quinta-feira, 15 de março de 2012

Macau, a terra do sal



Chamada de Terra do Sal, Macau é uma das principais salineiras do Brasil. Tem o moinho de sal como símbolo da cidade, que representa as antigas salinas artesanais. Importados para Macau em 1910, existiam vários moinhos no antigo aterro das salinas restando hoje apenas um, que foi recuperado várias vezes.

Centrada na Ilha de Alagamar no Rio Grande do Norte, no entorno de Macau há várias ilhas habitadas como a de Santana, Quixabeira e Casqueira e as desabitadas como Guaxinim, Paraíso, Mosquito e Presídio. Outras ilhas permanecem submersas e emergem de acordo com a posição das marés. Algumas ilhas tem vegetação típica de mangue e outras são totalmente de dunas.








Macau surgiu depois de 1825 quando as águas do oceano Atlântico começaram a invadir a antiga Ilha de Manoel Gonçalves que era habitada por portugueses interessados na exploração e no comércio do sal. Impossibilitados de permanecer na ilha, os moradores partiram em busca de outro local e encontraram uma ilha que oferecia melhores condições para a instalação do povoado.

A agradável ilha descoberta recebeu o nome de Macau, nome originado da palavra chinesa Amangao que significa Porto de Ama - a deusa dos navegantes. Com o desaparecimento completo da ilha de Manoel Gonçalves, a pequena cidade de Macau cresceu e se consolidou como um povoado às margens do oceano Atlântico.






 

Até os anos de 1960 Macau era o maior centro portuário do Rio Grande do Norte em consequência de sua elevada produção de sal. Ao contrário do que se esperava, no final dos anos de 1960 foi construído um porto ilha no alto mar em Areia Branca com a finalidade de fazer o embarque de sal da região.

As belas praias de Macau se estendem por toda a Costa Branca. Urbanizada com calçadão, restaurantes, bares, pousadas, a praia urbana de Camapum é apropriada para esportes náuticos, trilhas ecológicas e outros esportes de praia. O Rio Açu-Piranhas margeia a cidade de Macau e da Ilha de Santana pode-se fazer um passeio de barco pelo rio alcançando o mar.







O antigo Porto da Pescaria é uma comunidade pesqueira com trapiche de embarque e desembarque de pescado e também é ponto de embarque para algumas ilhas através do Rio Conceição. Alguns pescadores moram ali há muitos anos e é do Porto da pescaria que pode-se ver o esplendido por do sol.

Há vários roteiros turísticos em Macau que inclui caminhadas ou cavalgadas pelo litoral e também pescaria em alto mar, onde são demonstradas técnicas de pesca artesanal. O Morro do Jardim e o Morro de São Bento servem como ponto de referência para os pescadores, embora haja muitos faróis que orientam os navegantes. O Farol de Macau com 11 metros de altura tem alcance luminoso de 12 milhas náuticas.


 
 
Pouco habitada, a Praia de Soledade tem águas muito cristalinas. Localizada a 25 km da cidade, no local funciona a exploração de petróleo e gás natural das plataformas da Petrobrás. A Fazenda Pocinhos é uma das maiores produtoras de petróleo do Estado, com dezenas de cavalos de petróleo ao longo de toda sua área. Uma peculiaridade desta praia é Maxixe, uma comunidade isolada que vivem da pesca artesanal.








Nas praias de Diogo Lopes, Barreiras, Soledade e também ao longo da margem do Rio Conceição há imensas dunas. Caracterizada como uma praia de pescadores e cercada pela natureza, Diogo Lopes é conhecida principalmente por sua linda paisagem, um cenário paradisíaco que serve de cenário para diversos eventos ecológicos, esportivos, religiosos e onde há a maior produção de sardinhas in natura.

Um dos principais destaques de Diogo Lopes é a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Ponta do Tubarão, com projetos de desenvolvimento sustentável incluindo a pesca e o turismo ecológico. A própria comunidade toma consciência da necessidade de preservar o ecossistema da região, evitando a pesca e o turismo predatórios.






Galinhos: Na maré cheia, Galinhos é uma ilha. Na maré baixa se torna uma península. Rodeada por dunas, salinas, manguezais e praias desertas, é uma bela paisagem preservada. O local mantém-se praticamente intocado devido à dificuldade do acesso.

Só é possível chegar até lá de barco ou de 4x4 viajando pela praia na maré baixa e cruzando dunas. Outra opção é estacionar em Pratagil de onde saem barquinhos que navegam numa travessia de 20 minutos por águas tranquilas e abrigadas. A principal atração é a Praia do Farol e o Farol de Galinhos.






Tradicional em Galinhos é o passeio em uma carroça de trapiche puxada por um jumento, o jumento taxi. Também é uma boa opção para quem chega a pé pelo rio Pratagil e precisa se deslocar até alguma pousada.

As vilas de Galinhos e Galos reúne muita gente que gosta de esportes a vela em suas águas claras, calmas, rasas e quentinhas onde sopram ventos fortes e constantes. No trajeto pela beira da praia até o farol estão alguns ranchos de pescadores com suas jangadas estacionadas que embelezam o cenário.

No fim da tarde é do farol que se tem a melhor visão do pôr do sol que cai no mar numa linda cena clássica em tons dourados e alaranjados. Neste fantástico ambiente natural uma das atrações são as enormes montanhas de sal.








É do porto-ilha de Areia Branca que partem navios com carregamento de sal para todo mundo. Existem diversas praias, como Upanema, Morro Pintado, Redonda, Cristovão e Ponta do Mel que é a praia mais conhecida e tem uma peculiaridade.

É exatamente nesse ponto da costa potiguar que o sertão encontra com o mar, criando um cenário exótico, com enormes falésias de terra avermelhada, vegetação da caatinga com cactus gigantes e animais típicos como cabras e jegues.





Dunas do Rosado: A praia e as dunas do Rosado situam-se em Porto do Mangue a 35 km pela nova rodovia que corta as falésias de Ponta do Mel e segue à beira-mar até a Praia do Rosado.

As majestosas dunas do Rosado que ocupam uma área de quase 10 km impressionam pelas matizes de cores de suas areias. O cenário que mais parece um deserto, já serviu de locação para algumas cenas da novela O Clone entre outras produções do cinema.



 
 
Na Costa Branca a vida construída na areia se move com o vento, mudando de cor e de lugar a todo momento. A branca areia contrasta com o tom ocre das falésias e o azul celeste do céu e do mar.

A beleza da mata e a riqueza da vida se mostram na paisagem castigada pelo sol e pelo vento, mas poucas vezes pela chuva. Um mundo desconhecido, sempre à margem e que revela a garra e o espírito de um povo guerreiro e vencedor.





Exploração do sal: No Rio Grande do Norte a exploração do sal é citada desde 1605, nas salinas que se formavam espontaneamente em Macau. Os maiores produtores de sal do Rio Grande do Norte são Macau, Galinhos, Guamaré, Caraúbas, Areia Branca, Grossos e Mossoró que concentram quase 100% de todo sal consumido no Brasil.

E ainda que não tenha mar, as salinas de Mossoró estão localizadas na várzea estuarina dos rios Mossoró e do Carmo que em algumas épocas são inundadas pelas águas do mar formando as salinas naturais.





Ao longo da história, o sal sempre teve um papel estratégico. Monarcas e governantes controlavam seus monopólios de sal desde os tempos antigos levando os povos a buscá-lo nos mais longínquos lugares.

Comercializado a preço de ouro, o sal trouxe riqueza a antigos povos. Onde faltava cada grama de sal era trocado por um grama de ouro. Em Roma, pela Via Salaria os romanos transportavam o precioso carregamento de sal recebendo como pagamento o Salarium, ou seja, o dinheiro para comprar sal que deu origem ao termo salário.




O sal era algo tão valioso, que nas viagens de Marco Polo pela China ele descreveu sobre moedas de sal cunhadas com o selo de Gengis Khan. Na China antiga apenas o ouro era mais valioso que o sal. Até o início do século 20, na Etiópia se usava discos de sal como moedas e em algumas regiões da África central era possível comprar uma noiva com um bom carregamento de sal.

Tão valioso, o sal ganhou um significado quase sagrado. Tornou-se sinônimo de graça, espírito, sabedoria, pureza e hospitalidade. Na Índia, devido ao imposto instituído sobre o sal, Ghandi liderou uma caminhada de milhares de pessoas até o mar entre 12 de Março e 5 de Abril de 1930, a famosa Marcha do Sal, para que o povo pudesse recolher o seu próprio sal e não pagar o imposto ao governo colonial britânico.





Produto praticamente inesgotável que serve de alimento, o sal tem 14.000 utilidades sendo utilizado como matéria prima para industrias químicas, têxteis e metalúrgicas. Durante o processo saturação e cristalização o sal permanece nos tanques de evaporação até ser submetido à lavagem com salmoura saturada para retirar as impurezas.




Flor de Sal: A Flor de sal é um tipo de sal coletado na camada superior das salinas, antes que se depositem no fundo e formem o nosso conhecido sal marinho. Por ser um produto artesanal e relativamente escasso, já que para cada 80 quilos de sal marinho produzido somente 1 quilo de Flor de Sal é extraído, é um dos tipos mais caros de sal disponíveis à venda no mercado gastronômico, que pode ser encontrado em vidrinhos ou caixinhas, com ou sem tempero de ervas.



Um comentário:

lucilio beltrao disse...

como o visitante conseguerá contactar as pousadas? a maioria não tem site, e-mail (de facil acesso) Bogs... quase nada! assim fica difícil!

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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