quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Belterra, a terra que Henry Ford não conheceu



Quando Henry Ford, o grande construtor dos primeiros veículos a motor, soube que o látex extraído dos seringais da Amazônia poderia ser transformado em borracha e produzir um excelente pneu para os carros produzidos pela Companhia Ford, mandou construir uma cidade e iniciar uma grande plantação de seringais no lugar. Seria a maior produção de borracha natural do mundo. Nascia assim a Fordlândia, em meio a um milhão de hectares cedidos pelo governo brasileiro.




A vila foi construída com a mesma arquitetura de 1840 das vilas mais modernas dos Estados Unidos. Quando Ford estava prestes a embarcar para o Brasil, para conhecer o seu mais novo empreendimento teve de desistir devido ao falecimento do filho.

Anos mais tarde, o projeto teve que ser abandonado devido à grande incidência de doenças nos seringais e, principalmente, a descoberta da borracha sintética na Malásia. Com a saída da Ford o lugar ficou abandonado durante 39 anos e só em 1997 a cidade foi transformada em município.

 
Casa de Henry Ford na floresta amazônica
 
O mais incrível é que as construções permaneceram intactas e praticamente nada mudou na cidade. A pista de atletismo construída para os trabalhadores da Ford, a igreja, as moradias, hospital, mercearias e toda infra-estrutura está lá praticamente intocada. E é isso que emociona a todos que tem a felicidade de conhecer esta cidade americana no coração do Pará.
Um mateiro que acompanhou por muitos anos um botânico inglês, que fora contratado pelo governo brasileiro para dar nomes às árvores e todas as demais plantas da floresta, era um senhor analfabeto, mas tinha uma memória privilegiada.

Durante anos trabalhou com o pesquisador inglês, conseguindo decorar o nome científico e o nome popular de cada árvore, flor, arbusto, cipó e toda a demais vegetação da floresta. O inglês foi embora e levou com ele todo estudo de anos e anos das plantas da floresta, e somente aquele incrível senhor analfabeto guardou na memória aquele importante estudo. Quem lhe pergunta, recebe uma verdadeira aula de botânica e biologia.



hidrantes de Belterra

Os hidrantes de Belterra, é uma das marcas da presença "fordista" na cidade de Belterra. O Rio Tapajós, além de ser um meio de subsistência para vários ribeirinhos, oferece muitas praias de areias branquíssimas e águas limpas: Pindobal, Porto Novo, Paraiso, Cajutuba, Aramanaí, Maguari, etc.

Belterra realiza o Festival de Açai todos os anos, com venda de artesanatos, comidas típicas regionais e derivados do açaí. Durante os dois dias do festival são realizados torneios esportivos e apresentações folclóricas, além do concurso de quem toma maior quantidade de vinho de Açai. O festival tem como objetivo fomentar a cultura do açaí na região e colocar a comunidade no roteiro dos eventos da região.




Praia de Aramanai

 

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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