quarta-feira, 12 de maio de 2010

Salvador, a 1a. capital brasileira





Fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos, Salvador é hoje uma das mais lindas cidades brasileiras. Antigamente era chamada de Bahia e também já recebeu alguns apelidos, como "Capital da Alegria" devido aos enormes festejos populares.  Por ser considerada a metrópole com maior percentual de negros localizada fora da África, era chamada de "Roma Negra".

A história de Salvador começa antes da fundação da cidade, pois já era habitada em 1510. Na época um navio francês naufragou nas imediações e da tripulação fazia parte Diogo Álvares, chamado de Caramuru pelos índios, que significava "o homem que cospe fogo". Isso porque para evitar de ser devorado pelos índios, atirou em um pássaro com um mosquetão e os índios que não conheciam a pólvora ficaram amedrontados.




Mas em 1536 chegou na região Francisco Pereira Coutinho, que havia recebido as terras do El-Rei Dom João III. Os índios Aimorés que ocupavam a região eram antropófagos e violentos e não gostavam de Pereira Coutinho por causa de sua crueldade e arrogância ao tratar com os índios. Aconteceram muitas revoltas indígenas enquanto ele esteve na vila.

Em uma delas ele foi obrigado a se refugiar em Porto Seguro com o Caramuru. Na volta, já na Baía de Todos os Santos ao enfrentarem uma forte tormenta, o barco à deriva chegou à praia de Itaparica. Ali os índios o fizeram prisioneiro, mas deram liberdade a Caramuru. Francisco Coutinho foi retalhado e servido numa festa antropofágica.

Em 1549, Tomé de Sousa e sua comitiva em seis embarcações recebeu ordens do rei de Portugal para fundar uma cidade-fortaleza chamada de São Salvador. Nasceu assim a cidade, onde se concentrou uma grande população de europeus, índios, negros e mestiços em decorrência da economia, centrada no comércio com engenhos instalados no vasto Recôncavo baiano.






Em sua história a cidade foi invadida diversas vezes por holandeses devido aos engenhos de açucar. Depois de muitas revoltas, as disputas culminaram no bombardeio da capital em 1912 com a destruição total de grande parte de sua história.

A sede do governo foi incendiada, destruindo um prédio histórico de 300 anos e atingiu a Biblioteca Pública fundada em 1811. Ali estavam guardados documentos preciosos e livros raros perdidos para sempre, pois era também a sede do Arquivo Público da Bahia. Travou-se, em seguida, uma verdadeira guerra campal da qual não se sabe o número de vítimas.




Salvador era dividida em Cidade Alta e Cidade Baixa devido ao relevo acidentado que se projeta sobre a Baía de Todos os Santos, assumindo um formato triangular tendo no vértice o Farol da Barra. Apesar da fundação planejada e iniciada no atual Centro histórico, o crescimento da capital se expandiu devido as ordens católicas, surgindo novas localidades como o Carmo e o Pelourinho que antes eram chamados de freguesias.

O Pelourinho é uma coluna de pedra localizada no centro da praça onde eram expostos e castigados criminosos, mas o pelourinho de Salvador era para castigar escravos através de chicotadas durante o período colonial. Após o fim da escravidão, este local passou a atrair artistas de todos os gêneros, tornando o Pelourinho em um centro cultural.
 
 
 
 
 
 
Os maiores pontos turísticos estão no Centro histórico: os Teatros Castro Alves, Jorge Amado e Vila Velha; o Farol da Barra e o Farol de Itapuã. No Mercado Modelo além dos artesanatos está o porão onde ficavam os escravos para serem leiloados. O porão é repleto de placas de concreto onde se pode ver que a subida da maré cheia invade o porão.
 
Para conhecer Salvador tem que ter tempo e disposição, pois atrações não faltam. Além das mais belas praias, Salvador tem o elevador Lacerda, o Solar do Unhão que abriga o Museu de Arte Moderna da Bahia, a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim entre outras centenas de igrejas, a Lagoa do Abaeté, o Alto da Ondina onde está o Jardim Zoológico, a Marina da Penha, o Dique do Tororó, o Parque da Cidade, o Jardim Botânico, a Feira de São Joaquim e o Forte de São Marcelo erguido a 300 m da costa que fica sobre as água.
 

 


A cultura de Salvador é diferente de outros estados porque foi muito influenciada pelos africanos vindos do Golfo de Benin e do Sudão, enquanto em outros estados os africanos eram negros bantos de Angola. Os negros iorubanos e nagôs predominaram na cultura baiana, dando origem principalmente ao camdomblé e influenciando na comida usando azeite de dendê e leite de coco. Também é deles a influência da capoeira e o maculelê.


 
 
Salvador é terra de riso largo, cor e sabor. Quem for a Salvador durante a Copa do Mundo de 2014 vai constatar que baiano é gente bem humorada e sorridente. E eu acho que é porque eles comem muito bem. A cozinha baiana é deliciosa no seu tempero e na variedade. Inigualável sabor tem a muqueca de peixe à moda baiana, o vatapá e o caruru, pratos típicos da Bahia.

O acarajé é o principal quitute na Bahia e são vendidos pelas baianas vestidas a caráter com sua indumentária. As tradicionais baianas montam suas barracas de guloseimas nas ruas da cidade e vendem outras iguarias locais, como o abará e o bolinho de estudante feito de tapioca e muitos outras.

Muito influenciada pela cultura africana, a maioria dos pratos tem leite de côco, azeite de dendê e logicamente, pimenta da boa, aliás muita pimenta. Além disso, leva também gengibre e amendoim, e deve ser isso que faz a energia insuperável do povo baiano para o carnaval.



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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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