as apresentações de várias bandas, mas principalmente para degustar o sabor único da culinária muanense, como o camarão no bafo e as muquecas de camarão ao som dos ritmos de Marajó.
 

Os ritmos de Marajó são contagiantes e uma das tradições da cultura marajoara é o Carimbó e o Lundu, uma dança autêntica da região cujos passos foram inspirados em manifestações de origem africana e indígena. Com um batuque vibrante, as moças com suas saias amplas e acompanhadas de seus pares promovem um espetáculo de dança chamando todos para a roda do Carimbó.
 
Carimbó na língua indígena significa pau ôco, ou seja, um pau que produz som. A dança e o ritmo teve início com os antigos escravos da época colonial, que se divertiam nas fazendas buscando sons nos tambores e instrumentos feitos de material natural da floresta. Com o tempo foram sendo adicionados outros instrumentos ganhando influências do merengue.
 
Cidade Cachoeira do Arari
Museu do Marajó

Arte marajoara
Na antiguidade Marajó foi habitada por nações indígenas de cultura bem avançada que produziram uma arte de considerável beleza plástica e renome chamada genericamente de arte marajoara. A argila em abundância era usada pelos indígenas na produção de cerâmicas deixando registradas suas inconfundíveis características em desenhos simétricos.

Os índios marajoaras, também conhecidos por nheengaíbas, desapareceram antes da chegada dos colonos portugueses. Em 1871 dois pesquisadores descobriram antigos artefatos e publicaram um artigo numa revista científica, revelando ao mundo a então desconhecida cultura marajoara. Através de outras pesquisas descobriu-se que os índios marajoaras construiam suas casas sobre morros artificiais para se proteger das inundações.

Escavando esses morros, os arqueólogos encontraram vasos, urnas, tigelas e outras peças de cerâmica feitas com argila cozida e envernizada dando-lhe um aspecto lustroso. O acervo marajoara pode ser visto no Museu do Marajó situado na pequena cidade de Cachoeira do Arari, onde os grafismos marajoara estão presentes em toda cidade.
 
 
 
 

Os passeios pelas inúmeras fazendas abertas aos turistas levam ao contato com a natureza. A riqueza da fauna nessa região é inacreditável e as encantadoras revoadas de pássaros constratam com a paisagem. As mais visitadas são: Fazenda Araruna, Fazenda Bom Jesus, Fazenda São Jerônimo, Fazenda Sanjo, Fazenda Camburupy.  
 
Nas fazendas há trilhas com pontes sobre os manguezais, passeios de canoa, passeios de búfalos, caminhadas, cavalgada na praia, percursos de charrete, banhos nos igarapés, focagem de jacarés e pesca de piranhas. O tipo de passeio é definido pela época dos campos secos ou pelas terras alagadas. 
 
Também pode-se hospedar em algumas fazendas. Com uma grande variedade de pássaros, é interessante observar os guarás, uma ave típica que tem as penas vermelhas por alimentar-se do crustáceo sarará que contém alto teor de de betacaroteno. Também pode-se ver as magníficas garças azuis que estão em extinção, encontrar macacos, jacarés, bichos-preguiça e é claro, búfalos.
 
 
 
Na ilha os búfalos estão em toda parte e são usados como meio de transporte. Há búfalos-taxi para passeios na ilha e até como montarias da polícia. No Carnaval os búfalos fazem sucesso puxando carroças equipadas com caixas de som, numa versão local dos trios elétricos baianos. São mais de 800.000 búfalos e, segundo dizem, há 4 búfalos para cada pessoa da ilha. Durante os dias de verão, quando o calor é intenso, os búfalos permanecem dentro d'água. 
 
Conta uma antiga lenda que na época colonial um navio carregado de búfalos com destino à Guiana Francesa naufraugou no oceano próximo a Marajó. Por serem excelentes nadadores, os búfalos chegaram às praias da Ilha de Marajó e ali procriaram dando origem ao maior rebanho de búfalos do Brasil.
 

O búfalo se tornou um símbolo da Ilha de Marajó tendo influenciado na cultura, no folclore, no artesanato e na culinária da região. Além dos interessantes artesanatos como sandálias, botas e bolsas de couro, nos restaurantes há sempre um suculento Filet Marajoara servido com queijo de búfala.  
 
Dizem que a carne de búfalo tem quase 50% menos colesterol e menos calorias do que a carne bovina. Há ainda outros pratos como o Frito do Vaqueiro, com carne de costela cozida acompanhada de pirão, ou o Filé de búfalo ao molho de cupuaçu além de outras delícias paraenses.

Cacuri / armadilha para peixes
Em alguns lugares o peixe é alimento básico: peixe com pirão, farofa e açaí. Na culinária marajoara não falta a farinha de mandioca que é produzida em vários locais. E onde se vê o Cacuri, tem peixe. 
 
Cacuri é um tipo de armadilha usada para apanhar peixes durante a maré alta. Quando a maré baixa os peixes ficam presos tornando-se mais fácil retirar os peixes grandes e devolver às águas os peixes pequenos. Exótico é o Caldo de Turu, um molusco típico do mangue.

Bacuri
Buriti
Uxi e Biriba
Açai
Cidade de Anajás
Gastronomia em Marajó significa provar os frutos da terra, como os sorvetes de uxi, açai, bacuri, taperebá e cajarana. É um lugar perfeito para quem gosta de descobrir novos sabores. Em quase todos os lugares da ilha existe um açaizeiro que é um recurso típico do arquipélago, principalmente nas áreas de florestas de várzeas. No período da safra o açai é aproveitado para a fabricação do vinho de açai.

Do açaizeiro também se retira o palmito, mas a extração vem sendo desestimulada para evitar o corte de árvores. Em alguns lugares é proibido retirar palmito, porém em Anajás há inúmeras fábricas que envasam o palmito. Anajás é um lugar muito precário no coração da ilha junto ao rio Anajás. A cidade conserva o mesmo nome dos antigos índios que habitavam a região.
 
Sementes de andiroba
Das florestas saem as sementes andiroba, ucuuba e murumuru que são usadas por indústrias de cosméticos. A exploração da andiroba é ligada não apenas às florestas, mas também aos rios, lagos e igarapés. A andirobeira cresce bem em terra firme, mas também gosta de baixadas e áreas alagadiças.
 
Os rios da região são muito influenciados pelo sobe e desce das marés. Na maré cheia os rios carregam galhos, frutos e sementes da andiroba em sua corrente até a boca do rio que seguem lentamente em direção ao mar. Depois de flutuar por várias dias, as castanhas de andiroba acabam chegando nas belas praias de Salvaterra.
 
É justamente à beira mar que as famílias da região fazem a coleta do produto sem dificuldade. Os meses de safra ocorre no verão, entre fevereiro e junho. As praias da região ficam cheias de gente catando as sementes que até há alguns anos eram usadas apenas para fazer óleo caseiro que também serve como repelente e anti-inflamatório. Atualmente as sementes são vendidas para as indústrias que aproveitam seu óleo para fabricar perfumes, shampoos, hidratantes etc.
 
Cidade Breves
Cidade Curralinho
São Sebastião da Boa Vista
Gurupá
Ao sul de Marajó estão as cidades de Gurupá, Melgaço, Portel, Breves e Bagre que são lugares onde só se chega após várias horas viagem de barco. Essa parte da ilha já foi importante na época da exploração da borracha. Em Breves e Melgaço existiam grandes seringais mas entrou em declínio.

Numa vila de Breves pode-se visitar um antigo casarão de dois andares feito de madeira em 1945, remanescente do áureo período da borracha. Breves era nome de uma família portuguesa que morava na região por volta do ano 1740. A família instalou um engenho que era chamado Lugar dos Breves e daí surgiu o nome da cidade.
 
Na Ilha de Gurupá estão as ruínas do Forte de Santo Antônio sobre um rochedo se debruça sobre o mar. O forte foi construído quando os holandeses chegaram à região por volta dos anos 1600 onde faziam a plantação de cana de açucar. Algum tempo depois o forte foi tomado pela colonização portuguêsa dando-lhe o nome de Forte de Santo Antônio de Gurupá. Antigos canhões ainda estão posicionados sobre o parapeito de seus muros.

Um comentário:

* Edméia * disse...


*Lúcia, acho que houve um equívoco

aqui nesta frase sobre a colheita

das sementes da ANDIROBA :

Os meses de safra ocorre no verão, entre fevereiro e junho.

Entre os meses de Fevereiro e

Junho não é a estação do INVERNO

?! O.O

*Lúcia Querida, você não

imagina como tenho vontade de

conhecer estes lugares do nosso

querido Brasil bem de pertinho !!!

(*Tô esperando a aposentadoria

para eu fazer isto ! *Veremos

!!!).


*Aprendi bastante sobre a

História do Brasil com mais este

teu post também !!! :))

*Obrigada, Lúcia !!! :))

P.S. - Ah, deu-me vontade de andar

na BICITÁXI e de comer os camarões

e de dançar o Lundu e de comprar

uma cerâmica !!! *Gosto demais

disto tudo !!! :))

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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