terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Ametista do Sul, a capital mundial da ametista



O fascínio pelas jóias e pedras preciosas acompanham os povos há séculos. Usadas por nobres como demonstração de poder e riqueza, às pedras também foram atribuidos poderes mágicos de proteção sendo por isso usadas em cerimoniais místicos. Tudo isso é o que atrai turistas à Rota de Gemas e Joias do estado do Rio Grande do Sul, principalmente à cidade de Ametista do Sul que é considerada a "Capital Mundial da Pedra Ametista".

 
Igreja São Gabriel
Igreja São Gabriel
Igreja São Gabriel
Igreja São Gabriel

Igreja São Gabriel
Igreja São Gabriel
 
Situada na serra gaúcha, a cidade tem o privilégio geológico de possuir as maiores jazidas de ametista do mundo, geminadas nas convulsões vulcânicas ocorridas há 140 milhões de anos. Na cidade há tanta ametista, que o interior da Igreja é revestido com 40 toneladas de pedras como ametistas, citrinos e cristais. Única no mundo revestida de pedras preciosas, o efeito é encantador principalmente quando a claridade cria um efeito surpreendente sobre as pedras.

A construção da Igreja São Gabriel é uma homenagem à atividade extrativista da cidade. Doadas por garimpeiros, as pedras preciosas foram incrustadas nas paredes e utilizadas para formar imagens em torno do sacrário e decorar imagens de santos. A pia batismal é uma peça inteira em ametista e peças grandes ornamentam as imagens sagradas e os pedestais do altar.

A cidade surgiu em 1940 numa região de mata fechada e de difícil acesso. Naquela época, adentrando pela floresta muitos garimpeiros descobriram algumas pedras preciosas. Alguns anos depois, muitos imigrantes chegaram na região para trabalhar nas lavouras. Os italianos trouxeram com eles a sua tradição religiosa e fizeram um pequeno altar dedicado ao Arcanjo São Gabriel, que se tornou o padroeiro da cidade.

 
exposição da mina subterrânea

Mina subterrânea
Museu de pedras
Meteorito no Museu

O povoado cresceu e, com a abundante extração das pedras preciosas, muitos garimpeiros se interessaram pelo lugar. Em poucos anos o povoado se tornou uma cidade com muitas empresas exportadoras. O trabalho que era feito de forma artesanal e precária passou a ser feito com equipamentos, que deram origem às galerias que chegam a ter quase 800 metros de extensão.

Um dos pontos turísticos mais visitados é o Ametista Parque Museu, que dispõe das mais variadas pedras e visita a uma mina subterrânea onde os turistas podem conhecer a atividade do garimpo e como as pedras são extraídas do interior das galerias. Existem na região cerca de 100 minas licenciadas para a exploração de ametistas e ágatas.

A visita ao Museu das Pedras Preciosas permite um tour para apreciar mais de 1.500 pedras provenientes de diversas partes do mundo. Nesse museu está a ametista "mais valiosa do mundo" encontrada até hoje, um geodo com 2.5 toneladas de peso. Outra raridade do museu é um raro meteorito raro de aproximadamente 140 quilos. Segundo pesquisadores, seria fragmentos da explosão de um corpo celeste no espaço que teria caído na terra.


 



 

Nas lojas há venda de pedras, jóias e peças feitas de ametista e outras pedras. Nas oficinas pode-se descobrir como essas lindas pedras se transformam em peças exclusivas. Tradicionalmente as gemas são classificadas em pedras preciosas e semipreciosas, que depende da formação, raridade, aparência, perfeição, cor, brilho e os fenômenos no interior das pedras, tal como um fóssil.

São chamadas preciosas porque através dos tempos eram usadas nos cerimoniais e pelo alto poder, como reis, papas e bispos. Usadas desde os antigos egípcios, na antiguidade alguns governantes chegavam a pagar verdadeiras fortunas para ter ter as pedras incrustadas em suas indumentárias, em seus anéis e nas bainhas das espadas.

 
Praça de Ametista do Sul
Ametista bruta
 
 
Na praça central da cidade há uma pirâmide de vidro com o interior revestido de ametistas. O local atrai visitantes não só pela beleza de sua estrutura, mas também por aqueles que desejam sentir a energia transmitida pelos cristais. Alguns dizem que a ametista pode ser usada como um amuleto para proteger da intoxicação. No oriente é costume engastá-la na testa, acreditando-se que exerça influência positiva sobre o chakra Ajna, conhecido também por "terceiro olho".
 
Existem outras lendas e crenças que envolvem ametista. Soldados nas guerras a usavam como amuleto de proteção e os caçadores acreditavam que a ametista poderia ajudá-los a capturar bestas selvagens. Uma antiga crença dizia que a ametista poderia proteger seu dono da embriaguez, da tontura e do desmaio.
 
Usada como ornamento devido à sua cor púrpura ou violeta, dizem que o nome Ametista vem do grego Methuskein. Segundo a mitologia grega, Ametista seria o nome de uma ninfa que, para ser protegida do assédio do deus Dioniso ou Baco, teria sido transformada pela deusa da castidade num cristal transparente. Desconsolado, Baco mergulhou a pedra no vinho de onde teria vindo sua coloração arroxeada. 
 
 
Baco deus do vinho
Vinícola Ametista
Cave subterrânea
Cave subterrânea
Cave subterrânea
pedras preciosas na rocha

Ametista e vinho são as principais atrações da cidade. Durante a Expopedras, os turistas lotam a cidade para apreciar as pedras preciosas, as belezas naturais da região, as videiras e vinhos.  Na zona rural próxima à cidade está a Vinícola Ametista e logo na entrada é possível ver os vinhedos. Depois de elaborados e engarrafados, os vinhos são enviados para as caves numa mina subterrânea desativada.

Quase oculta num morro, a pequena entrada quase não é percebida pelos olhares desatentos. Por toda a parte é possível observar os geodos com ametistas, de diversas cores e brilhos. Nas galerias da mina estão centenas de garrafas de vinho e barris de carvalho, que envelhecem sob a luz brilhante das pedras preciosas a cerca de 300 metros de profundidade. Além de admirar esse processo inovador, pode-se desgustar os vinhos num ambiente inesquecível...

 


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Laguna, a encantadora terra da heroína Anita Garibaldi


 

No litoral de Santa Catarina há  belas cidades; uma delas é Laguna que possui exuberantes paisagens naturais entre lagoas, dunas e belas praias. Além dos atrativos naturais, a cidade tem destaque por fazer parte de importantes momentos históricos do Brasil, sendo também onde viveu a heroína Anita Garibaldi que foi a corajosa companheira do revolucionário  italiano Giuseppe Garibaldi.   
 
 



Caminhando pelo centro histórico pode-se admirar centenas de antigas construções e casarões em estilo clássico e gótico, que são tombados pelo Patrimônio Histórico Nacional. Cada pedaço do centro histórico revela um pouco da história da cidade.

Laguna surgiu em 1676 quando o bandeirante Domingos de Brito Peixoto fundou a vila de Santo Antonio dos Anjos de Laguna. É considerada uma das mais antigas cidades de Santa Catarina, que na época abrangia uma grande área no sul do Brasil. Para se ter uma ideia, do extenso território original de Laguna desmembraram-se duas capitais: Porto Alegre e Florianópolis.
 





Antes mesmo da colonização do Brasil, Laguna entrou para a história por ter servido como limite territorial entre Portugal e Espanha. Na época das grandes navegações para evitar os conflitos de posse, espanhóis e portugueses fizeram um acordo em 1494 conhecido como Tratado de Tordesilhas.
 
Todas as terras que fossem descobertas até 370 milhas a oeste do arquipélago de Cabo Verde na costa da África seriam da Corte de Portugal e a partir desse marco seriam da Corte de Castela, atual Espanha. Naquela época, por medo da inquisição ninguém ousava afirmar que a terra era redonda. O Brasil ainda não tinha sido descoberto e Portugal não tinha a menor ideia das terras que possuía.

Hoje sabemos que a demarcação do tratado passava desde Belém no Pará até Laguna em Santa Catarina, onde há um monumento desse marco histórico. O Brasil ganhou a forma atual em vista dos portugueses terem continuado a exploração das novas terras, sem saber que estavam além do que foi tratado e sobre as terras que seriam da Espanha, pois o marco era apenas imaginário.
 






Entre as construções antigas que se destacam pelo estilo ou por sua grandeza, a Casa Pinto D'Ulyssea tem destaque por seu estilo e acabamento. É uma réplica de uma Quinta portuguesa, construída em 1866 com paredes revestidas de azulejos importados de Portugal que a tornam muito vistosa.

Outra construção muito antiga é a Fonte da Carioca que marca uma época entre o período da escravidão e do colonialismo. A fonte foi erguida por escravos em 1863 e ampliada em 1906. Os tanques são revestidos em mármore e ornamentos da época colonial.

Embora não tenha um destacado significado histórico, a fonte tem um valor cultural para os lagunenses. De acordo com o folclore da cidade, os visitantes que bebem da água da fonte sempre encontram um motivo para retornar a Laguna.

 




Um dos passeios interessantes em Laguna é subir até o Morro da Gloria, um mirante a 126 metros de altura de onde se tem um belo panorama das praias, dos bairros, lagoas e do centro histórico. Um pouco mais acima está a imagem de Nossa Senhora da Glória com 14 metros de altura, que é um local sagrado de peregrinação de fieis que costumam afixar placas de agradecimento pelas graças recebidas. O monumento foi idealizado por um padre e construído pelo casal alemão Staege em 1953.

A religiosidade sempre esteve presente na cidade desde sua fundação. Na época da fundação da cidade, foi erguida uma capelinha consagrada a Santo Antônio dos Anjos, que em 1735 deu origem à igreja. As colunas, portas e bancos da igreja foram feitos com madeira trazida de Portugal e madeiras brasileiras, como Pau-Brasil e Canela.

O interior e as imagens encantam pela arquitetura e pelos detalhes em ouro. A pia batismal foi construída numa única peça de rocha gnaise trazida de Portugal no início do século 18. Outro destaque é a tela de Nossa Senhora da Conceição que foi pintada em Roma pelo catarinense Victor Meirelles em 1856.
 
 

ponte na entrada de Laguna

projeto da nova ponte

 
Laguna é cercada pelas águas por todos os lados. A movimentada estrada BR101, que dá acesso ao sul do Brasil, passa pela cidade. Quando se entra na ponte tem-se a impressão de estar indo em direção a uma ilha. De um lado está a enorme Lagoa de Imarui, que é a maior lagoa do estado. Do outro lado está a Lagoa Santo Antonio que se conecta com o mar.

Quem passa pelas docas se surpreende com a maquete da nova ponte que está sendo construída para a duplicação da BR-101. Os lagunenses estão ansiosos pela conclusão da obra que será fundamental para resolver os congestionamentos que ali acontecem em épocas de maior movimento e dará a Laguna um aspecto moderno e inovador.  Segundo o projeto, a ponte terá um pouco mais de 2.800 metros de comprimento, sendo que 400 metros do vão central serão estaiados, ou seja, estarão suspensos por cabos de aço. 
 
 
cais no centro histórico
prédio do mercado público




Butiá
 
Nas docas, escunas e veleiros ficam ancorados à espera de turistas que queiram apreciar as belezas das lagoas, principalmente na hora do pôr do sol ou mesmo à noite, quando acontece o grande espetáculo das centenas de lâmpadas a gás que os pescadores acendem para atrair os camarões até a superfície. Junto ao cais da Lagoa de Santo Antônio está o antigo prédio do Mercado Público, onde pode-se comprar principalmente pescados.

A gastronomia de Laguna inclui muitos frutos do mar, principalmente de  camarões  que são abundantes e de excelente qualidade. Famosos são os camarões de Laguna, além de tainhas, anchovas, mariscos e casquinhas de siri que são deliciosas opções para acompanhar a boa cachaça com butiá, que é um fruto de sabor marcante e típico do sul do Brasil e dá à cachaça sabor e a coloração amarelada.
 
 
Praia Mar Grosso

Praia Mar Grosso

Molhes da barra
golfinhos em Laguna, uma rara cumplicidade na pesca

Algumas praias de Laguna são urbanas e muito movimentadas; outras mais afastadas são quase desertas. Cada uma tem uma particularidade que a distingue. A praia mais urbana e estruturada é Mar Grosso, com modernos prédios à beira mar. É frequentada por muitos turistas e, devido à larga faixa de areia, é o lugar ideal para a prática de atividades esportivas à beira mar. Os surfistas apreciam suas boas ondas.  

Dessa praia faz parte os Molhes da Barra, um quebra-mar de pedras numa extensão de 2 km que avança no mar. Nas épocas de verão e outono, com a temperatura da água mais amena, muitos pinguins costumam chegar até praia por seguir a corrente marítima do Atlântico Sul.

Na temporada da tainha, de abril a julho que são os meses mais frios, o espetáculo fica por conta dos golfinhos que ajudam na pescaria. Com seus saltos eles indicam aos pescadores a chegada de um cardume na praia, o que já se tornou uma atração turística da cidade. Os golfinhos-nariz-de-garrafa, também chamados de botos, vivem entre a Lagoa de Santo Antônio e o mar. Eles são tão amigos dos pescadores que são conhecidos até por nomes.

 




Seguindo em direção ao norte, da Praia Mar Grosso passa-se pela pequena Praia do Iro para chegar até a Praia do Gi, que é conhecida pela beleza das pedras avermelhadas que emolduram a paisagem marinha. Uma atração dessa praia é a Pedra do Frade que desafia a lei da gravidade ao sustentar-se sobre uma superfície inclinada e a pedra encima estar apoiada apenas em dois pontos.

Com 9 metros de altura por 5 metros de diâmetro, a pedra recebeu esse nome por ter a semelhança de um padre franciscano. Dizem que quem abraça a enorme pedra sente uma forte energia positiva.  Existem diversas versões, mas como ela foi parar ali solitária ninguém sabe ao certo. Curioso é que, apesar da maré alta chegar até seu topo, o mar não a desloca.

Mais adiante está a Praia do Sol que dá acesso à longa Praia de Itapirubá, que termina numa pequena povoação e onde está o magnífico Hotel Itapirubá. Do Morro de Itapirubá tem-se um belo panorama dos costões e do mar, onde é possível observar as baleias-francas que aparecem nos meses de junho a outubro. Todo ano elas fazem tudo sempre igual: trocam as águas geladas e cheias de predadores da Antártida pelas águas quentes e seguras do litoral de Santa Catarina.

 




As baleias são visitantes fiéis do litoral catarinense e fazem a longa viagem para os rituais de acasalamento e nascimento dos filhotes, proporcionando um espetáculo fascinante. Elas tem uma espécie de memória instintiva que as leva a ter os filhotes no mesmo lugar em que nasceram. No passado os baleeiros aprisionavam os filhotes e, quando a mãe vinha socorrê-los, era cruelmente golpeada. A crueldade não se justificava, pois da baleia só se aproveitava o óleo para a construção.

Nos anos de 1970 as baleias quase foram dizimadas pela caça, até que uma lei de 1986 proibiu a caça às baleias que por algum tempo desapareceram. Aos poucos as baleias foram retornando e anualmente cerca de 100 baleias chegam ao litoral catarinense. Quando são observadas de barco, construídos especialmente para essa finalidade, é possível chegar bem perto das baleias-francas, que muitas vezes passam por baixo e até encostam na embarcação.

Apesar dos seus quase 20 metros de comprimentos e pesando 60 toneladas, essas baleias são chamadas de francas porque são dóceis, amistosas e curiosas, por isso se aproximam dos barcos com turistas. Devido à sua docilidade, elas são protegidas por regras específicas.

Algumas vezes o show das baleias inclui saltos ou a exibição da cauda. Tudo isso faz parte do jogo reprodutivo: machos e fêmeas se mostram uns aos outros em busca de parceiros e as mães ensinam esses truques de sedução aos filhotes. Embora seja um raro acontecimento, algumas vezes elas se reúnem junto com seus filhotes, como se fosse uma reunião de comadres. Depois elas se dispersam e cada uma segue para uma direção com seu filhote.   

Como buscam proteção, as baleias costumam ficar logo após a faixa de arrebentação das ondas. Isso faz com que os barcos não precisem navegar grandes distâncias até o alto-mar para se aproximar delas. Para os turistas, o show das baleias provoca grande emoção pela proximidade com o animal, mas também receio de que um movimento brusco possa virar um barco menor do que ela. Não há registro de nenhum incidente deste tipo, mas quem preferir pode avistá-las da orla com ajuda de binóculos. Algumas vezes elas chegam bem perto da praia.


 
 


Para chegar até às praias do sul é preciso atravessar um trecho de 1000 metros do Canal da Barra pela balsa. A Praia do Tamborete, junto aos molhes Sul é um lugar que muitos procuram para acampar e também é frequentada pela comunidade da Ponta da Barra. Seus costões são exuberantes e sobre o Morro do Tamborete avistam-se quase todas as praias de Laguna.

Mais adiante está a Praia do Gravatá que é totalmente agreste. O acesso é feito através de trilhas com paisagens fantásticas em seu percurso. Na tranquila Praia do Siri a grande atração é um costão de aproximadamente 40 metros de altura. Igualmente tranquilas são: a Praia da Teresa, Praia do Ipurá e Palha da Galheta, que são lugares frequentados por veranistas que desejam privacidade. A Praia da Galheta é indicada para quem gosta de curtir praias mais desertas e preferida pelos surfistas.

 
praias do Farol Santa Marta

Farol Santa Marta
 
 
Uma das grandes atrações de Laguna é o Farol de Santa Marta. Construído com 29 metros de altura em 1891, é considerado o maior farol das Américas e o terceiro do mundo em alcance. Sua luz pode ser vista a quase 90 km de distância.

O farol foi construído há mais de 100 anos para orientar os navegantes quanto ao perigo de uma grande laje de pedra, que se encontra bem próximo da superfície. Sua estrutura é composta da mistura de pedras, conchas, areia, barro e óleo de baleia e, embora seja proibido o acesso ao farol, vale a pena admirar o belo cenário no litoral.

Perto do farol existe uma pequena capela e no entorno estão as praias do Farol, do Camacho, da Cigana e a Praia do Cardoso com suas fortes ondas que é considerada como um dos melhores picos de surf do Brasil e atrai muitos jovens. Também é conhecida como Praia dos pescadores, já que dela partem as embarcações para a pesca em alto mar.


dunas de Laguna
Sambaquis
 
Nas imensas dunas de areia muitas pessoas praticam o sandboard, uma diversão que consiste em descer as dunas usando uma espécie de prancha. Entre as dunas de areia estão diversos Sambaquis, que literalmente significa "montes de conchas".
 
Estudiosos concluiram que os montes foram produzidos por uma cultura distinta dos índios Tupi-guaranis, que viveram na costa brasileira entre 8.000 a 2000 anos passados e tinham o hábito de amontoar conchas, ossos e outros detritos que foram petrificando com o tempo.
 
Embora existem sambaquis espalhados por todo o litoral do Brasil, aqueles do litoral de Santa Catarina são considerados sítios arqueológicos mais importantes. Alguns deles tem até 20 metros de altura. Os sambaquis de Laguna estão nas proximidades do farol e entre as praias do Cardoso e da Cigana, sendo os maiores já encontrados no mundo.

  
Casa de Anita Garibaldi

Giuseppe e Anita Garibaldi
Espetáculo "República de Laguna"
 
Além dos campeonatos de surf, do Moto Laguna e outros grandes eventos que atraem muitos turistas, Laguna tem um animado carnaval que é considerado um dos melhores do sul do Brasil. No sambódromo há desfiles da escolas de samba e blocos carnavalescos puxam a multidão até um palco montado na praia. Há mais de 50 anos os foliões seguem gratuitamente atrás de trios elétricos e carros de som até a madrugada.

Um dos grandes eventos da cidade é o espetáculo chamado "A República em Laguna", onde são relembradas e reproduzidas as histórias de Giuseppe e Anita Garibaldi, bem como os fatos da Revolução Farroupilha. O espetáculo reúne cerca de 500 atores às margens da Lagoa de Santo Antônio e as apresentações acontecem em uma arena cenográfica, que tem reproduzida as antigas casas de Laguna e a chegada dos navios de Garibaldi no cais do porto.

Ao lado da igreja está a construção histórica mais famosa de Laguna, que é a casa onde viveu a heroína catarinense Anita Garibaldi. Transformada em relicário histórico, a casa reúne peças e móveis antigos que pertenceu à heroína, um pouco da terra de sua sepultura na Itália e o mastro do navio Seival de Giuseppe Garibaldi.

Admirada no Brasil e idolatrada na Itália, Anita Garibaldi é chamada "Heroína de dois mundos". Em 2012 foi sancionada uma lei que determinou a inclusão de seu nome no Livro dos Heróis da Pátria em Brasília/Brasil.

 
Monumento em homenagem a Anita Garibaldi
Museu Anita Garibaldi

Naquela época Anita tinha uma vida tranquila em Laguna, até que conheceu Garibaldi durante a guerra pela independência gaúcha, quando ele participava da tomada do Porto de Laguna em 1839. Com apenas 18 anos Anita resolveu deixar a cidade e seguir junto com Garibaldi a bordo do seu navio Seival, mesmo durante os combates.

O primeiro filho do casal nasceu numa vila do Rio Grande do Sul, quando Anita mostrou sua bravura fugindo das forças imperais sobre um cavalo com o filho recém nascido. No Uruguai nasceram mais dois filhos e logo depois o casal mudou-se para a Itália, onde foram perseguidos pelos exércitos da França, da Espanha, Nápoles e Áustria, devido sua participação no movimento pela unificação da Itália.

Grávida e com febre, a grande heroína foi levada até a cidade de Mandriole  na Itália onde faleceu em 1849. Na época o exército austríaco estava empenhado em prender Garibaldi, por isso ele não pode sequer acompanhar o sepultamento da esposa. Os restos mortais de Anita foram traslados sete vezes antes de encontrar um lugar definitivo na Itália.

Homenageada com monumentos em diversas cidades no Brasil e na Itália, no centro de Laguna a heroína é homenageada com um monumento diante do Museu Anita Garibaldi, um prédio de 1747 que foi a Câmara e prisão. O prédio histórico ainda conserva a arquitetura e mobiliário da época, além de artefatos de guerras.

Nesse local foi proclamada a República Juliana em julho de 1839, quando os lagunenses aliaram-se à Revolução Farroupilha. Essa foi uma sangrenta batalha por terra e mar, quando os republicanos enfrentaram os imperialistas, pois já estavam cansados dos desmandos e destempérios do governo.

 

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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