sábado, 4 de dezembro de 2010

Sabará, uma cidade que vale ouro


Sabará, uma pequena e encantadora cidade em Minas Gerais, preserva trechos da história do Brasil nos seus casarões e nos chafarizes. Originada de um arraial de bandeirantes, atraídos pela descoberta de ouro e de de esmeraldas na região, remonta ao século 17 onde personagens ilustres testemunharam seu crescimento. Fernão Dias e Borba Gato, destemidos bandeirantes, chegaram à cidade quando só havia o arraial Santo Antonio da Roça Grande, que hoje ocupa a entrada da cidade ao lado do Rio das Velhas.



Antes chamada de Sabará Buçu e Vila Real de Nossa Senhora da Conceição do Sabará, só foi considerada cidade em 1838. Sendo sede de uma região onde se explorava o ouro, possuía a sua odiada casa de fundição para onde era levado todo o ouro extraído, para ser fundido em barras e devidamente taxado. A antiga comarca de Sabará era a maior de Minas Gerais, com um grande contigente de escravos.





Suas inúmeras igrejas fazem de Sabará uma cidade devotada que durante todo o ano realiza festas religiosas, atraindo milhares de turistas. As mais conhecidas são: Igreja de Nossa Senhora do Ó, apesar de bem pequena, guarda um lindo altar folheado a ouro. Sua construção de 1717, tem influência chinesa na sua arquitetura, e seu nome deriva das ladainhas que sempre começavam: Oh... Nossa Senhora!





A Igreja de Nossa Senhora da Conceição de 1710; Igreja Nossa Senhora do Carmo de 1763 com várias obras de Aleijadinho; Igreja Nossa Senhora das Mercês de 1781; Igreja Nossa Senhora da Assunção do século 18; Igreja de São Francisco de 1781, além de várias capelas. A Igreja Nossa Senhora do Rosário de 1713 estava sendo construída pelos escravos. Porém na época se deu a libertação dos escravos pelo decreto da Princesa Isabel, e a igreja permaneceu inacabada.








A atual Casa da Ópera, também conhecida como Teatro Municipal, foi construída em 1819 pela população. O teatro foi construído no bairro mais aristocrático da cidade, perto de alguns dos mais importantes casarões da época. É um típico teatro barroco italiano, seguindo as tendências da Itália e Portugual naquela época, possuindo uma das melhores acústicas da América Latina. O último andar, acima dos camarotes, era reservado aos espectadores menos favorecidos.




Os chafarizes antigos, sendo mais conhecidos o do Kaquende, construído em 1757 e o do Rosário ao lado da Igreja do Rosário, tem o charme da cidade. Na antiga Casa de Intendência e Fundição do Ouro, funciona o Museu do Ouro e também peças de mobiliário luso-brasileiro, do século 18, pratarias, arte sacra e lavandas.






A casa azul do século 18.

Mas Sabará não é só história, é também uma cidade festeira que tem inúmeros festivais, cavalgadas e festas religiosas durante todo o ano. A Semana Santa é um espetáculo que atrai muitos fieis e turistas, que mantém a tradição secular com representação ao vivo da Paixão e Morte de Cristo e solenidades liturgicas. O suave odor de velas queimadas e de manjericão, se misturam ao ecoar dos passos e às peças musicais centenárias que predominam nas procissões.





No mês de maio a cidade se agita no bairro Pompéu, com o Festival de Orapronobis com uma oficina gastronômica, onde se pode aprender as inúmeras receitas e degustar as delícias em diversos tipos de pratos, pão, massas, carnes, sorvetes, lanches e etc. feitos com orapronobis. Com muitas atrações, o Festival estimula a produção da planta, chamada "carne dos pobres", que passa da cozinha de fogão de lenha à gastronomia elitizada. Leia mais em meu blog sobre Ora-pro-nobis




Em novembro de cada ano acontece em Sabará seu famoso Festival de jaboticabas, mantendo viva a memória histórica das receitas caseiras em vinhos, licores, geléias, sorvetes, tortas, bolos e a caipijabuticaba, a caipirinha de jabuticaba. Mas se quiser apreciar somente o fruto, basta alugar uma árvore de um quintal, colher todos os frutos e saborear in natura. Aí se compreende o motivo de toda festividade de Sabará.


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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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