terça-feira, 11 de setembro de 2012

Corupá, o maior encontro de trilheiros do mundo



Com um clima agradável de montanha, num cenário de muitos rios e mais de 70 cachoeiras, Corupá é o destino ideal para quem gosta de ecoturismo e esportes radicais. Com ruas calçadas margeando um rio de muitas corredeiras, a cidade é pequena e pacata, exceto nas épocas das festas quando muitos turistas lotam as ruas da cidade. 






Fundada em 1897 como Hansa Humboldt, o nome da cidade era uma homenagem ao geógrafo e naturalista alemão Alexander von Humboldt, que foi pioneiro na descoberta de muitas belezas naturais do Brasil. Em decorrência do clima hostíl que se instalou contra os alemães durante a Segunda Guerra Mundial, o nome da cidade foi mudado para Corupá, que na língua indígena significa "um lugar de muitas pedras".




Rodeada pelas montanhas verdes da Serra do Mar ao norte de Santa Catarina, a extensa área de Mata Atlântica concentra a maior reserva de Canela Preta do mundo. Das serras e montanhas, com mais de 1.000 de altitude, descem dezenas de rios que formam grutas e cachoeiras, algumas com queda d'agua de mais 100 metros de altura.

 

As cachoeiras mais famosas estão no Parque Ecológico Emílio Batistela, também conhecido como Parque do Rio Novo. O trekking de quase 3.000 metros passa por uma estrada de chão batido até o pé do morro e por uma trilha no meio da mata. Há duas trilhas: Araçá que segue por fora e Passa-águas que segue o curso do rio.






São 14 cachoeiras em sequência, cada uma com seu encanto e um nome que a identifica. Todas as histórias que se contam sobre a origem do nome de cada cachoeira é muito peculiar e algumas envolvem lendas folclóricas dos seus descobridores. 





A trilha da Rota das Cachoeiras acompanha o contorno da montanha e na quietude da Mata Atlântica o barulho das águas avisa a proximidade de uma cachoeira. O verde da mata nas proximidades da água brilha em tons mais claros, até que se vislumbra uma cachoeira, um espetáculo que causa um suspiro de admiração pelo cenário de rara beleza. Por isso a 1ª é chamada de Cachoeira do Suspiro, embora todas as outras sejam também surpreendente belas.





Continuando a subida surge a 2ª cachoeira, chamada de Banheira porque forma uma piscina natural que lembra uma banheira. A 3ª é a Cachoeira Três Palmares que são três quedas em seguida, formando três degraus.




A 4ª é a Cachoeira Pousada do Café, porque é o lugar onde se parava antigamente para fazer um lanche e tomar café. Depois de uma caminhada surge a 5ª cachoeira que tem um nome sugestivo: Cachoeira do Repouso. Com uma grande laje de pedra, forma um cenário agradável sendo ideal para acampar ou descansar. 




Mais adiante, a 6ª é a Cachoeira Remanso Grande que tem um grande lago que se estende como um remanso. A 7ª e a 8ª são as duas Cachoeiras da Confluência que se formam no encontro de dois rios. A 9ª é a Cachoeira das Corredeiras chamada assim porque o rio forma uma violenta corredeira antes da queda.




A 10ª é a Cachoeira do Tombo em virtude das pedras escorregadias. A 11ª é a Cachoeira do Palmito que foi batizada pelos descobridores que serviam-se de palmito de uma palmeira existente no local.




A 12ª é chamada Cachoeira da Surpresa, porque antes era considerada a última até ser descoberta a 13ª, a Cachoeira do Boqueirão que tem a descida das águas por uma cratera formando uma calha na pedra. Mas a maior surpresa está mais adiante, a 14ª que é a Cachoeira Salto Grande com 125 metros de queda livre, um belo show por sua imponente grandeza. 




O roteiro para os praticantes de esportes radicais fica entre Corupá e São Bento do Sul que tem mirantes em vários trechos. O majestoso Morro do Boi pode ser avistado de vários pontos da cidade e fascina quem se aventura a chegar até o cume de quase 1.000 metros de altitude, de onde pode-se avistar o oceano. 





Festival Bananalama / Encontro de trilheiros

Há ainda outros roteiros que são bem conhecidos pelos trilheiros. Anualmente Corupá realiza o Bananalama, um encontro que reúne cerca de 3000 trilheiros de todo o Brasil com suas motos afinadíssimas no belo Seminário do Sagrado Coração para realização da trilha pelos bananais.





Realizado em várias edições no mês de julho, quando é comemorado o aniversário da cidade, os organizadores estão se empenhando para inserí-lo no Guinness Book como o maior encontro de trilheiros do mundo. Milhares de pessoas se concentram para assistir as apresentações de manobras radicais e shows artísticos. 







Colonizada por imigrantes alemães, suíços, italianos e poloneses, Corupá conserva ricas tradições culturais. As casas em estilo eixamel ladeadas por estábulos e potreiros formam um típico cenário europeu mantendo a mistura de algumas tradições que se evidenciam nas construções, nos costumes, nas festas e nas cozinhas.

E, por ser a maior produtora de banana do estado, é chamada Capital Catarinense da Banana. Um dos maiores eventos da cidade é o Bananenfest, um festival que mistura a tradição alemã dos campeonatos de tiro e bolão com os curiosos pratos que tem como base a banana: almôndegas, nhoques, chocolates, biscoitos, cucas, tortas e outras versões exóticas jamais imaginadas feitas com banana. 

É uma oportunidade de degustar vários pratos típicos doces e salgados feitos com banana, além da tradicional cachaça de banana. Durante os três dias de festa há exposições, apresentações folclóricas, shows e bailes além da venda do artesanato diferenciado feito com a fibra de bananeira como bolsas, chapéus e belos enfeites.  






Seminário Sagrado Coração de Jesus

O ponto de encontro nas festas é o Seminário Sagrado Coração de Jesus, uma bela construção de 1929 em tijolos aparentes e um jardim frontal em estilo francês com ciprestes e cercas vivas. Situado a 3 km do centro da cidade, foi construído para ser autosustentável num tempo em que seminaristas viviam enclausurados.




O seminário possui restaurante e auditório, além de pastagens e diversas plantações nos moldes dos antigos monastérios europeus. Além da igreja, o claustro para religiosos pode ser visitado durante o ano letivo. No local funciona o Museu Irmão Luiz Gartner que guarda uma coleção de 1.500 exemplares de animais empalhados.  




coleções de orquídeas

Um dos destaques de Corupá são as maravilhosas coleções de orquídeas de várias espécies. Todos os colecionadores e floricultores tem uma longa história de identificação com as flores, tal qual o Orquidário do Gunther Arnfriend onde há mais de 10.000 espécies e cuja coleção foi iniciada há mais de 70 anos.  



 



Não há quem não se encante com as flores do Orquidário Catarinense mantido pela família Seidel, que há mais de 100 anos dedica-se ao cultivo e comércio de orquídeas, bromélias e plantas ornamentais que são destinadas a várias cidades de Santa Catarina e outros estados. 


 


Em Corupá estão alguns dos melhores produtores de plantas ornamentais do Brasil, por isso uma espécie recebeu o nome de Hemerocallis Corupá. A escolha do nome é uma referência às pessoas cuja paixão pelas flores impulsionou o desenvolvimento e a estrutura da floricultura catarinense.  




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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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