sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Estado do Acre, reserva de riquezas



Belas paisagens, grandes riquezas naturais, lendas e mistérios, assim é o Acre. Situado no norte do Brasil na fronteira com o Peru e Bolívia, até o século 19 a região do Acre era desconhecida e pouco explorada. Atraidos pela grande produção de seringueiras e interesse pela borracha, milhares de pessoas partiram do sul e do nordeste brasileiro para trabalhar no Acre. Isso deu origem à cultura acriana, com diferentes tradições folclóricas e culinárias. 

Nome do estado: Dizem que por volta de 1878 o colonizador João Gabriel escreveu um bilhete a um comerciante paraense pedindo mercadorias que deveriam ser enviadas à Boca do Rio Aquiri. Como os empregados do mercado não conseguissem entender a letra de João Gabriel, ao invés de escrever que as mercadorias deveriam ser entregues em Aquiri, escreveram Acri. Sempre quando mandavam mercadorias ao colonizador, endereçavam como destino Acri. Depois de algum tempo, a região passou a ser conhecida como Acre, tendo como capital a cidade de Rio Branco. 




Chico Mendes: Muito rica em castanheiras e seringueiras da espécie mais valiosa, a Hevea brasiliensis, o Acre é o maior produtor de borracha e castanha do Brasil. Os primeiros rios colonizados foram o Purús e o Juruá, exatamente o local de terras indígenas.

De 1880 a 1910 os índios tiveram suas terras invadidas, foram perseguidos e dizimados. A história registra que os índios aprisionados eram obrigados a trabalhar nos seringais. Com o movimento de apoio aos índios, eles reconquistaram suas terras.

Hoje existem 17 etnias indigenas no Acre e a cidade de Xapuri constitui o berço da luta preservacionista em defesa das reservas naturais da Amazônia. A luta foi iniciada pelo líder sindicalista Chico Mendes, que defendia uma vida digna e harmoniosa do seringueiro com a floresta. Em razão de sua ideologia foi assassinado em 1988. Sua iniciativa atraiu atenções mundiais para a causa e Xapuri transformou-se em cidade símbolo da consciência ecológica.




Marina Silva: Nascida no estado do Acre, Marina Silva é a principal lider socioambiental no Brasil, ganhando grande reconhecimento no Brasil e no mundo por sua reputação, defesa da ética, valorização os recursos naturais e desenvolvimento sustentável.

Foi Ministra do Meio ambiente, a 2a.candidata mais votada à Presidência da República e recebeu inúmeros prêmios, entre eles, a medalha Duque de Edimburg entregue no Palácio Saint James em Londres, em reconhecimento à sua trajetória em defesa da Amazonia brasileira.
 




Descoberta científica: Importante descoberta cientifica foi feita em laboratório da Faculdade de Medicina de São Paulo onde constatou-se que curativos feitos com látex natural estimula a formação de vasos sanguíneos na região de ferimentos e, segundo alguns trabalhos, pode formar um novo tecido ósseo. Os cientistas descobriram que o látex, extraído da seringueira, é um cicatrizante natural.

No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, a membrana vem sendo usada para tratar pacientes com problemas de pele e reconstituição de tímpano. Com a confirmação científica de que o látex também ajuda na regeneração dos ossos, a pesquisa pode ser direcionada para a ortopedia, no tratamento de traumas, da osteoporose e principalmente na odontologia na reconstituição dos ossos da face. Isso ressalta a importância dos seringais brasileiros.


 
Rio Branco

Rio Branco, a capital do estado, concentra a maior parte da infra-estrutura administrativa do Estado, dos serviços de saúde e de outros setores que polarizam a vida na região. O Estado do Acre que já teve prosperidade e destaque na história econômica do Brasil devido à grande produção de seus seringais, tem hoje 22 cidades.


Cidade Marechal Thaumaturgo

 
 
A maioria das cidades e povoados acreanos se originou às margens dos rios cheios de curvas em terras planas e é através dos rios que são transportadas pessoas e mercadorias, como no caso das cidades de Santa Rosa do Purus, Jordão, Marechal Thaumaturgo e Porto Walter onde só se chega por avião ou navegando pelos rios.

Cidade Cruzeiro do Sul

Cidade Tarauacá

abacaxis gigantes de Tarauacá


Cruzeiro do Sul é conhecida como a "Terra dos Náuas", com igarapés mágicos, praias de areias claras e finas, águas escuras e límpidas, passeios e pescarias pelos rios e a vegetação selvagem da floresta. A cidade de Tarauacá é conhecida como a terra do abacaxi gigante. Esse fruto chega a pesar em torno de 15 kg, fato que provoca grande admiração nos visitantes.
 


Cidade de Capixaba

Cidade de Senador Guiomard
Assis Brasil: fronteira Brasil /Peru


Na cidade de Plácido de Castro está um Parque Ecológico considerado um dos mais importantes e completos da região amazônica, com 34 hectares e 113 espécies da flora tropical. Ao longo da rodovia que segue a oeste há muitas fazendas e também as cidades de Senador Guiomard e Capixaba.

As cidades gêmeas, Epitaciolândia e Brasiléia definem a fronteira internacional com a Bolívia. Do outro lado do rio está Cobija, uma zona franca boliviana que atrai compradores de várias regiões. Assis Brasil, é a cidade que define a fronteira com Bolívia/Peru.




Cidade Feijó


 

No Acre há uma grande população indígena. Os Katukinas do Acre estão nas Terras Indigenas do Rio Campinas, na Aldeia Sete Estrelas e na Terra Indígena do Rio Gregório. Internamente os Katukinas denominam-se de acordo com os seus clãs e sua diversidade contribuiu para a formação deste povo: Kamãnaua (povo da Onça ou do cachorro, dependendo da fonte) Varinaua (Povo do Sol), Satanaua (povo da Lontra), Neianaua (povo do Céu), entre outros clãs menos numerosos.

A Terra Indígena Katukina/Kaxinaua, na cidade de Feijó, foi denominada por um erro histórico. Não se trata de Katukinas, mas sim dos auto-denominados Shanenáwa (povo do Pássaro Azul).
O município de Feijó tinha suas terras habitadas pelas tribos kaxinauwás, Chacauwás e Jaminawás.
Há mais de mil anos as etnias que formam o povo Jaminawás se deslocam na região e a característica marcante do povo indígena Jaminawás é o seu nomadismo. Eles estão em frequente mudança de localização de suas aldeias e dispõem de grande capacidade de adaptação a novos ambientes. Em geral não se mostram preocupados em construir grandes habitações e acham perfeitamente aceitável que alguém more durante meses, ou mesmo anos, em simples tapiris.

O contato com a cidade transformou os Jaminawas, alterando profundamente sua cultura embora todos falem a lingua nativa. Muito do seu antigo modo de vida se modificou quando eles criaram novas demandas impossíveis de serem satisfeitas com os recursos naturais do seu próprio habitat, estando sempre em busca de bens industrializados, roupas sapatos e alimentos fabricados na cidade.



 




O povo Huni Kuin, Kaxinawás que significa “gente verdadeira” em seu próprio idioma, é uma das etnias sobreviventes do duro embate travado há séculos contra o colonizador. São portadores de grande sabedoria e de segredos raros da natureza.

Eles realizam um importante trabalho de preservação de suas tradições, de seus rituais sagrados, mitos de origem, medicinas, tecnologias têxtil e agrícola. Preservando tradições lingísticas e culturais preciosas aos povos da floresta, h
oje são uma importante referência entre os povos da Amazônia, conhecidos, estudados e respeitados por cientistas e outros povos indígenas de todo o planeta.

O território do povo Yawanawá na cidade Tarauacá, terra indígena do Rio Gregório, está em 3 aldeias: Nova Esperança, Mutum e Escondido. A região é de difícil acesso devido à baixa navegabilidade dos rios, principalmente no verão. Desde 1992 a Nova Esperança se constituiu na principal aldeia Yawanawá em virtude do abandono do seringal Kaxinawá, ocupado durante o período de exploração da borracha.

O povo Yawanawá aglutina membros dos grupos Shawanawa, Iskunawa, Rununawa, Kamanawa, Varinawa, Txashunawa e Sainawa.
Outros grupos são os Apurinã, Kaxinawá, Kaxinawá/Kulina, Katukina Pano/Kaxinawá, Katukina Pano/Kamanawa/Iaunauá, Kaxinawá/Kampa, Machineri/Jaminawá, Nuquini, Poyanawa, Kampa, Kulína, Kulina/Kaxínawá, Katukina Pano, Arara Shawanawa, Jaminawa, Jaminawa/Arara Shavanawa, e um povo isolado e desconhecido sem contato com a civilização.

O Festival Yawa é realizado na Aldeia Nova Esperança em Tarauacá no Acre. Os índios Yawanawás mantêm um grande bosque medicinal - o Nii Pey - com mais de 5.000 espécies da flora amazônica e se apresenta como portal ao festival, que atrai a atenção de turistas de vários países. O último Festival recebeu visitantes dos Estados Unidos, Canadá, Argentina, Chile e Austrália. O cacique Vernon Foster Lakota do Arizona representou os índios norte-americanos na festa.


 

 

Em pelo menos 100 aldeias, ainda é mantida a lingua original. Os Yawanawas mantém a produção e comercialização de farinha e alimentos, além do aproveitamento de madeira em trabalho de marcenaria, com qualificação dos indígenas e consultoria especializada para garantir a qualidade dos produtos.

Na reserva vivem cerca de 700 índios Yawanawas e katuquinas. Só na aldeia Nova Esperança, 430 Yawanawá, além das aldeias Mutum, Matrinchã, Amparo, Tibúrcio, Escondido e Sete Estrelas. Os dois povos tradicionalmente convivem e casam entre si, mas apresentam diferenças marcantes nos costumes e rituais.


Os Yawanawá iniciam sua preparação para as festas com admiráveis pinturas corporais que encantam por sua forma e cores. Possuem refinado padrão estético, que pode ser demonstrado na composição de seu visual. Suas festas também têm um caráter espiritual, quando bebem o Uni - ayahuasca para se comunicarem com os espíritos dos seus ancestrais, a fim de obter ajuda para solucionar problemas. Esse aspecto tem relevância na constituição e continuidade da cultura Yawanawá. A pajelança atende aos pedidos de cura mas também pode causar doenças, assim como pode orientar nos procedimentos de guerra e nas fórmulas para uma boa caçada.




Na Aldeia Nova Esperança há uma produção de biojoias feitas a partir de sementes de espécies amazônicas, como a paxiúba e a jarina, além de madeiras identificadas para esse fim pelos próprios índios. O artesanato produzido pelos Yawa são de elevada qualidade.

A arte de esculpir em madeira habita o universo da cultura das várias etnias indígenas do Acre. Os escultores indígenas, que também são agentes agroflorestais, aprenderam o oficio através da Ong Comissão Pró-Índio. Toda a arte de esculpir é feita em troncos de madeira reaproveitáveis. As esculturas retratam personagens muitas vezes relacionados aos mitos de preservação do meio ambiente, como a Mãe da Seringueira protetora da seringa e os seres encantados que protegem as águas.
 
O domínio das técnicas artesanais está restrito às mulheres mais velhas por questões sociais resultantes do contato. Os artesanatos produzidos pelas mulheres são a cerâmica, cestarias, linhas e desenhos, no entanto, os Yawanawá produzem artesanatos predominantemente para consumo interno.

Dentre a variada produção cultural destacam-se os desenhos corporais usados no saiti, feitos de urucum e genipapo fixados à pele por uma resina. Os homens fazem as armas, como lanças, arcos, flechas e bordunas e sua produção exige o cumprimento de resguardos.


Graças aos povos indígenas e aos seringueiros, o desenvolvimento sustentável é mantido no Acre. Ao som do Purintí - buzina que avisa ao mundo espiritual que na terra Yawá está acontecendo alguma coisa - durante o festival os índios refazem a trajetória de seus antepassados e mantêm acesa a chama de uma cultura milenar que ensina ao mundo como é possível viver em harmonia com a Natureza. 


 


Em Marechal Thaumaturgo está a aldeia dos índios Ashaninkas. Também denominados Kampa, ao longo dos anos eles conseguiram preservar sua identidade cultural, onde os mais velhos contam histórias para os mais novos. Também são responsáveis pela preservação da floresta na fronteira do Brasil com o Peru, onde a atuação de madeireiros põe em risco a preservação da Amazônia e a tradição do povo Ashaninkas.

Devido as suas vestimentas e habilidade para o artesanato, os Ashaninkas se destacam das demais etnias da região. São povos guerreiros que
têm uma longa história de luta, repelindo os invasores desde a época do Império Incaico até a economia extrativista da borracha do século 19. Particularmente entre os habitantes do lado brasileiro da fronteira, combatem a exploração madeireira desde 1980 até hoje.

Povo orgulhoso de sua cultura, movido por um sentimento agudo de liberdade e prontos para defender seu território, os Ashaninka não são simples objetos da história ocidental. É admirável sua capacidade de conciliar costumes e valores tradicionais com as idéias e práticas do mundo moderno, tais como aquelas ligadas à sustentabilidade socioambiental.

Para sensibilizar a sociedade sobre a importância da preservação das florestas para a garantia da vida no planeta, a ONU – Organização das Nações Unidas declarou oficialmente que 2011 é o Ano Internacional das Florestas. Durante os 12 meses muitas ações irão incentivar a conservação e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta do planeta, mostrando que a exploração das matas, sem um manejo sustentável, pode causar uma série de futuros prejuízos para o planeta.


Indios que vivem no Acre isolados da civilização


4 comentários:

Anabela Jardim disse...

Olá!
Estava procurando uma imagem da casa azul de Sabará e vim parar aqui no seu blog. Não resisti e olhei as postagens. Descobri um espaço muito legal, parabéns!
Também tenho blogs, se você quiser me visitar, será um prazer recebê-la no meu cantinho virtual.

Lucia de Belo Horizonte / MG disse...

Olá Anabela. Seja benvinda ao blog. Também farei uma visitinha. Abração para você. Lucia

Menina de óculos disse...

Olá, Lucia!

Obrigada pela visita no meu blog. Espero que passe por lá mais vezes. Fiquei feliz que tenha escrito sobre meu estado. Espero que, em breve, você possa visitá-lo. Vai descobrir um lugar um pouco diferente desse que você descreveu. Mas não menos interessante.

Abraços,

Francielle

Lucia de Belo Horizonte / MG disse...

Olá Francielle, lindo blog. Passei por lá e deixei uma mensagem. Abraço.

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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