segunda-feira, 18 de junho de 2012

Piaçabuçu, no Delta do Rio Francisco




Entre os estados de Alagoas e Sergipe, o Rio São Francisco encontra com o mar formando um cenário de indescritível beleza. São 40 km de praias banhadas pelas águas verdes e cristalinas do Oceano Atlântico, sendo das mais extensas do Brasil. A areia fina forma belíssimas dunas que caracterizam a região.
 
 


Conhecida como Capital Alagoana das Palmeiras, Piaçabuçu tem origem indígena devido às piaçavas do lugar, uma planta muito utilizada para fabricar vassouras e significa Palmeira Grande.
Esse era um lugar onde há muitos séculos viveram os perigosos e antropófagos índios Caetés.

Em meados dos anos 1600 tornou-se o lugar preferido dos viajantes que tinham que atravessar o caudaloso Rio São Francisco onde existiam duas ilhas, tornando a passagem menos perigosa. Assim surgiu em 1859 a cidade de Piaçabuçu no Delta do Rio São Francisco. 
 




A paz e tranquilidade do lugar são apaixonantes, além de inúmeras opções de passeios: trekking, parasail - um páraquedas ascendente rebocado por carro ou lancha, sandboard - descida de prancha nas dunas ou aventuras off road na Praia do Peba.

Uma das grandes sensações da cidade é fazer o tour no "Carcará", um bugre com dois andares, e lá de cima admirar as fazendas com imensos coqueiros e ouvir as histórias e lendas da região. Depois a proposta é seguir caminhando pela linda restinga, onde os guias reconhecem cada planta e suas características medicinais. 


 

 
 



Aos poucos a vegetação vai se descortinando e revela uma paisagem instigante. A foz do Rio São Francisco é um dos cenários mais bonitos do Brasil quando suas águas se encontram com o mar, um roteiro imperdível que pode ser feito a bordo de um superbuggy, jangada ou usufruindo do conforto de catamarã das agências de turismo.

Do cais de Piacabuçu partem barcos para um percurso de 50 minutos margeando o mangue, navegando por canais e serpenteando ilhas, algumas de mata exuberante. Há um ponto de apoio onde os barcos param e há venda de comidas, bebidas e artesanato.



 
 
 
 
Conta-se que na primeira ilha uma moça namorava às escondidas um pescador vindo da cidade. Para avisar o namorado que seu bravo pai não estava em casa e o caminho estava livre, ela prendia uma fitinha colorida na palha do coqueiro à beira do rio. O costume acabou dando o nome ao lugar: Ilha da Fitinha de Moça.

Para ver o encontro das águas do rio com o mar caminha-se por um percurso de 30 minutos sobre uma areia fofa até o local. Ali só se ouve o barulho das ondas e o sopro do vento, um silêncio que atordoa e acalma os sentidos desacostumados com o sossego.

Para quem tem receio de fazer passeios de barco, há a opção de chegar de buggy até a foz do rio indo pela Praia do Ponta do Peba, mas somente quando a maré estiver baixa. Do Peba até a foz são 21 km, cerca de três horas de deslocamento entre ida e retorno. 


 


 


Praia do Cabeço: Do outro lado do rio pode-se ver a Praia do Cabeço em Brejo Grande. O Cabeço é um povoado que foi parcialmente engolido pelas águas do mar sendo um dos melhores locais para acampar. Dizem que as barragens construídas ao longo do rio frearam a força da vazão do rio e desequilibrou o refluxo fazendo a maré avançar sem parar engolindo as casas e a igreja do Bom Jesus.

Sem gentileza, o oceano mostrou sua força sobre as áreas costeiras. Há quem defenda que o desequilíbrio é uma tendência natural. Hoje resta apenas uma faixa de areia e o Farol do Cabeço, que já esteve em 1876 na praça central de Cabeço a mais de 1 km do mar.

Tal qual o povoado, o farol foi inundado e naufragado e já não cumpre mais seu destino de servir de guia para os navegadores marítimos que se aproximam da turbulenta foz do rio. Atualmente o farol é apenas um pêndulo torto a sinalizar a vitória do Oceano Atlântico. 
 

 


Dunas: O passeio pelas dunas douradas é especialmente agradável entre maio e setembro quando as chuvas formam pequenas lagoas e possibilitam um visual deslumbrante. Mas quem aprecia um bom tempo e belo céu azul, a melhor época é entre os meses de outubro e fevereiro.

Os mangues, as dunas e os coqueirais servem de cenário para a desova de tartarugas e para a passagem de aves migratórias. A área protegida na foz do São Francisco tem 11 km de praia oceânica deserta, entre o rio e o povoado costeiro do Pontal de Peba.


A tranquilidade é essencial para as três espécies de tartarugas marinhas que procuram periodicamente a região para desova. Por isso, embora seja permitido o acesso a essa região, há um limite de tempo de permanência.
 
 


Praias: O litoral de Piaçabuçu possui duas extensas praias: a Praia de Pontal do Peba e a Praia do Peba com areia fina e dunas paralelas à praia. Numa parede arenosa quase vertical, deitados de bruços nas pranchas os mais ousados descem deslizando sobre as dunas até tocar as águas do lago de águas transparentes. É uma experiência incrível incentivada pelo guia que dá um show com sua técnica e gingado.


Uma dica para ter um passeio agradável, curtir o visual do local com muita adrenalina e sem incidentes é estar sempre acompanhado de um guia turístico. Eles conhecem a região, sabem onde ir, por onde passar e podem mensurar os perigos do local. Todo risco deve ser calculado. Carros comuns podem ficar atolados na areia fofa e estacionar em alguns locais há o risco de ter o carro inundado na hora da maré cheia. 


 
 


Pixaim: Muitas pessoas vão até a cidade em busca da foz do Rio São Francisco, mas certamente o passeio de barco pelo rio também proporciona passeios maravilhosos. Quem quiser fugir dos roteiros convencionais pode percorrer os canais do rio onde existem lugares fantásticos; um deles é Pixaim.

Localizado numa área tomada por dunas amareladas, as poucas casas de Pixaim são de taipa e palha, só a Capela é de alvenaria. As lagoas e os coqueiros dão à vila um cenário de oásis. A comida é peixe, coco, caranguejo, cajú e murici. Não tem nada da vida moderna, mas tem toda a paz do mundo.


 




Camarão e Côco: O que não falta em Piaçabuçu é camarão e côco. Os coqueiros elevam a cidade à categoria de ser um grande produtor de côco. Em sânscrito, uma língua hindu, Coqueiro é Kalpavriksha ou Kalpataru que se traduz como “árvore que fornece todas as necessidades da vida”. De fato, do coqueiro tudo se aproveita.

Outro destaque são os camarões, que resultam do grande volume de material orgânico jogado no mar pelo Rio São Francisco que alimenta os pequenos crustáceos. A cidade tem o maior banco de camarão do nordeste, tornando-a um importante pólo pesqueiro. Por isso as delícias da gastronomia incluem camarão e côco, além da gostosa água de côco que refresca durante os passeios. 

E para quem gosta de festas, durante todo o ano realizam-se em Piaçabuçu numerosos eventos, entre eles as Festas Juninas e quadrilhas que acontecem em junho. Em outubro tem a Festa do padroeiro São Francisco de Borja, que é uma das mais animadas da cidade. Em setembro tem ao Festival da Pilombeta e em novembro a Gincana de Pesca de Arremesso que premia quem pesca o maior peixe e também a maior quantidade de peixes. 


 

 


Rio São Francisco: O Rio São Francisco é um dos mais importantes do Brasil. Nasce e atravessa todo o Estado de Minas Gerais, percorre sobre o Estado da Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas e desagua no Oceano Atlântico. Historicamente descoberto em 1501 por Américo Vespúcio, o rio recebeu o nome de São Francisco em homenagem ao santo festejado neste dia, 04 de outubro.

Nas margens do São Francisco, pessoas, cargas e animais vão de barco de um lugar a outro. Barcos de todos os tipos salpicam as águas do rio com suas cores. O de passageiros é um tipo baixo, com cobertura e enormes janelas quase na linha d´água.

Como num terminal rodoviário, eles chegam e saem do em direção às diversas povoações ao longo do rio. A carga normalmente vai no teto da embarcação ou em canoas maiores e abertas. As canoas são movidas à vela mas com um detalhe, as velas são quadradas diferente das tradicionais velas triangulares.

 

 
Borboletas do São Francisco: Algumas canoas tem duas velas e são apelidadas de " borboletas do São Francisco", pois quando o vento sopra e as velas são abertas uma para cada lado, lembram asas de borboleta que colorem o rio com suas cores. A canoa típica é a Tolda, que além das velas possui uma pequena cobertura na frente onde o barqueiro dorme. 
 
Símbolo de vida para o sertão, o Rio São Francisco faz parte da cultura e da história de muitos lugares do Brasil. Em Piaçabuçu o rio reserva um grande espetáculo, porém o rio tem sido castigado pela ação do homem diminuindo a sua vazão e provocando desastrosos efeitos para o ecossistema que se torna visível na sua foz.

 No século 16, a foz do São Francisco tinha 12 km de embocadura, hoje tem 1,5 km. Apesar dessa redução provocada pelo assoreamento, a beleza do estuário é preservada. Os desmatamentos e queimadas provocam a queda de barrancos que causam assoreamento do rio.

Muitas ilhas já estão formadas em seu percurso, comprometendo a navegação que já não é possível em certos trechos. Mas o maior desafio é reverter o impacto causado pelas barragens das usinas hidrelétricas que reduziram drasticamente a vazão das águas.

As represas representam muros intransponíveis para os peixes e causam impacto na continuidade das espécies que precisam da piracema para procriar. Esse fenômeno consiste em subir o rio na direção contrária à corrente.

É essa energia despendida na piracema que estimula a produção dos hormônios para a reprodução. Tendo servido de inspiração e ao imaginário de músicos e poetas, da abundante pesca no Velho Chico restam apenas lendas contadas na sinfonia solitária das prosas de um velho pescador.

4 comentários:

* Edméia * disse...

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

*Gostei de Ti , Lúcia !!! :))

Cicera Lino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Cicera Lino disse...

Sou piaçabuçuense, nasci e morei em Piaçabuçu até meus 18 anos, logo após mudei-me para Maceió onde fiquei por três meses e em fevereiro de 2011 modei-me para São Paulo, onde resido atualmente e curso pedagogia. Meu pai (cantor, tocador e compositor Alagoano - Piaçabuçuense) Cicero Lino e minha mãe Aparecida Ferreira me ensinaram a amar e valorizar a terra onde nasci.
Sempre que lembro-me de Piaçabuçu sinto um aperto forte no coração de saudade do meu santuário natural. A forma mais verdadeira de expressar esse sentimento é com um poema bem conhecido e que retrata tão bem as belezas do meu lugar:

Canção do Exílio

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Gonçalves Dias

Adorei os escritos. Muito obrigada em nome de todos os piaçabuçuenses!!!

Um abraço
Cicera Lino

maria alves disse...

Tive o mérito de conhecer este lugar tão lindo e encantador!!! Fiquei maravilhada vendo o abraço do Velho Chico com o mar em Piaçabuçú . Fui em novembro de 2012. Encantei-me com as praias exuberantes de Alagoas. Com certeza voltarei neste lugar novamente se Deus quizer.
Um Abraço
Conceição

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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