quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ilha do Mel, a morada da paz



Situada na embocadura da Baia de Paranaguá no estado do Paraná, a Ilha do Mel é um ponto turístico onde o tempo parece não passar, onde não há ronco de motores, transito engarrafado e parece que a paz foi morar lá. A 4 km da cidade de Pontal do Sul, no passado remoto parecia um arquipélago pois só se viam as pontas dos morros. Durante 100.000 anos o mar recuou 120 metros deixando aparecer toda a ilha.






Na época do descobrimento do Brasil era chamada de Ilha da Baleia devido ao seu formato que parecia com uma baleia, posteriormente passou a se chamar Ilha do Mel. Há várias hipóteses folclóricas sobre seu nome e algumas delas dizem que uma família alemã habitava a parte da ilha onde está o forte e que produzia farinha, que em alemão escreve-se Mehl.

Também há algo interessante, pois a água doce do interior da ilha contém mercúrio e quando misturada com a água salgada do mar se torna amarelada, semelhante à cor dos favos de mel. Mas a mais provável é que na ilha morava o Almirante Mehl e outros marinheiros que se dedicavam à apicultura produzindo mel, daí o nome Ilha do Mel.








São permitidos visitantes em apenas parte da ilha, o restante é uma reserva ecológica que foi elevada à categoria de Reserva da Biosfera e Patrimônio da Humanidade, na Conferência Mundial sobre o Meio-Ambiente, a Eco-92. Existem cinco vilarejos: Fortaleza, Farol, Praia Grande, Encantadas e Nova Brasília, mas não há ruas ou estradas, só trilhas.

Pousadas e restaurantes utilizam a energia elétrica que chega à ilha através de cabo submarino e a travessia para a ilha é feita através de barcos que saem de 1 em 1 hora. A viagem que sai de Pontal do Sul dura 30 minutos; a viagem que sai do Porto dura 1 hora e 45 minutos.








A Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres situada no sopé do Morro da baleia. Com paredes de 1 metro de espessura, destinava-se a proteger a antiga vila de Paranaguá dos ataques de piratas em 1769, onde hoje funciona o Porto.

Era dali que era embarcado o ouro extraído no Brasil e enviado para a coroa portuguesa. Mais tarde se tornou importante pela exportação de erva-mate. Após ser desativada, a Fortaleza permaneceu abandonada tornando um reduto hippie na década de 1970.

Na década de 1980 ocorreu uma verdadeira caça ao tesouro alimentada por uma lenda e pela descoberta de um cofre contendo papéis antigos e moedas de pouco valor. Dez anos mais tarde, foi restaurada tornando a Casa da Guarnição em um museu. A Fortaleza possui um mirante com uma incrível vista panorâmica, onde estão também canhões e trincheiras.

A comunidade de Fortaleza é o menor povoado da ilha e onde a maior parte das casas pertence a veranistas que só aparecem por algum tempo ou em época de temporada. É um dos locais mais tranqüilos da ilha, pois o movimento restringe-se a algumas pousadas e ao hotel.






A trilha da Figueira liga a Fortaleza à vila de Nova Brasília, um dos principais ancoradouros da ilha. O istmo em Nova Brasília ou Passa-Passa, como é chamado pelos moradores, é a parte mais estreita da Ilha do Mel e sofre um processo de erosão desde 1930, porém atualmente, a água já não atravessa mais de um lado ao outro. A largura hoje chega a 30 metros e somente nas grandes ressacas do mar a água chega a atravessar.

No istmo, de um lado está a Praia do Limoeiro e do outro a e enseada. Nova Brasília é o ponto de desembarque de passageiros que dirigem-se à parte norte da Ilha e onde existem um campo de futebol, mercearias, igrejas, bares, pousadas e restaurantes.




O Farol das Conchas é uma construção realizada em 1870 com materiais importados da Escócia. O Farol está no alto do Morro das Conchas e pode ser avistado de quase todos os pontos da ilha. A areia marrom que se observa nas praias do Farol e de Nova Brasília tem cinco mil anos e sua coloração deve-se à presença de matéria orgânica.

A comunidade do Farol tem boa infra-estrutura turística, com muitos bares, pousadas, restaurantes e fica entre a praia chamada Paralelas e a Praia de Fora ou das Conchas. Próximo ao Morro do Farol a força da maré tem ocasionado a mudança da paisagem pelo distanciamento do mar em relação a antiga linha de praia.

No Farol está o núcleo administrativo da Ilha, centro de recepção e orientação ao turista, praça de animação, posto de saúde, posto telefônico e um dos postos do Batalhão da Polícia Florestal. Ao sul da praia do Farol está a Praia Grande, localidade abrangida pelo perímetro da zona de preservação.






Encantadas faz juz ao nome com suas belezas naturais e morros rochosos próprios para esportes como caminhada, paraglider e montanhismo, além de praias com águas límpas e azuis para mergulho e esportes náuticos.

O Morro da Gruta é formado por um tipo de rocha chamada de migmatito, dividida por um veio de rocha negra chamada de diabásio. Uma gruta se formou pela ação do mar sobre o diabásio que é menos resistente que o migmatito. Para facilitar o acesso, foi construída uma passarela que leva até a sua entrada.

Esse lado da ilha é onde se encontra a maior concentração de pousadas e restaurantes. São cerca de 20 pousadas, a maioria rústicas, mas pelo menos quatro delas oferecem uma estrutura excelente. A Praça de Alimentação com vista para o Mar de Fora é o local onde, além das petiscarias, se realizam forrós, festas e brincadeiras dançantes.

Escaladas podem ser feitas no paredão do Morro da Gruta e na Ponta da Nhá Pina. Na Encantadas saem barcos muito bem preparados para passeios ao entorno da ilha e também para conhecer a baia dos golfinhos localizada na Ilha das Peças. Passeios para as Ilha das Palmas, dos Currais, Superagüí e Garaqueçaba.






No Morro Nhá-pina, um costão coberto por uma bromélia de flor amarela muito bonita, no alto um cruzeiro e uma capelinha com uma santa tem uma vista privilegiada. À esquerda se vê o mar de fora e a nova faixa de areia, o Morro da Gruta e o Bento Alves.

À direita se vê a praia do Miguel e a Praia Grande, o Farol e atrás algumas serras de Guaraqueçaba. Atrás da praia Grande surge a Serra do Morato e a Serra da Utinga. Bem atrás do farol se vê a Serra Gigante.




O atrativo principal das Encantadas é a Gruta, um dos tesouros mais importantes da Ilha do Mel. A Gruta de Encantadas está envolta em lendas e fantasias sobre lindas mulheres que atraem os homens nas noites de lua cheia. Várias lendas cercam a gruta e fazem dela um ponto místico e cheio de mistérios. É uma energia que certamente é sentida por todos os visitantes.

A Lenda das Encantadas é muito antiga, talvez uma das mais antigas do Paraná. Contam os Caigangues do Paraná que há muito tempo atrás, na Gruta das Encantadas, viviam lindas mulheres que bailavam e cantavam ao nascer do Sol e ao crepúsculo. O canto delas era inebriante, dormente e perigoso para qualquer mortal. Se um pescador as escutasse, perdia o rumo de sua embarcação indo bater nas rochas e naufragar.

Entretanto, certa vez um índio corajoso e destemido aventurou-se a tentar se aproximar delas. Colocou-se à espreita no alto do rochedo e quando os primeiros raios multicoloridos de luz despontavam ao leste, o jovem começou a ouvir a suave e doce melodia proveniente do interior da gruta.

Mulheres nuas, desenhadas de sombras, foram surgindo. e à medida que as bailarinas alcançavam a boca da gruta, o canto tomava mais ênfase e mais intensidade: "Passe com cuidado a ponte, viva bem com os outros. Assim como eles vivem bem, você também pode viver. Lá você há de ver muita coisa que já viu aqui em minha terra, assim como o gavião. Teus parentes hão de vir te encontrar na ponte e te levarão com eles para tua morada."

Estranhamente o índio não adormeceu e, pelo contrário, não desgrudou o olho do belo ritual. As misteriosas moças nuas eram dotadas de tão rara beleza e com longos cabelos de algas, que o intruso acabou fascinado por uma das dançarinas, a que tinha os olhos cor de esmeralda. Tal era o seu fascínio que despencou do rochedo, ganhou aos trambolhões a prainha, metendo-se de permeio na farândola, acabando de mãos dadas com a sua escolhida.

Declarando-se apaixonado por ela, confiou-lhe o seu desejo de permanecer a seu lado por toda a eternidade mas ela disse que, para ficarem juntos, ele teria que morrer. O índio aceitou. Mãos entrelaçadas, ao canto fúnebre das dançarinas, os jovens entraram na água e quando desapareceram o sol era vitorioso. As Encantadas sumiram nas águas profundas, para nunca mais aparecer. E desde então a gruta está solitária, e nela ecoam e se quebram os ecos dolentes e eternos do mar.




As Encantadas são Deusas-Sereias do mar e como tais, nos mostram o elemento destruidor negativo que pode se manifestar quando seguimos irrefletidamente intuições e inspirações. Isso nos parece familiar quando pensamos nos artistas e pessoas criativas que se destroem por darem ouvido a essas vozes espectrais, deixando-se arrastar pelas “Sereias” que habitam a nossa psique. Já outros, entretanto, são capazes de usar a intuição de forma positiva e, por vezes, uma torrente de energias criativas parece derramar-se deles.

2 comentários:

Astrid Annabelle disse...

Adorei conhecer...Texto, fotos, imagens e vídeo excelente!
Bjs. Lúcia. Agradecido. Volto mais rica para casa.
Astrid Annabelle

Lucia de Belo Horizonte / MG disse...

Olá Astrib. Obrigado por sua visita. Melhor ainda é tirar umas férias por lá. Abraço. Lucia

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

Seguidores