sábado, 14 de abril de 2012

Vale do Ribeira, uma viagem ao centro da terra


O Vale do Ribeira, ao sul do Estado de São Paulo, tem a maior porção contínua de Mata Atlântica do Brasil. Encravado na Serra do Mar, águas puras e cristalinas correm nesse ambiente onde a natureza é generosa oferecendo muitos rios e cachoeiras.

Percorrer o Vale do Ribeira é mergulhar em ambientes naturais onde há ricas culturas, em roteiros cheios de aventura, emoção e sensações inesquecíveis. As trilhas nas florestas intocadas levam a mirantes de cenários paradisíacos.
 


 
Como nos contos de Julio Verne, é possível realizar uma verdadeira viagem ao centro da terra. O Vale possui a maior concentração de cavernas calcárias do mundo e embora tenham sido catalogadas centenas de cavernas, acredita-se que existam muito mais a serem descobertas. Pesquisadores calculam que algumas cavernas possam ter 2 milhões de anos.

No roteiro ecoturístico, é possível conhecer três parques ambientais em uma única viagem, já que estão bem próximos e na mesma região:
  • O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira chamado popularmente de PETAR com seu núcleo de cavernas.
  • O Parque Intervales que tem boa estrutura hoteleira.
  • O Parque Carlos Botelho que propicia o contato íntimo e rústico com a natureza.
 

Entrada do Parque PETAR



PETAR - Parque do Alto do Ribeira: Em Iporanga e Apiaí, duas pequenas cidades do alto da serra, há centenas de cavernas catalogadas além de sítios arqueológicos de tribos que teriam vivido na região há 12.000 anos.
 
É o maior conjunto espeológico do Brasil com galerias de formações raras. Para evitar degradação, algumas delas só podem ser visitadas em grupos pequenos e pré-inscritos na Sociedade Brasileira de Espeleologia. Outras são de acesso restrito a pesquisadores.

Esse tesouro é protegido no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira - o PETAR, uma das muitas unidades de Conservação do Vale, sendo considerada uma das mais importantes do mundo. Criadas para guardar e proteger o patrimônio natural da região, para se visitar qualquer caverna do PETAR é necessário e obrigatório estar acompanhado por um monitor ambiental, capacitado para atuar nos roteiros.






No PETAR há muitas trilhas recheadas de adrenalina, com muitas cachoeiras e esportes na natureza, como rapel, cascading, caminhadas com interpretação ambiental e bóia cross. As visitas ao PETAR são feitas através dos seus núcleos.
 
Em Iporanga estão dois núcleos: o Núcleo Ouro Grosso que tem cavernas com quedas d'agua em seu percurso e o Núcleo Santana que é o mais visitado e possui a melhor infra estrutura do parque. Em Apiaí, o Núcleo Caboclos é formado por grutas e lugares místicos de formações exóticas.

No PETAR há cerca de 2.000 cavernas sendo mais de 300 catalogadas. Muitas são de visitação restrita e poucas são abertas à visitação. Algumas são cavernas secas e outras são molhadas com lagos, rios e cachoeiras internos.
 
Algumas possuem salões gigantes e dunas, enquanto outras tem abismos profundos e passagens estreitas. Algumas tem percurso fácil com passarelas, outras tem percurso totalmente feito dentro d'água. Cada uma tem uma característica diferente, tornando-a única.
 


 
 
 
 
Santana - a 8a. maravilha da Terra: A Caverna de Santana é a mais linda do PETAR e uma das mais longas do Brasil. Com mais de 5.000 metros de extensão, é percorrida pelo Rio Roncador.
 
 
 
 
 
 
Considerada a 8a. Maravilha da Terra devido aos seus salões com divinos espeleotemas, seu Salão Takeoupa é o mais ornamentado do mundo. Com curiosas e delicadas formações de cristais, o circuito aberto à visitação tem passarelas. Há vários salões magníficos e algumas imagens curiosas, mas somente 800 metros estão abertos à visitação.
 

 
 
 
 
Morro Preto: A Caverna do Morro Preto tem seu percurso iniciado por uma longa escadaria até chegar na entrada da caverna.

 
 
 
 
 
Passando por um túnel, depara-se com um grande salão chamado Anfiteatro onde a luz do sol penetra pelo teto proporcionando um lindo espetáculo. Com enormes salões, fendas e abismos, o caminho de aproximadamente 200 metros é percorrido escalando e descendo pedras enormes.
 



Couto: A Caverna do Couto praticamente conduz as águas provenientes da serra com uma cachoeira na entrada. É um conduto único de 600 metros que atravessa o morro, até sair do outro lado.

 
 
 
 
 
 
A visão da mata de dentro da caverna é algo espetacular. Ela tem conexão com a Caverna do Morro Preto pela Travessia do Aborto, mas o trajeto deve ser feito por passagens muito estreitas.
 
 
 
 
 
Água Suja:  Para se chegar à caverna da Água Suja é necessário utilizar a Trilha do Rio Bethary. Outro atrativo à parte onde está a Cachoeira das Andorinhas e a do Betarizinho.

 
 
 
 
 
Gigantesca e com grandes salões, a caverna tem um rio subterrãneo e um túnel de vento. Com 200 metros de profundidade e quase 3.000 metros de extensão, apenas 800 metros são permitidos à visitação. O desafio é chegar até sua cachoeira interna; um banho na escuridão. Ao contrário do nome da caverna, a água não é suja, é muito limpa.
 
 
 
 
Cafezal: Outra caverna na Trilha do Bethary é a do Cafezal que tem belos espeleotemas. 
 
 
 
 
 

 

Caverna Cristal: O encanto e exotismo de algumas cavernas são sua maior atração, tal como a pequena Caverna Cristal. A caverna é considerada uma das mais ornamentadas do PETAR por suas centenas de espeleotemas raros e a Caverna Teminina que é muito exótica com as suas dolinas - as aberturas no teto.
 

 
 
  
Caverna Desmoronada: A caverna faz uma travessia numa montanha, dando de frente para o Vale da Ilusão. Os raios de luz que entram pela sua maior entrada são um espetáculo.
 
 
 
 
 
Caverna do Alambari: Algumas cavernas proporcionam experiências emocionantes, como a Caverna do Alambari de Baixo. Sua entrada recebe os raios do sol ao amanhecer criando um cenário encantado. Em seu interior um rio dá a emoção desejada pelos aventureiros; com a água pela cintura e com alguns trechos secos, o percurso reserva grandes surpresas. 
 
Caverna Ouro Grosso: Outra é a Caverna Ouro Grosso, também chamada Caverna Adrenalina tem reentrâncias douradas. Há inúmeras cachoeiras que formam profundos poços em seu interior, sendo que algumas só podem ser vencidas com uso de cordas. São indicadas para quem tem bom preparo físico.


 
 
 
Caverna Casa de Pedra: Numa área selvagem, a exuberância da Caverna Casa de Pedra está em seu pórtico de 250 metros de altura, o maior do mundo catalogado no Guiness book.
 
 
 
 
 
 
Ela é formada pelo Rio Maximiniano que corta a montanha e forma uma linda piscina natural que desce em direção à caverna formando uma imponente cachoeira que se entranha caverna adentro.  Com 5.500 metros de extensão, 300 metros de profundidade, sua travessia é restrita mas pode-se fazer a trilha que leva até a entrada.

Caverna Laje Branca: Também de acesso restrito é a Caverna da Laje Branca que tem um pórtico de 130 metros muito usado para rapel. Em seu interior há salões com maravilhosas dunas de areia.




Entrada do Parque Intervales





Parque Intervales: Também na região do Vale do Ribeira está o Parque Estadual de Intervales com 49.000 hectares e centenas de aves. Como era uma antiga fazenda, sua estrutura hoteleira tem piscina, áreas para convenções e reuniões, restaurante e quadra de esportes.

Existem também alojamentos especiais para pesquisas científicas e a sede a 860 metros de altitude tem um clima muito agradável. O parque também possui algumas atrações para quem vai apenas por um dia: quiosques perto do lago, trilha autoguiada, quadras de esporte, churrasqueiras e parquinho para crianças.


 
 
Gruta Colorida: As trilhas possibilitam longas caminhadas pela mata e uma delas leva à Gruta Colorida, uma das mais lindas do parque com amplos salões repletos de espeleotemas além de outras dez grutas.

 
 
 
 
 
É uma das mais visitadas com formações rochosas de coloração rosa e marrom devido à argila e do óxido de ferro. Um pequeno rio passa em seu interior, onde a água chega na altura do joelho. Em alguns trechos a travessia é muito estreita e baixa. 


 
 
 
 
Outras grutas: Existem outras grutas de fácil acesso como a Gruta do Tatu, Gruta dos Meninos, Gruta do Cipó, Gruta Jane Mansfield, Gruta do Fendão, Gruta da Santa, Gruta da Mão etc.

 
 
 
 
Porém as Grutas do Minotauro e Zé Maneco são consideradas de difícil percurso. A Gruta do Fogo é chamada de Chão de estrelas devido as calcitas brilhantes petrificadas na rocha.

Caverna dos Paivas: A Caverna dos Paivas é a maior do parque. Parte da caminhada em seu interior é feita dentro da água até um salão repleto de espeleotemas, com estalactites e estalagmites em diversas formas e várias galerias com bacias de travertino.


 
 
Mirante das Antas:  A trilha do Mirante percorre um rio raso com cachoeiras e leva ao ponto mais alto da região. Do Mirante das Antas com 1020m de altitude tem-se uma vista panorâmica de 360 graus da região.

 
 
 
  
 
Nas trilhas encontram-se muitas cachoeiras, sendo a das Pedrinhas e da Água Comprida as mais belas da região. Inúmeros pássaros, alguns raros e outros exuberantes, fazem o espetáculo nesse parque, como a Saira-sete-cores, o Tié-sangue, a Choquinha de dorso vermelho e tucanos.




Entrada do Parque Carlos Botelho


Parque Carlos Botelho: Reconhecido pela Unesco como sítio do patrimônio mundial natural e um laboratório natural para biólogos, pesquisadores e cientistas, o Parque Estadual Carlos Botelho é uma reserva de Mata Atlântica com mais de 37.000 hectares ocupando as porções mais altas da Serra de Paranapiacaba, com altitudes de até 975 m acima do nível do mar chegando até o Planalto de Guapiara.
 


 
 
 
Trilhas: As visitas monitoradas começam pelo centro de visitantes onde são mostrados vídeos do parque, com uma passagem pelo museu de zoologia prosseguindo pela Trilha da Represa.

 
 
 
 
 
 
Os 2,5 km são uma verdadeira lição de botânica, um contato com a natureza intocada de morros, morretes, rios e cachoeiras. Placas identificam as árvores e os guias mostram orquídeas, samambaias, líquens, fungos e muitas plantas aquáticas. 
 
A Trilha da Represa é a mais bem estruturada para receber crianças. Guiados por monitores, os caminhos tortuosos, riachos e muito verde dão formam o cenário onde se pode desvendar a riqueza da Mata Atlântica, apreciar o projeto de pesquisa com araucárias e se encantar com pegadas deixadas por antas, gato-do-mato, cachorro vinagre e outros animais nas margens do açude.
 
 
 

A Trilha do Rio Taquaral é auto-guiada e a que mais recebe turistas. O rio, de água encachoeiradas, descendo a serra em direção ao vale do Rio Paranapanema forma cenários encantadores.  Com uma extensão de 4 km, basta seguir as indicações das placas.
 
 
 
 

 
 
Em seu percurso podem ser observados vários estágios de mata, começando pelos campos, passando pela mata secundária até chegar à mata nativa.
 
Durante a caminhada pode-se observar diversos animais bem como a diversidade da flora, com suas árvores, bromélias, orquídeas.

 
 
 
A Trilha do Açude com seus caminhos tortuosos é bem sinalizada e a Trilha da Figueira em Sete Barras, com extensão de 2 km, leva a uma figueira centenária que desponta majestosamente na paisagem.
 
Para percorrer essa trilha é necessário agendamento prévio junto ao Núcleo São Miguel Arcanjo.




Atualmente a administração dos parques trabalha com um novo conceito ecológico integrando as áreas onde os animais possam circular livremente. Essa nova forma de gestão tem por objetivo otimizar e concentrar ações para combater os palmiteiros e caçadores somando esforços com as comunidades através de campanhas eco-educativas.





 
Parque Jacupiranga: Dois espetáculos do Vale do Ribeira estão guardados em Eldorado Paulista no Parque Estadual de Jacupiranga: a Caverna do Diabo e a Cachoeira de Meu Deus.
 
 
Cachoeira de Meu Deus
 
Cachoeira de Meu Deus: Se no passado Eldorado se banhou de ouro, hoje se banha de tesouros preciosos dados pela natureza. Num caminho marcado por 9 cachoeiras, a Cachoeira de Meu Deus é a benção final para a trilha que acompanha o Ribeirão das Ostras.
 
Um véu de água despenca de 90 metros em queda livre formando um grande poço de água pura e transparente. Só a nuvem formada pela força da queda no poço proporciona um banho refrescante. É a cachoeira mais bonita do Estado de São Paulo. 
 

 
 
Caverna do Diabo: O maior espetáculo está reservado na Caverna do Diabo.
 
Com mais de 6 km de galerias é considerada a maior do Brasil, mas apenas 700 metros são abertos para turistas e apenas espeleólogos podem ir além dos limites permitidos.

 
 
   
Templo Perdido, Guardião, Galeria dos Órgãos, Branca de Neve, Cemitério, Perfil de Buda, Torre de Pisa e Caldeirão do Diabo são alguns dos nomes das intrigantes formações rochosas da caverna. As formações mais interessantes estão na galeria chamada de Catedral. O cenário é surpreendente.
 
 
Acredita-se que exista um incrível e sinistro labirinto com cerca de 5.000 metros de corredores e galerias subterrâneas na mais profunda escuridão.
 
Neste trecho, que parece conduzir ao centro da Terra, é proibida a entrada, pois o terreno é extremamente acidentado e perigoso.

 
 
 
Outras coisas fascinantes podem ser vistas, ora dentro das águas do ribeirão, ora nas rochas. São cachoeiras, lençóis de água e o lago do Silêncio com 200 metros de extensão. No ar sente-se o cheiro do perigo, mas a caverna dispõe de sistema de som, luzes, passarelas, escadas e corrimãos.   
 
 
 
A longa estrada de terra que conduz à caverna e o sobe e desce em seu interior, constitui sem dúvida, uma aventura para quem tem fôlego.

As formações que demoram séculos para serem formadas, justificam a preocupação em evitar a degradação do seu interior.





 
 
 
 
 
Lendas das cavernas: Formada há 500 milhões de anos, o lugar inspira várias lendas.
 
 
 
 
 
 
Os índios respeitavam a caverna como um lugar sagrado. Eles acreditavam que quem ousasse colocar os pés lá dentro, seria imediatamente atingido por uma gota d'água e transformado em pedra.  Para eles, as estranhas formações rochosas do interior da caverna eram homens e animais petrificados.
 
Os escravos garantiam que os sons que ouviam da entrada da gruta eram gemidos de almas penadas castigadas pelo diabo. Alguns exploradores suspeitavam que as galerias inexploradas conduziriam ao centro da Terra mas os caboclos afirmavam que a caverna era a morada do próprio satã, a porta de entrada para o inferno. O medo era tanto que sequer ousavam chegar perto.
 
Crianças desobedientes eram advertidas com a possibilidade de serem deixadas nas redondezas da caverna como castigo. Os moradores da região também alimentavam a crença de que, de tempos em tempos, quando o relógio marcava exatamente meia-noite, o diabo saía de sua caverna para atacar as plantações dos caboclos e levar a sua comida para o inferno...
 



 


Um comentário:

Benedito Ventura disse...

Espero que meu comentário chegou pelo esforço que fiz para enviar. Ventura!!!.

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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