terça-feira, 25 de agosto de 2015

As belezas da Baia de Guanabara


  
Sob o olhar do Cristo Redentor, a Baía da Guanabara é um dos lugares mais exuberantes do Brasil. Com um cenário deslumbrante que sempre inspirou os poetas, as belezas naturais de suas dezenas de ilhas e inúmeras fortalezas são um convite irrecusável para conhecer a única baia do mundo incrustada entre morros.
Cartão postal do Rio de Janeiro e protegida por altos morros, a Baia da Guanabara tem de um lado o Morro do Pão de Açúcar e do outro altas montanhas de Niterói com seus grandes rochedos. À frente da baia, além da planície está a Serra dos Órgãos, se vê o famoso pico "Dedo de Deus".



bondinho do Pão de Açúcar

Morro do Pão de Açúcar

Entre os morros Pão de Açucar e Cara de Cão nasceu a cidade do Rio de Janeiro, que ostentou no passado a nome de São Sebastião do Rio de Janeiro. Fundada por Estácio de Sá em 1565, desde aquela época a região era chamada de Urca. Antigamente o local era uma ilha, que só se tornou ligada ao continente devido a um aterro em 1697. 

O Bondinho do Pão de Açúcar foi inaugurado em 1912 apenas para proporcionar divertimento para a população, mas acabou se tornando famoso e um dos melhores pontos turísticos do Rio de Janeiro. A cada 20 minutos parte um bondinho levando até 65 pessoas numa velocidade de 20/30 km/h até chegar na primeira estação. Dalí pode ir mais alto até a segunda estação. A vista panorâmica é surpreendentemente linda.


Morro Pão de Açucar

Conhecido em todo o mundo e despido de vegetação, o Morro do Pão de Açucar é constituído de um bloco inteiro de granito tendo uma idade superior a 600 milhões de anos. Há várias versões históricas a respeito da origem de seu nome.

Segundo historiadores, foram os portugueses que lhe deram o nome de Pão de Açucar entre os séculos 16/17 durante o apogeu do cultivo da cana-de-açúcar no Brasil. Na época os blocos de açúcar eram colocados em uma forma de barro cônica para transportá-lo para a Europa, que era denominada pão de açúcar.

Porém alguns discordam e dizem que o nome pode ser bem mais antigo e ter vindo do termo indígena "Paunh-açuquã", que na língua Tupi significa morro alto e pontiagudo. Talvez haja alguma verdade nessa afirmação, pois a Baia de Guanabara foi no passado um local habitado pelos índios Tupynambás.




Mito indígena

Segundo um mito dos índios Tupynambás, em milênios passados os indígenas caminhavam pela América para irem em busca do paraíso ou da terra sem males, sendo guiados por seus profetas Cari ou Caraí. Depois de percorrem desde as florestas da Amazônia até o sul do Brasil, por um caminho mítico chamado por eles de Tape Aviru ou Caminho do Mato Amassado, eles começaram a seguir em direção ao sol nascente se guiando pelas estrelas.

Quando chegaram na costa brasileira e viram o mar, os Tupynambás pensavam ter chegado perto do paraíso. Ao verem o sol nascendo no horizonte marcado pelo oceano, eles acreditaram que o paraíso ficava atrás do oceano e onde morava o espírito dos seus antepassados. E se o sol morava lá e surgia todos os dias com esplendor, era porque trazia boas mensagens dos deuses. Assim eles se instalaram na Baia de Guanabara.



Quando os europeus chegaram no Rio de Janeiro em 1502 navegando sobre as águas do oceano, os índios Tupynambás que habitavam no entorno da baía de Iterõe (Niterói) e Iguaá-Mbara (Baia de Guanabara) acharam que estavam recebendo a visita dos deuses e os chamaram de Carí - os xamã-guerreiros. Aproveitando da reverência feita pelos índios, os europeus transformaram os índios em seus escravos.

Entre várias versões, conta-se que quando começaram a ser construídas as primeiras casas dos europeus, os indígenas as chamaram de "Carioca", que é a junção de cari=deus e oca=casa, ou seja, casa dos deuses. Passados alguns anos os índios foram ficando desapontados com aqueles que eles pensavam ser deuses, pois os europeus não respeitavam suas crenças, não tratavam bem os índios e nem a sua terra. E assim os índios convocaram uma reunião das tribos mais antigas, formando a Confederação dos Tamoios ou "Confederação dos mais velhos".


Monumento Araribóia em Niterói

Nativos de todo o continente americano vieram ajudar aos Tupynambás no ataque aos europeus, que se renderam aos bravos nativos da região. Eles até poderiam ter conseguido expulsar os homens brancos de sua terra, mas foram traídos por um índio chamado Araribóia que ajudou os europeus a dizimar os índios.

Por ter traído seu povo, Araribóia ganhou em troca as terras onde fundou a cidade de Niterói. Atualmente em frente à estação das barcas de Niterói há um momento dedicado ao Araribóia. Do outro lado no Aterro do Flamengo há um monumento de um guerreiro Maya, que aponta sua flecha na direção de Araribóia. No alto do morro o Cristo Redentor olha para o leste (Nhande Rovái), onde está a Casa do Sol Nascente e dos profetas Carai...



Baia de Guanabara

A cidade do Rio de Janeiro cresceu no entorno das margens do rio Carioca, que influenciou no nome da cidade por ter sua foz descoberta em 1º de janeiro de 1502. Hoje o rio corre escondido em tubulações subterrâneas e só aparece em alguns pontos. Depois de percorrer vários bairros, o rio se mistura com esgotos e desagua na estação de tratamento da praia do Flamengo na Baia de Guanabara.


Marina da Glória

No entorno da baia estão vários bairros, como a enseada da Urca, Botafogo, Aterro do Flamengo, Catete, Glória, o centro da cidade e São Cristovão, além de Duque de Caxias, Magé, São Gonçalo e Niterói. Diariamente dezenas de embarcações passam pelas águas da Baia de Guanabara, num vai e vem constante levando e trazendo passageiros no percurso Rio/Niterói/Rio e de outros locais.


Iate Lady Laura

Lugar preferido por muitos que gostam de praticar esportes náuticos, também propicia incríveis descobertas para quem se aventura a navegar pelo mar carioca. No interior da Baia de Guanabara existem dezenas de ilhas e ilhotas.


regata na Baia de Guanabara
  
Algumas ilhas são ligadas ao continente por pontes; outras tem acesso apenas através de barcas e catamarãs. Algumas se tornaram grandes centros urbanos, outras se tornaram bases da Marinha ou do Exército do Brasil. Há ainda muitas ilhotas menores, sendo algumas desabitadas e outras de propriedade particular.



Forte São João
Logo depois do decobrimento do Brasil, a Baia de Guanabara se tornou um lugar onde apareciam muitos piratas e corsários franceses e holandeses, que vinham em busca de riquezas, açucar e especiarias na costa brasileira. Devido às invasões foram surgindo diversas fortalezas no entorno da Baia de Guanabara.

No Morro Cara de Cão está a Fortaleza de São João, um lugar histórico que marca o local onde teve início a cidade do Rio de Janeiro. Situado numa área de preservação ambiental, quem faz uma visita ao monumento tem contato com a natureza e ganha uma das mais belas vistas do litoral brasileiro. 

A fortaleza fazia parte das linhas defensivas da Baía da Guanabara na época da colonização. Com uma rica história de batalhas contra piratas e invasores, a fortaleza teve início em 1555 quando o explorador francês Villegagnon mandou instalar dois canhões no local. Porém os portugueses Estácio de Sá e Mem de Sá retomaram as terras em 1565 e transformaram o local em uma bateria de canhões.
A estrutura só foi ampliada em 1863 quando Dom Pedro II quis reforça a defesa da terra.

Tal como todas as fortalezas, o forte é cercado por muitos mitos e lendas, tal como os relatos de aparecimento de fantasmas dos piratas e corsários prisineiros que morreram nas masmorras. Muitas lendas não passam do imaginário popular, mas há fatos que são reais, tal como as espetaculares fugas de presos das masmorras escuras através de buracos escavados nas pedras.


Forte da Laje



Ilha da Laje/Forte da Laje

Na entrada da Baía de Guanabara encontra-se a Ilha da Laje, uma formação rochosa lisa sobre a qual foi construído o Forte da Laje. Junto com o Forte São João no Morro Cara de Cão de um lado e do outro lado o Forte Santa Cruz em Niterói, os três fortes formavam uma barreira quase intransponível aos corsários franceses.

Devido à sua posição estratégica, a ilha era considerada o principal ponto de defesa contra invasores, mas o mar também era um grande obstáculo a vencer. A primeira instalação de canhões na ilha foi feita pelos francêses em 1555, quando Villegagnon invadiu a baia. Porém uma grande ressaca do mar levou toda a instalação e canhões para o fundo do mar.

O mesmo episódio aconteceu com o governador português Salvador de Sá, que retomou a baia alguns anos depois. Quando ele tentou instalar uma bateria de canhões na ilha o mar engoliu tudo. Vendo que o mar destruia as baterias, os portugueses decidiram construir uma fortaleza em 1713 que só foi concluída em 1779.

Revestido por uma couraça de concreto, o forte possui canhões que giram 360 graus abaixo de uma cúpula blindada. Desde 1953 passou a ser chamado de Forte Almirante Tamandaré. Conta-se que no século 19 a fortaleza serviu de presídio para políticos e para criminosos violentos. Atualmente é considerada um área militar restrita, não sendo permitida visitação pública.



Ilha de Villegagnon/Escola Naval

Uma das ilhas que se destaca na Baia de Guanabara é a Ilha de Villegagnon, onde atualmente funciona a Escola Naval. Chamada no passado de Ilha de Serigipe, ela é ligada ao continente por uma extensão de diversos aterros.

Foi nessa ilha que aportaram os franceses liderados por Villegagnon, que construiram o Forte Coligny em 1555 mas não puderam usufruir do forte por muito tempo. Poucos anos após a construção do forte, os franceses foram expulsos pelos colonizadores portugueses.

Em 1711 novamente corsários franceses tentaram invadir a costa brasileira. Com sua feroz artilharia, os franceses atingiram o paiol de pólvora do forte e toda a estrutura explodiu. Anos mais tarde o forte foi reconstruído recebendo o nome de Forte Villegagnon.  



 Ilha das Cobras/Brigada da Marinha

A bela fortaleza que se vê na Ilha das Cobras atualmente pertence à Brigada da Marinha. Nos anos de 1580 a Ilha das Cobras pertencia a um mercador de escravos, que usava a ilha para o desembarque e cativeiro dos africanos trazidos da África para o Rio de Janeiro. Depois de alguns anos o mercador faliu e a ilha foi adquirida por monges que ali construiram um mosteiro.

Com os rumores de que poderia haver uma invasão holandesa, as muralhas da construção rudimentar foram reforçadas surgindo daí uma grande fortaleza. A partir de 1725 uma nova fortaleza foi iniciada na Ilha das Cobras, tendo por objetivo proteger os carregamentos de ouro que saiam do Brasil para Portugal através do porto do Rio de janeiro. Após várias construções, o complexo ficou composto por três fortes: o Forte São José, o Forte do Pau da Bandeira e o Forte Santo Antônio, sendo chamado de Fortaleza de São José da Ilha das Cobras.



Ilha Fiscal

Ligada à Ilha das Cobras, a Ilha Fiscal foi originalmente chamada pelos portugueses de Ilha dos Ratos. Seu nome mudou na época do império, depois que a Guarda Fiscal passou a fazer o controle alfandegário do porto. Após uma série de aterros para aumentar a sua área para 7000 m², foi erguido o belo palacete que na época era uma das mais elegantes construções do Rio de Janeiro.

Com belas pinturas em seus aposentos e acabamento com materiais finos e selecionados, especialmente decorado com móveis novos e ricamente iluminada, o palacete esbanjava ostentação. Inaugurado em 1889 durante um faustoso baile, onde o luxo, a fartura de comida e bebidas serviu de prestígio para alguns, muitos se sentiram desprestigiados e interpretaram como demonstração de promoção do regime monárquico.

Na verdade a monarquia já estava politicamente enfraquecida e faltava apenas um pretexto insignificante perante a opinião pública para colocar um fim no regime monárquico. Decorridos apenas seis dias após o baile, em 15 de Novembro de 1889 foi proclamada a República do Brasil e D. Pedro II exilado junto com sua família. A farra com dinheiro público marcou a última grande festa da monarquia no Brasil...



Ilha das Enxadas / Ilha Pombeba

A Ilha das Enxadas integra o arquipélago de Santa Bárbara e sua importância está ligada ao contexto histórico por ter abrigado um hospital na época do império. Em 1869 a ilha foi adquirida pelo Governo para formar um depósito de material de construção das instalações do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro.

Foi nas águas próximas da Ilha das Enxadas que os lendários aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral amerisaram em 17 de junho de 1722. Partindo de Lisboa com seu hidroavião, eles foram os primeiros a cruzar o oceano atlântico até chegar ao Brasil, um marco na história da aviação.

Bem perto da Ilha das Enxadas está Pombeba, que embora conste como uma ilha é apenas uma formação artificial criada a partir de sucessivos despejos de materiais de dragagens do porto. No interior da ilha há uma construção abandonada, indicando que ela já deve ter sido usada como ponto de apoio.


Ponte Rio-Niterói
Ponte Rio-Niterói

Ponte Rio/Niterói

Após passar pela Ilha das Enxadas chega-se até um dos maiores destaques da Baia de Guanabara: a Ponte Rio-Niterói. Considerada como uma das maiores pontes do mundo, foi inaugurada em 1974 tendo hoje inúmeras tecnologias e equipamentos atualizados, como painéis de mensagens, semáforos, câmeras de vigilância, equipes treinadas de plantão, ambulâncias e serviços de atendimento aos usuários.

Monitorada durante 24 horas, a ponte é um ícone de tecnologia e eficiência. Seus 13 km de extensão tem início perto da área portuária do Rio de Janeiro, sendo possível fazer o percurso num dia de transito normal em apenas 25 minutos para chegar até Niterói. Com 70 metros de altura, a construção tem o maior vão em viga reta contínua do mundo.


Ponte Rio-Niterói
Antigamente, dependendo da velocidade do vento a ponte oscilava. Atualmente dentro do vão central, onde a rodovia tem o seu ponto mais alto, funciona o sistema ADS ou Sistema de Atenuadores Dinâmicos Sincronizados.

O sistema é tão interessante que desperta a curiosidade de estudantes e empresários de todo o mundo. Instalado na parte interna da ponte abaixo do piso e composto de 32 conjuntos de molas e pesos, o ADS neutraliza as oscilações da estrutura sob fortes ventos garantindo sua estabilidade.

Cercada de muitas estórias e lendas, dizem que durante a construção do gigantesco monumento ocorreram muitos acidentes que geraram a morte de alguns operários que cairam do alto da ponte. Verdade ou não, conta-se que quem caminha na parte interna da ponte ouve os gritos dos fantasmas...


Ilha do Fundão

Ilha do Fundão

Depois de passar por debaixo da ponte Rio-Niteroi chega-se ao Fundão, uma ilha que surgiu a partir do aterro para integrar um arquipélago formado por oito ilhas. Localizada entre o Aeroporto Internacional e o centro da cidade, a ilha tem destaque por ser onde funciona a cidade universitária com vários prédios destinados às faculdades, mportantes instituições de pesquisas e o Hospital Universitário.

No que restou da antiga ilha do Bom Jesus existe a Igreja do Bom Jesus da Coluna, que é considerada Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. O santuário construído em 1705 pertenceu ao convento dos franciscanos, tendo sido um local onde em 1823 eram acolhidos os leprosos. Antigamente a área era conhecida como Ilha dos Frades. A torre sineira destaca a simplicidade das paredes lisas. A área pertence ao Exército Brasileiro, que preserva o Asilo dos Inválidos da Pátria com diversas placas homenageando heróis de guerra.


Ilha do Governador


Ilha do Governador/Aeroporto Internacional

Quando a ilha foi descoberta em 1502 seus habitantes eram os índios Temiminós, que a chamavam de Ilha de Paranapuã – que significa "colina do mar". Maior ilha da Baia de Guanabara, a Ilha do Governador passou a usar esse nome em 1567 quando a ilha foi presenteada por Mem de Sá ao seu sobrinho Salvador de Sá que se tornou governador.

Na ilha está situado o Aeroporto Internacional do Rio de janeiro e diversos bairros residenciais onde residiram personagens ilustres. Um morador ilustre do bairro de Cocotá foi o poeta Vinícius de Moraes, que cantou em verso e prosa as belezas da ilha.


Ilha de Paquetá

Ilha de Paquetá


Ilha de Paquetá

Mais adiante está a Ilha de Paquetá, um roteiro turístico muito apreciado devido à sua importância histórica e cultural. O acesso à Ilha de Paquetá é feito exclusivamente através das barcas ou catamarãs que partem da Praça 15 de novembro no Rio de Janeiro.

Na ilha não há carros, tendo somente as charretes, bicicletas ou o trenzinho que servem para se locomover por suas ruas de pedras e saibro. As casas ainda conservam a arquitetura colonial e dá à ilha um certo charme.

Tranquila e pacata, Paquetá tem um cenário perfeito para casais apaixonados que vão passear de pedalinho assistindo ao pôr-do-sol da Baía de Guanabara. Cercada de belas praias e alguns mirantes, uma característica da ilha são as gigantescas pedras que recebem nomes especiais.





Pedra da Sorte, Pedra dos Namorados, Pedra Carmem Miranda, Pedra Rachada, Pedra do Quira, Pedra do Sofá, Pedra do Queijo, Pedra da Baleia, Pedra da Caveira, Pedra da Pirâmide, Pedra da Bota e Pedra da Moreninha, servem como ponto de referência. A Pedra da Moreninha é um belo e romântico mirante, que foi imortalizado pelo escritor Joaquim Manuel de Macedo em 1844 em seu livro "A Moreninha".

Com muitos parques naturais, pracinhas com árvores exóticas e praias tranquilas, além dos vários pontos turísticos da ilha pode-se fazer um tour pelas ilhas próximas. Do arquipélago de Paquetá fazem parte as ilhas: Brocoió, Pancariba, Folhas, Nhaquetá, Viraponga, Tapuamas de Fora, Tapuamas de Dentro, Casa de Pedras, do Ferro, Redonda, Cumprida, do Manguinho, Jurubaíba, Braço Forte, Itapacis e dos Lobos.


Ilha Brocoíó

Ilha do Brocoió

Sendo parte do Arquipélago de Paquetá, na época da colonização do Brasil a Ilha do Brocoió foi usada como presídio para índios rebeldes. A partir de 1930 passou a pertencer a um ricaço, que também era o dono do Copacabana Palace. Tendo mandado fazer uma série de construções e aterros, a pequena ilha se transformou numa ilha de 200.000 m², onde foi construída uma casa com a mesma opulência e exageros dos nababos. 

Dez anos depois a propriedade foi adquirida pelo governo, sendo o casarão transformado no Palácio de Brocoió e utilizado como residência alternativa pelo Governador do Estado. A mansão tem estilo normando, na qual foram empregados materiais importados da França e de Portugal. Os dois pavimentos compreendem varanda, 3 salas, 6 quartos, 5 banheiros, copa, cozinha, despensa e quartos de empregados.

A ilha também dispõe de uma casa para o administrador, estufa para plantas, abrigo para lanchas, pier, viveiro de peixes e até um lago, mas devido à contaminação das águas ninguém frequenta a casa que encontra-se abandonada. O mato cresceu, os jardins se tornaram descaracterizados e nem mesmo há água potável. Dizem que há projetos de restauração. 


Ilha do Sol

Luz del Fuego
Ilha Tapuama de Dentro ou Ilha do Sol

Seguindo em direção a São Gonçalo, próxima ao bairro do Gradim está a Ilha Tapuama de Dentro, que se tornou famosa nos anos de 1950 por ter sido o local onde a vedete Luz del Fuego implantou uma praia de nudismo. Ao seduzir um almirante, ela ganhou a cessão da ilha.

Tendo rebatizado a ilha como Ilha do Sol, a vedete escandalizou por dançar sensualmente com uma cobra enrolada em seu corpo nu. Sua paixão pelos répteis teve início quando ela visitou o serpentário do Instituto Ezequiel Dias em Belo Horizonte, onde morava. Depois de uma vida conturbada, aos 27 anos ela mudou para o Rio de Janeiro tornando-se uma vedete da noite. Atrizes de diversas partes do mundo eram suas convidadas, desde que permanecessem nuas durante a estadia. Até mesmo autoridades eram obrigadas a deixar as roupas no pier.

Nos anos de 1960 a vedete passou a viver definitivamente na ilha. Envelhecida e não contando mais com a companhia de homens ricos e influentes, a vedete passou a se envolver com homens de caráter duvidoso. Aos 50 anos a vedete foi assassinada junto com o vigia da ilha e seus corpos jogados no mar. Atualmente existe apenas as ruínas da casa, que ainda mantém partes da laje onde há uma decoração com as cobras que perpetuaram sua imagem.




Ilha Jurubaíba / Ilha Redonda

Em São Gonçalo existem dezenas de ilhas, sendo uma das maiores a Ilha de Jurubaíba que possui quatro bares em estilo rústico e simples. Suas águas limpas e esverdeadas no trecho circundante à ilha tem uma areia clara e fina, o que atrai muitas pessoas ao seu entorno. Bem próximo está a Ilha Redonda, um lugar onde funciona o Royalty de Petróleo não sendo permitida a entrada de visitantes. Só se pode ver a ilha numa determinada distância.



Ilha das Flores/Ilha do Engenho

Junto ao bairro Neves de São Gonçalo está a Ilha das Flores, que juntamente com as ilhas do Engenho, Ananases, Mexingueira, Carvalho e outras formam um pequeno arquipélago que pertence à Base dos Fuzileiros navais.

Entre 1883/1966 existiu na ilha a Hospedaria de Imigrantes, que recebia estrangeiros de nacionalidades que chegavam para trabalhar nas fazendas. Há um projeto para transformar em museu a antiga hospedaria, por onde passaram 300.000 imigrantes. Segundo contam, na época da ditadura no Brasil (1964/1985) muitos presos políticos foram torturados na Ilha das Flores.

 
Ilha Moncagê
Ilha Moncagê
  


 Ilha Moncagê / Ilha da Conceição

Em Niterói encontra-se Moncagê; uma ilha que pertence à base naval da Marinha do Brasil. É a primeira terra firme para quem atravessa a Ponte Rio/Niterói, um dos monumentos mais apreciados da Baia de Guanabara. Capaz de docar corvetas, fragatas e outros navios, nas imediações da ilha é comum ver grandes embarcações com a bandeira brasileira.  

Uma das maiores ilhas do litoral de Niterói é a Ilha da Conceição, um polo metalúrgico naval e onde há várias indústrias pesqueiras. Sua história está diretamente ligada ao mar, principalmente a partir depois da construção do Porto de Niterói em 1927, quando foi feito um aterro de areia ligando duas ilhas. A ligação ao continente ocorreu em 1958, quando foi aberta a rua principal da ilha e a orla foi ocupada pelas indústrias navais. Um dos problemas da região é o transito caótico causado por uma única via de acesso à ilha.


Niterói
Estação Charitas de Niterói

Museu de Arte Contemporânea de Niterói

Complexo Niemeyer

Icaraí é um dos bairros mais nobres de Niterói, tendo suntuosos prédios que se estendem ao longo da praia e tornam marcante o cenário da baía. Depois de Brasilia, Niteroi é a cidade brasileira que mais possui obras do arquiteto Niemeyer, tal como a Estação das barcas Charitas, o Teatro Popular, a Praça JK, o Museu de Artes etc. 

Projetado pelo renomado arquiteto Oscar Niemeyer em 1996, o MAC - Museu de Arte Contemporânea de Niteroi é uma construção moderna que prende a atenção de todos que passam pelas imediações. Com formas arrojadas, a rampa sinuosa de acesso ao museu é um dos mais interessantes componentes de sua arquitetura.

Segundo Niemeyer, o projeto do MAC foi inspirado em uma flor - a tulipa. A vista panorâmica deslumbrante pode ser contemplada através da cortina de vidro que circunda e fecha a paredes inclinadas do museu. Quem visita o museu pode caminhar sobre uma ponte de pedestres que liga até a Ilha da Boa Viagem.


Ilha da Boa Viagem


Ilha da Boa Viagem / Forte da Barra

Com penhascos em todos os lados e rochas que se projetam no mar e formam um belíssimo espetáculo, a pequena e bela Ilha da Boa Viagem em Niterói atrai atenção principalmente por sua importância histórica. Construída em 1650 no alto da ilha, uma primitiva capela se transformou na Igreja de Boa Viagem.

Abaixo da igreja estão as ruínas do Forte da Barra que se mantêm ocultas pela vegetação. Assim como todas as fortificações erguidas na época, o Forte da Barra servia para vigiar e proteger a Baía de Guanabara. Em 1810 a Ilha da Boa Viagem serviu para isolar viajantes provenientes de lugares onde havia epidemias. Ali eles permaneciam em quarentena, ou seja, em observação por 40 dias.



Jurujuba em Niterói
No passado Jurujuba foi um importante lugar para a criação de um sistema de defesa, que visava proteger a entrada da Baía de Guanabara de diversos invasores estrangeiros que tentavam entrar no Brasil. O sistema de defesa de Jurujuba era integrado pelo Forte Rio Branco, Forte Imbuhy e Forte São Luís ou Forte do Pico e a Fortaleza de Santa Cruz, o que tornou a cidade de Niterói detentora do maior complexo de fortalezas da América Latina.


Fortaleza do Gragoatá

Fortaleza do Gragoatá
Com ampla visão da entrada da Baía de Guanabara e localizada na ponta do Gragoatá, a Fortaleza do Gragoatá foi construída entre os séculos 17/18. Chamada anteriormente de Forte São Domingos, segundo historiadores é uma das mais antigas fortalezas de Niterói sendo atualmente a sede do Comando da 2ª Brigada de Infantaria.


Reconstruída por ordem do Marquês do Lavradio entre 1715/1770, a fortaleza permaneceu desativada por 60 anos até ser reformada e ampliada em 1893. Limitada pela praia de Gragoatá, a fortaleza tem sólidos muros brancos, com guaritas dependuradas sobre o mar. Velhos canhões e seu portão solene em madeira de lei tem muita história para contar.


Forte Barão do Rio Branco


Forte Barão do Rio Branco

Atual sede do Exército de Niteroi, o Forte Barão do Rio Branco é uma área militar que tem acesso estrito. No passado fêz parte da antiga Bateria de Santo Antônio da Praia de Fora, integrando o complexo defensivo da Baía de Guanabara. É a partir das suas instalações que se inicia a visita ao Complexo dos Fortes, que inclui a Fortaleza de Santa Cruz, o Forte do Imbuhy e as ruínas do Forte do Pico.



Fortaleza de Santa Cruz da Barra

A Fortaleza de Santa Cruz da Barra, que atualmente é a sede da Artilharia Divisionária da 1ª Divisão de Exército, é o segundo ponto turístico mais visitado de Niterói. Com sua arquitetura imponente, a fortaleza foi construída a partir de um pequeno forte que existia desde 1555. Nessa época era o principal ponto de defesa da Baia de Guanabara, que impedia os ataques de piratas e as invasões feitas por exploradores franceses e holandeses.

Na época do império a fortaleza era responsável por proteger o ouro que era extraído em Minas Gerais e embarcado para Portugal. Sendo na época acessada apenas pelo mar ou por um caminho de pedras, devido ao seu isolamento a fortaleza serviu como prisão em várias épocas da história. Nela estiveram recolhidos ilustres nomes do cenário político brasileiro. Em 1943 foi aberta a estrada que permitiu o acesso de veículos por Jurujuba e propiciou o surgimento da área urbana.


Forte do Imbuhy

Forte do Imbuhy
A construção do Forte do Imbuhy teve início em 1863 quando o Imperador Dom Pedro II sentiu a necessidade de ampliar a defesa da orla. Destacam-se dois canhões que foram usados na batalha contra os piratas franceses em 1711.

Na verdade já existia uma antiga estrutura desde 1596, que foi ampliada ao longo dos anos até serem construídas as torres para os canhões. Na época a construção foi feita com pedras retiradas da costa e cimentadas com óleo de baleia, cal de conchas e mariscos.



Forte do Pico ou Forte São Luiz
No alto do morro do Pico, com entrada pelo Forte Barão do Rio Branco, estão as ruínas do Forte do Pico ou São Luiz. Devido à sua localização estratégica, a 230 metros de altura, o forte foi usado no passado para vigiar a entrada da Baia de Guanabara. As construções ainda preservam toda a imponência e grandiosidade de suas guaritas e muros de pedra, portões de acesso, com galerias e túneis carregados de mistério, de onde se tem uma visão deslumbrante da Baía de Guanabara...


Baia de Guanabara

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

Seguidores