domingo, 26 de agosto de 2018

Ceará - Costa do Sol Poente: De Caucaia até a encantadora Jericoacora






O Estado do Ceará tem lindas cidades, com muitas atrações e 570 km de deliciosas praias. Quem ousa aventurar-se pela região tem a grata surpresa de descobrir as mais belas e as melhores praias do Brasil. Em todo o litoral existem resorts luxuosos, pousadas e chalés românticos, que oferece conforto e aconchego para todos os bolsos.  




Costa do Sol Poente

O trecho que vai de Fortaleza em direção ao Maranhão é chamado Costa do Sol Poente. Nesse trecho encontra-se centenas de praias, grandes e pequenos vilarejos, muitas dunas e lagoas. Há muitas praias desde Caucaia até Trairi, sendo famosas Barra do Cauipe e Cumbuco. Mais adiante estão praias dos vilarejos de Mundaú, Icaraizinho, Acaraú e a encantadora Jericoacora.




Caucaia 


Devido à proximidade com a área urbana, as águas do mar nos primeiros 25 km de Fortaleza são impróprias para banho de mar. Mas apenas alguns quilômetros adiante chega-se a Caucaia, que tem praias limpas e emolduradas por muitos coqueirais, como a extensa a Barra do Cauipe e a Praia do Cumbuco, que é a praia mais colorida do Brasil. 



Caucaia


Devido aos ventos fortes Caucaia tornou-se a capital do kitesurfe, windsurfe e paraglider. Ver as manobras mais de perto serve como convite para colocar o pé na prancha. O cenário é deslumbrante e proporciona banhos de mar e passeios inesquecíveis.

Na cidade de Caucaia há ótima infraestrutura, bons restaurantes, hotéis e pousadas. Quem se hospeda em Caucaia pode fazer um tour turístico em Fortaleza através de um microônibus.  De Caucaia até Trairi existem dezenas de vilarejos com praias quase desertas e inúmeras lagoas.







Entre as mais conhecidas da região, Lagoinha é uma das mais belas que tem um cenário de dunas, coqueiros e falésias. Os passeios de buggy pelas dunas levam até a Lagoa do Parnamirim, Lagoa do Banana e na foz do rio conhecido como Lagoa do Cuípe. 

Os curiosos em observar a paisagem do alto podem fazer um sobrevoo de helicóptero pela região e vislumbrar os detalhes da cidade, as falésias, as dunas, as pipas de kitesurfe e até os arranha-céus de Fortaleza.




Mundaú 


Pacato vilarejo a 145 km de Fortaleza, Mundaú preserva o ambiente rústico da vila de pescadores misturado ao requinte das charmosas pousadas à beira mar. Nesse exótico trecho de praias, de um lado ficam as dunas amareladas e do outro a praia de areias brancas e o mar, que ora está verde, ora está azul.  



Mundaú


O giro de buggy pelas dunas leva até o alto de um paredão de 20 metros onde pode-se visualizar a divisão entre o rio e o mar e as faixas de areia que parecem uma pintura desenhada a mão. Os passeios de catamarã pelo rio revelam belas paisagens, onde vivem muitos pássaros, garças e crustáceos que vivem no manguezal. No caminho estão os coqueiros quadrigêmeos. Antes da embarcação atracar, os garotos do lugar fazem exibições de descida nas dunas e outras acrobacias na ponte do mirante. 



Mundaú


Do farol de Mundaú tem-se uma vista esplêndida vista panorâmica da praia. Durante a noite o silêncio impera na vila e barulho só mesmo das ondas do mar e da natureza. Na maior parte da praia de Mundaú há apenas a iluminação de tochas e alguns bares colocam mesas e cadeiras na praia com fogueiras acesas para tornar o ambiente romântico e aconchegante. Em noite de lua cheia o mar se torna platinado, tornando-se um lugar bucólico para os casais apaixonados.




Icaraizinho



A vila de Icaraizinho de Amontada é um pequeno paraíso a 190 km de Fortaleza, tendo acesso somente para veículos com tração nas quatro rodas.  O lugar é rústico e simples, mas as elegantes e charmosas pousadas propiciam um clima requintado e romântico com seus bangalôs e espreguiçadeiras à beira do mar.

Na maior parte do ano a vila é tomada pelo silêncio e pela tranquilidade. Nem sinal de celular chega lá. Barulho, só a voz das ondas do mar e o assobio dos ventos que são perfeitos para velejar. Em toda a região as rajadas de vento são excelentes para os esportes náuticos.







Com uma curta caminhada encontra-se as dunas de areia branca e piscinas naturais, além do rio Aracatiaçu com suas ostras fresquinhas servidas logo depois da pescaria. O passeio de balsa leva à nascente do rio, passando por mangues e fazendas de criação de camarão até chegar ao distrito de Mosquito, onde vilas se escondem entre dunas.

Na praia da Moita dezenas de barquinhos ficam atracados e o único bar é o lugar para se fartar de peixes fresquinhos. Caetanos também é uma praia primitiva, onde todos os dias os bravos pescadores saem em suas jangadas para buscar o pescado. A Lagoa de Sabiaguaba é onde os moradores se divertem e promovem o encontro entre os amigos para degustar a farta pescaria.




Acaraú



Aventurar-se pelo litoral do Ceará significa descobrir vilarejos encantadores como Acaraú, que possui extensas praias praticamente desertas e excelentes ventos que podem gerar ondas de até 3 metros. Situada a quase 240 km de Fortaleza, é banhada pelo mar e pelo Rio Aracaú. Dela fazem parte as praias Barrinha, Aranaú, Morgado, Monteiros, Espraiado, Volta do Rio, Croa Grande e Arpoeiras.




praia das arpoeiras pela manhã

Um fenômeno interessante ocorre na Praia de Arpoeiras, que é considerada uma das maiores praias secas do mundo. Bem cedinho o mar está lá espreguiçando suas ondas sobre a praia. De repente, cadê o mar??? A partir de certa hora o mar recua por uns 2 km e só restam pequenas lagoas. Por várias horas o mar fica longe e só retorna à tardinha. Há dias que acontece o inverso. Interessante, não é? 




praia das arpoeiras no meio do dia


Essas variações da maré ocorrem porque esse ponto é raso. Durante as fases das luas novas e cheias as variações da maré são mais intensas. Os mais ousados chegam a percorrer vários quilômetros em alta velocidade, a bordo de carros movidos à vela ou  kitebuggy. Quem não conhece os segredos do mar corre risco de ser surpreendido pela maré. 




Histórias de pescador



Conversar com os pescadores artesanais significa aprender os segredos do mar e valer-se da experiência que eles tem com as marés e com a vida. Eles estão em todo o litoral do Ceará e sabem direitinho como as fases da lua e as épocas do ano influenciam nas marés e na pesca. Uma sabedoria popular imperdível.

A tradição náutica do Ceará remonta aos indígenas costeiros, que aprenderam a dominar o mar em suas canoas e jangadas feitas com troncos de árvores e foram enriquecidas pelas velas triangulares trazidas por colonizadores europeus. A existência de abundante madeira tropical deu origem a dezenas de tipos de embarcações, que fazem da costa do Ceará o berço das embarcações mais tradicionais do mundo.








Contam os pescadores que eles costumam passar mais de uma semana em uma pequena canoa aberta, munidos apenas de linhas, anzóis, uma caixa de gelo, um botijão de gás para a iluminação noturna e um braseiro para assar o peixe recém pescado. Para dormir só pedaços de rede e as estrelas por cobertor. 

Ruim é na época da chuva, que precisa de lona plástica para proteger do aguaceiro o corpo cansado. Com eles vai sempre a incerteza, que ao mesmo tempo espera na volta ao porto. A chegada é anunciada pelos rojões, quando muitas pessoas se aglomeram logo que os cascos tocam a areia.








No porto as famílias esperam ansiosas pelo retorno de seus entes queridos. Quando tem sorte os pescadores chegam com grandes peixes que podem ter centenas de quilos,  que foram capturados apenas com suas mãos calejadas, que seguram os anzóis e linhas. Triste é cansar de esperar quem não vai voltar porque o barco naufragou. Essa é a vida de pescador.  

As comunidades costeiras da costa do poente tem uma cultura peculiar. Acostumados com a mudanças, sejam das dunas como das marés, da pesca e das fases da lua, eles tem um caráter flexível e se adaptam facilmente às diversas condições do tempo e às pessoas que chegam por ali. Não resistem às mudanças e pouco entendem as exigências externas que ameaçam sua sobrevivência. Sua vida é o mar...




Almofala



Na Costa do Sol Poente as lagoas de águas transparentes são verdadeiros oásis entre as dunas douradas, que estão constantemente mudando de lugar e dando origem a muitas lendas. Uma dessas histórias envolve Almofala, uma comunidade praiana a 12 km de Itarema encravada entre dunas e cajueiros.

Em torno de 1697 essas terras tinham sido dadas aos índios Tremembés para que eles fixassem suas aldeias permanentes. As antigas missões dos jesuítas incentivaram os índios a levantar uma igreja em 1712, que foi consagrada a N. S. da Conceição. Porém a partir de 1898 teve início um estranho fenômeno de ventos muito fortes que foram trazendo tempestades de areia, até que em pouco tempo formou-se uma grande duna de areia que enterrou o lugarejo.

Passaram-se quase cinquenta anos, até que em 1940 os fortes ventos começaram a gradativamente mudar a duna de lugar e eis que os moradores foram surpreendidos com a descoberta da antiga igreja construída com os belos traços barrocos de sua torre e o crucifixo de ferro. Depois de restaurada a igreja foi reconhecida como monumento nacional e desde aquela época os moradores se reúnem em agosto para festejar sua padroeira Nossa Senhora da Conceição.




  Nova Tatajuba



Outro fato envolveu Tatajuba, um pequeno vilarejo de casas de taipa e sem energia elétrica, onde os únicos carros que circulam pelas ruelas são os buggys transportando turistas vindos a passeio de Jericoacoara e Camocim. A paisagem é de coqueiros, com areias claras e altas dunas que circundam a Nova Tatajuba. 

Por sua localização geográfica e difícil acesso, Tatajuba permanece quase intocada, num ecossistema formado por muitas dunas fixas e móveis, mangues, lagunas, falésias, lagoas permanentes e lagoas interdunares.  O único meio de chegar até lá é através de carros de tração 4×4. 



Velha Tatajuba



O vilarejo novo foi construído em 1980, depois que o antigo povoado foi sendo lentamente coberto pelas dunas e acabou expulsando os moradores do antigo lugarejo. Do alto ainda pode-se avistar o resto dos telhados das construções mais altas e a capela da antiga Tatajuba que foi enterrada.

A mais alta é a Duna Encantada, que tem 30 metros de altura e proporciona uma das vistas mais belas da região. Ela serve como um ponto de referência para os pescadores quando eles chegam do mar. Segundo lendas, sob essa duna há um antigo navio e as vozes dos tripulantes ainda podem ser ouvidas nas noites silenciosas.




Jericoacoara

Jericoacoara consta entre as dez praias mais bonitas do mundo. Situada a um pouco mais de 300 km de distância de Fortaleza, só se chega até lá em veículos com tração nas quatro rodas e depois de muito sacolejo. Tem ônibus, mas leva horas e horas. 








Alcançar o paraíso requer certa determinação, porém quem se aventura a chegar até lá não se arrepende da viagem. O visual é deslumbrante. No passado Jeri era uma simples e isolada aldeia de pescadores até ser descoberta  pelos amantes do windsurf e kitesurf que encontraram ali fortes ventos. 







Jijoca é principal praia de Jericoacoara, sendo considerada uma das melhores do país para a prática de esportes náuticos. Por todo o espelho d´água os bons ventos da região conduzem jangadas e pranchas de kitesurf, que dividem o espaço em perfeita harmonia. Passando pelas dunas chega-se à rústica Lagoa Azul e à Lagoa Paraíso com suas pousadas confortáveis e restaurantes, que oferecem redes e espreguiçadeiras, ambas com praias de água doce.  








As praias de Jeri convidam a longas caminhadas pela manhã e no final da tarde, pois ao meio dia o sol é escaldante. Um dos passeios leva à trilha do Serrote e ao enorme arco de pedra esculpido pela ação das ondas e do tempo, que é o símbolo de Jericoacoara. O sentido oposto vai para os lados de Guriú e Tatajuba. 






Ao final da tarde turistas e moradores sobem uma duna de 30 metros para apreciar o espetáculo do sol mergulhando no mar. Depois a vila vira festa. Com restaurantes transados, bares animados, forrós pé-de-serra e festa eletrônica, a noite de Jeri é muito animada. Nas noites de lua cheia o programa preferido é simplesmente apreciar o céu, sempre repleto de estrelas...  



Jericoacoara

                   




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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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