quarta-feira, 23 de março de 2011

Roraima, a terra de Makunaima


Com savanas, serras e florestas amazônicas, Roraima é um paraíso para quem gosta de natureza, pura magia e verde, a cor que neste canto tupiniquim é na maioria das vezes sinônimo de muita adrenalina. Com predomínio de florestas, Roraima reúne os cenários perfeitos para a observação da riqueza da fauna e da flora brasileira e para os esportes radicais,  rafting e paraglider.

Suas serras e rios, com cachoeiras e corredeiras, são o paraíso para os amantes do ecoturismo. Nesse lugar as lendas são contadas com muito gosto pelos caboclos, índios e ribeirinhos que vivem ali. Dizem que o nome do estado foi criado pelos índios Pemons: Roro (verde) e imã (serra ou monte) = Roraima.







Boa Vista: A capital do estado é a cidade de Boa Vista, que é a única capital do Brasil que está no Hemisfério Norte, acima da Linha do Equador. Cidade moderna, Boa Vista se destaca de outras capitais da Amazônia pelo seu traçado urbano organizado de forma radial lembrando um leque, em alusão às ruas de Paris na França.










Um de seus pontos turísticos é a Orla Taumanan, que significa na lingua macuxi Orla da Paz, uma orla flutante onde tem lanchonetes, restaurantes, local para caminhadas e descanso. É uma área verde ao ar livre, o point onde acontecem efervescentes shows, com direito a muito agito e azaração.

Com duas plataformas, é bastante florida e com magnífica vista para o rio. O bolo de carimã e o tambaqui recheado são pratos bem conhecidos da região. O Tambaqui também chamado de Pacu Vermelho, é um peixe de 90 cm de comprimento e 30 kg e tem sabor especial. Esse peixe só é encontrado nas águas quentes da Amazonia e regiões próximas.







Uma riqueza brasileira pouco conhecida é a Serra do Tepequém que está a 400 km de Boa Vista, que foi radicalmente
modificada devido a intensa e descontrolada exploração de diamantes. A Serra é um velho e extinto vulcão com 1.110 metros de altitude que fica a 40 km de Amajarí, mais conhecido por Vila Brasil. Região da caça ao diamante entre as décadas de 30 e 70 do século passado, o topo da Serra é um imenso vale, atravessado pelos rios Sobral e Paiva. No caminho para a serra, a paisagem vai mudando.

Diz a lenda que um vulcão vivia zangado lançando suas chamas a longas distâncias. O fogo derramava suas chamas serra abaixo e tudo virava cinzas; arvores, bichos, tudo. Na maloca, o Tuxauá, preocupado com a sobrevivência de sua tribo, consultou o Pajé e se reuniram em volta da fogueira. Num gesto de renúncia, as três mais belas índias virgens da tribo se ofereceram em sacrifício e se lançaram no fogo do vulcão, que aplacou sua ira. As lágrimas da três índias até hoje são encontradas em forma de diamantes em toda a Serra do Tepequém.







Essa lenda conta bem o fascínio que a Serra do Tepequém representa desde os tempos em que era um dos eldorados do
garimpo em Roraima. Porém depois de muitas explosões de dinamites feitas por garimpeiros, muitas belezas naturais foram destruídas; um exemplo, é a cachoeira do Funil. Nessa região tem muitas cachoeiras e o Platô da Serra, com mais de 1.000 m de altitude, é onde estão as pousadas e campings.

O Platô é o ponto mais alto do Tepequém. Na densa floresta tropical está Caracaraí, às margens do Rio Branco sendo uma região protegida onde está o Parque Estadual da Serra da Mocidade e o Parque Nacional do Viruá. Caracaraí tem três hotéis de selva que alojam visitantes do mundo inteiro, especialmente quem gosta de pesca esportiva.


No passado, Roraima foi uma região invadida diversas vezes pelos ingleses atraídos pelas riquezas da região e a colonização da região pelos portugueses também era dificultada pelos indígenas que não aceitavam o controle e as condições que lhes eram impostas. Quase um século mais tarde, os garimpos de ouro e diamantes atraíram muitos imigrantes para a região, mas a imigração e exploração desordenada ocasionou muitos conflitos entre índios e garimpeiros, além da degredação do ambiente. Com a homologação das terras indígenas, quase metade do estado pertence aos índios.









A Reserva dos Yanomani é uma extensa área de quase 10 milhões de hectares de floresta tropical que é reconhecida por sua alta relevância em termo de proteção da biodiversidade amazônica e foi homologada por um decreto presidencial. Yanomani significa 'seres humanos", e eles mantem pouco contato com o mundo ocidental, mantendo um estilo saudável e tradicional de vida, cultura comunitária, festas típicas e crenças.

Quase 20.000 índios vivem de suas plantações, frutos
da floresta, da caça e pesca; uma vida natural que tem a sabedoria de respeitar o ciclo vital e por isso a cada 4 ou 5 anos eles se mudam para outra área da reserva, para que a terra tenha o período de descanso e possa revitalizar naturalmente.

Os Yanomami são muito apegados aos seus familiares e, além da mulher e dos filhos, irmãos, primos, sobrinhos, formam grupos poderosos. Assim quando maior o número de familiares mais força tem o seu líder, o mais velho do grupo. Eles vivem em pequenas comunidades de 50 a 80 pessoas numa mesma maloca grande. E mesmo que haja outra maloca perto, eles sabem respeitar a propriedade do outro grupo, mesmo sem cercas, portas e janelas.





Não há lei nem juiz na selva; as leis são os costumes da sua cultura. O Tuxawa, que é o chefe do grupo, não tem poder de julgar nem mesmo de mandar e deve ter habilidade para convencer aos demais do que deve ser feito. Como não há energia elétrica, as noites são longas; o índio dorme e acorda cedo. É na madrugada que que o líder faz sua pregação tentando convencer aos demais dos objetivos e ações do grupo.

E não havendo lei na cultura Yanomami, vale a "vendeta", a lei de Damião, "quem com ferro fere, com ferro será ferido". Quando um Yanomami mata outro, ele sabe que seus dias estão contados. Os parentes da vítima irão matá-lo em breve. Mas eles também sabem compartilhar. Geralmente oYanomani sai sozinho para a caça ou no máximo em dupla.

Quando a caça é muito grande, como uma anta por exemplo, sabendo que a familia não conseguirá consumir tudo, eles dividem a comida entre os familiares.
As familias são grandes porque um homem pode ter quantas mulheres ele conseguir sustentar. E as mulheres yanomani ocupam lugares importantes na comunidade, sendo consideradas importantes pelo que elas têm de valor próprio.







Os Yanomami é um povo alegre e hospitaleiro. Festejam a boa colheita e tem uma forma própria de conservar os alimentos e a carne. Eles chamam as aldeias vizinhas para fazerem parte das comemorações e é nestas ocasiões que se reúnem, cantam, dançam e ainda conversam como passaram o dia. Gostam de se enfeitar com tinturas e braceletes multicoloridos.

É costume perfurar o lóbulo da orelha para colocar pedaços de bambu, plumas e flores. Perfuram o septo nasal e os cantos dos lábios para inserirem os palitos de bambu. Os adornos femininos são mais tênues, feitos com cerne de palmeiras, flores ou maços de folhas perfumadas colocadas nos furos das orelhas ou com flores nos cabelos.








A Reserva Raposa-Serra do Sol surgiu recentemente, onde estão as cidades de Normandia, Pacaraima e Uiramutã, na fronteira com a Venezuela. Região com abundante riqueza, é uma área de quase 2 milhões de hectares destinada aos grupos indígenas Ingarikó, Macuxi, Patamanona, Taurepang e Wapixama. O Lago do Caracaranã que era o principal ponto turístico do Estado de Roraima, com praias de areias brancas e cercada de cajueiros, foi também demarcado e hoje a estrutura de turismo é utilizada apenas para reunião das comunidades indígenas. Esse lago é sagrado para os Macuxis.







O ponto culminante de Roraima é o Monte Roraima, no municipio Uiramutã também na Reserva Serra do Sol , um dos lugares mais antigos do planeta que marca a divisa do planeta, um lugar com idade estimada em mais de 2 bilhões de anos. É o marco da fronteira entre Brasil, Venezuela e República da Guiana. É o 7º ponto mais elevado do Brasil, com quase 2800 metros.

Com suas formações rochosas assustadoras que chegam a lembrar dinossauros, o Monte Roraima é o
mais complexo, desafiador e misterioso dos tepuis, atraindo aventureiros, cientistas, biólogos, antropólogos, esotéricos, místicos e todos aqueles que buscam nesta fascinante aventura o reencontro consigo mesmo e com a origem da vida. É uma aventura misturada com momentos reflexivos e de profundo conhecimento dos nossos valores existenciais.





Cartão-postal do Estado, o Monte Roraima é marco da tríplice fronteira e gerador das lendas locais que afirmam que a montanha é a morada de um ancestral guerreiro dos índios de origem karib, concebido por algumas etnias como um deus da natureza: o Makunaima. Resultado da fusão de maku (mau) e o sufixo aumentativo ima (grande), seu nome significa Grande Mau. Contam os nativos que, quando contrariado, o bravo Makunaima enviava, lá do alto do Monte Roraima, raios, trovões e tempestades, castigando ferozmente as tribos ao aniquilar suas terras e colheitas com os “grandes males” vindos da montanha.

Algumas vezes Makunaima se transformava em onça para ver o que estava acontecendo em seu reino, que se estendia
até o Rio Orinoco na Venezuela. Numa dessas vezes constatou que seu território estava sendo invadido e irado convocou seus guerreiros que lutaram muito mas venceram a guerra, exterminando todos os intrusos. Extremamente ferido e cansado, Makunaima rumou para o Monte Roraima e ali adormeceu, onde ainda dorme mas pode acordar a qualquer momento. E se encontrar algo que lhe desagrade, os humanos irão sentir toda a força do mal que habita a montanha.





Em Roraima, há uma versão bem popular e que teria sido uma das fontes de inspiração para o escritor Mário de Andrade no romance modernista Macunaíma. Segundo essa narrativa, o Sol era apaixonado pela Lua, mas nunca se encontravam. Quando o Sol ia se pondo, era hora da Lua começar a nascer. Assim viveram por milhões e milhões de anos até que um dia eles se encontraram, quando ocorreu um eclipse.

Seus raios dourados refletiram, juntamente com
os raios prateados da Lua, em um lago de águas cristalinas da enorme montanha que repousa no meio dos imensos campos de Roraima. Nesse encontro, Makunaíma foi fecundado. Curumim esperto, teve como berço o Monte Roraima. Cresceu forte e tornou-se um índio guerreiro. Os índios Macuxi o proclamaram herói de sua tribo.
O Monumento aos Pioneiros, uma escultura em alto relevo de concreto que reproduz o perfil do Monte Roraima, é uma obra que destaca a figura de Makunaíma como primeiro habitante do Estado e descreve um longo período histórico, retratando os elementos étnicos – os povos indígenas, os nativos e os pioneiros que ali chegaram a pé, a cavalo ou em canoas, formando o povo roraimense.


4 comentários:

Girlany Valéria disse...

Parabéns pela postagem sobre Roraima, estava pesquisando algo sobre o monte Roraima, e achei no seu blog..muito interessantes terras maravilhosas!

LEANDRO disse...

Olá Amigos,

Tambem achei muito interessante o blog, estou pesquisando mais sobre esse Lugar, pois estou querendo fazer esse Role e conhecer o Monte Roraima.

Estão realmente de parabens.

Lucia de Belo Horizonte / MG disse...

Girlany: O Brasil tem alguns dos lugares mais lindos do planeta. Roraima é um paraiso para quem gosta de natureza. Obrigado pela visita, volte sempre. Abraço. Lucia

Lucia de Belo Horizonte / MG disse...

Leandro: Com certeza Roraima tem muito mais do que foi postado. Obrigado por sua visita. Abraço. Lucia

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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