domingo, 26 de agosto de 2012

Pirenópolis, um símbolo de religiosidade




A serra de Pirenópolis em Goiás tem uma interessante história. Segundo a tradição, muitos imigrantes espanhóis vindos da região da Catalunha moravam no local. Por ver alguma semelhança da serra com a Cordilheira dos Pireneus ou Pirineus, localizada entre a França e Espanha, deram-lhe o nome de Serra dos Pireneus. Aos pés da serra está Pirenópolis, que significa Cidade dos Pireneus. 

Caminhar calmamente pelas ruas de pedra calçadas na época dos escravos, saborear um típico sorvete de frutas naturais, cumprimentar e conversar com os moradores é uma experiência incrível para quem mora em grandes cidades e está desacostumado com isso. Pirenópolis é uma cidade festiva, hospitaleira e pacata, exceto nos feriados quando muitos turistas lotam a cidade.




 
 
 


A histórica cidade de Pirenópolis surgiu a partir de um povoado nos anos de 1600/1700, quando muitos aventureiros portugueses se embrenharam pelas matas à procura de ouro. Ainda existem antigos casarões e igrejas daquela época, sendo seu centro histórico declarado Monumento Nacional. Marcadas pela influência portuguesa, muitas casas tem sacadas em pedra e madeira com grandes quintais. O Teatro em estilo colonial foi construído em 1899 no Largo da Matriz.


Teatro Colonial
 
O Museu da Família Pompeu reconta a história da cidade, que por muito tempo ficou isolada e só foi redescoberta na década de 1970 depois da construção da capital federal. Devido à sua proximidade com a capital Goiânia e Brasilia, Pirenópolis tornou-se famosa entre turistas e pela extração do quartzito - a Pedra de Pirenópolis ou Pedra de São Tomé.
 
 

Pirenópolis é também a terra onde nasceu famosos artistas. Nas imediações da cidade, no distrito de Capela do Rio do Peixe, nasceu a famosa dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano.



Igreja N.S. Rosário
 
Na paisagem da cidade destacam-se as torres da Igreja Matriz de N.S. do Rosário, cuja construção foi iniciada em 1727 como uma pequena capela passando por vários acréscimos e alterações nos anos seguintes.
 
Construída de forma que a qualquer hora do dia o sol iluminasse sua fachada, tem um estilo colonial muito simples. Foi a partir dessa igreja que cresceu a cidade e, apesar do incêndio que destruiu a igreja há alguns anos, foi totalmente reconstruída e ainda mantém as imagens de santos vindos de Portugal, principalmente da padroeira.
 
 

Igreja N.S. Carmo
Ponte do Carmo
 
Na Igreja do Carmo funciona o Museu de Arte Sacra. Construída no bairro do Carmo em 1750, às margens do Rio das Almas de onde se explorava ouro, a antiga ponte sobre o rio faz parte da história do lugar.
 
Dizem que no passado uma inundação teria arrastado metade da ponte que passa sobre o rio, por isso a cidade era chamada de Minas de Nossa Senhora do Rosário da Meia Ponte. Na mesma época foi construída por escravos a Igreja de Nosso Senhor do Bonfim.  
 
 
Igreja N.S. Bonfim
As igrejas de Pirenópolis revelam a religiosidade da cidade que mantém diversas celebrações durante o ano. Uma das celebrações é a Festa do Divino que acontece 50 dias depois da Páscoa, um evento religioso que dura vários dias.

De origem portuguesa, a festa foi trazida para o Brasil pelos jesuítas durante a colonização com a intenção de atrair os escravos e índios ao catolicismo e atualmente é mesclada com festejos sagrados e profanos. O culto ao Divino Espírito Santo é um dos mais antigos e difundidos pelo catolicismo popular celebrando o Dia de Pentecostes.

Segundo conta o Novo Testamento, foi o dia em que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos sob a forma de línguas de fogo. Relacionado ao fim de um ciclo agrícola, marca a esperança da chegada de uma nova era para o mundo dos homens, com igualdade, prosperidade e abundância para todos.

Quinze dias antes do Domingo do Divino, um grupo de cavaleiros uniformizados sai em procissão pela zona rural, fazendo pousos nas fazendas, levando as bandeiras e a benção do Divino Espírito Santo. As fazendas de pouso são animadas durante a noite com catiras e cantorias.

O ápice da festa do Divino inclui as Folias da Roça e Folias da Rua, com alvoradas, congadas e cortejos do Imperador, novenas cantadas em latim, missas, levantamento do mastro, queima de fogos e a coroação do novo Imperador.


A tradicional queima de fogos é chamada Roqueira e relembra a salva de tiros de canhão roca, daí vem o nome Roqueira. É uma tradição portuguesa muito antiga, que tem a intenção de saudar o Imperador do Divino e expressar alegria. 

 
 

As Cavalhadas é uma tradição que, desde 1820 mobiliza e emociona a população de Pirenópolis. Trata-se de uma encenação da batalha medieval entre Mouros e Cristãos, inspirada na batalha épica travada pelo guerreiro cristão Carlos Magno.

No século VI  Carlos Magno lutou contra os sarracenos de religião islâmica pela defesa de um território. Chamada de  "Batalha de Carlos Magno e os 12 pares da França", tornou-se um símbolo da resistência e avanços da religião cristã na luta por terras e novos fiéis.

As mobilizações para organizar as cavalhadas começam uma semana antes da batalha, quando as duas tropas passam pelas casas seguidas por uma banda de música chamando os cavaleiros para os ensaios.

Com belas vestimentas, no dia do evento os cavaleiros se apresentam no Campo das Cavalhadas, após orações e danças folclóricas. É o maior espetáculo para a comunidade e para os cavaleiros, representando também um ato de renovação da fé no Divino Espírito Santo.
 



 
 
 



Na véspera de Pentecostes os Mascarados ou Curucucus, que são um símbolo de Pirenópolis, abrem a festa usando roupas extravagantes, máscaras com caras de animais e decorados com flores de papel. Sozinhos ou em grupos, eles circulam pela cidade anunciados pelo barulho das polaques que penduram nos pescoços dos cavalos e também se apresentam no Campo das Cavalhadas no intervalo das encenações.

Dotados de grande visibilidade e protegidos pelo anonimato, eles dançam, pulam e gracejam, representando a espontaneidade do povo da cidade. Sua origem está relacionada a Portugal, sendo uma manifestação de religiosidade e de alegria que visa espantar o espírito do mal. Graças à sua beleza e evolução, os mascarados são figuras de suma importância na festa.

Outras expressões e rituais agregados à Festa são o Reinado de Nossa Senhora do Rosário e de São Benedito, a encenação de dramas e operetas, do auto natalino, as Pastorinhas, os ranchões dançantes e a feira livre.


O Museu das Cavalhadas reconta toda a história das cavalhadas e a Cavalhadinha realizada pelas crianças é uma brincadeira que objetiva ensinar às novas gerações os valores e referências da identidade cultural de Pirenópolis, garantindo assim a continuidade da Festa do Divino. 



 
 
 

Pirenópolis tem uma vasta região de natureza preservada. Conhecida por seu clima agradável, centenas de cachoeiras e piscinas naturais atraem muitos ecoturistas e amantes da natureza. O Parque dos Pireneus está localizado entre Pirenópolis, Cocalzinho de Goiás e Corumbá de Goiás, tendo sido criado para proteger um dos pontos mais altos de Goiás.

Situado a 20 km da cidade e com muitas nascentes, o ponto culminante do parque é o Pico dos Pireneus com quase 1400 metros de altitude. Do topo, junto à delicada Capela dedicada à Santíssima Trindade, tem-se uma vista extraordinária.

Muitos escaladores enfrentam o Morro Cabeludo, mas por não ter placas indicativas é recomendável um guia turístico que conhece os recantos do parque. Muitas pessoas procuram Pirenópolis para praticar esportes radicais como rappel, tirolesa, parapente, trekking ou explorar a região de moto, bike ou off road.  


 
 
 

Entre belas paisagens na subida de uma serra surge a singular Cidade de Pedras, uma grande riqueza natural formada por quartzitos e micaxistos com altos monumentos de pedra esculpidos pela natureza. Embora tenha sido descoberta em 1841 pelo naturalista François Henry Trigant des Genettes, permaneceu esquecida durante muitos anos e só foi redescoberta em 2004 por uma expedição de geólogos e ambientalistas.

Localizada a 50 km de Pirenópolis, trata-se de uma gigantesca formação geológica que apresenta inúmeras esculturas naturais reproduzindo as mais variadas formas, animais, seres humanos, formas geométricas, castelos etc.


Entre Bromélias, Ipês e Sempre-vivas que tornam o caminho florido, chega-se a uma área rodeada de gigantes de pedras. Algumas parecem castelos, outras lembram jardins babilônicos com muitas plantas no topo. Algumas delas apresentam cerca de 150 metros de altura, equivalente a um prédio de 50 andares.

Em cada galeria surgem formações exóticas completamente diferente da anterior, parecendo monstros que guardam fortalezas e torres. A cada caminhada, a Cidade de Pedras reserva uma surpresa, mas ainda não é totalmente conhecida devido à sua grande extensão de 1400 hectares.


Para visitar o lugar é imprescindível a presença de um guia experiente. São 10 km de pequenas trilhas de difícil caminhada entre muito mato, com muitos labirintos de pedra e sem nenhuma nascente de água. Naturalistas afirmam ser o maior sítio geológico descoberto até agora no Brasil e um dos maiores do mundo. 

 


 

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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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