segunda-feira, 4 de julho de 2011

Anavilhanas e Barcelos, paraísos amazonenses



Barcelos está a 400 km de Manaus e no passado foi a capital do estado do Amazonas. Localizada às margens do Rio Negro, situa-se no extremo norte do estado do Amazonas nos limites da fronteira Brasil/Venezuela. Quando foi fundada em meados de 1750 ali só haviam a Aldeia de Mariuá onde viviam quase 2.000 índios amazonenses em palhoças.


 







E é em Barcelos que está o Arquipélago Mariuá, o maior arquipélago fluvial do mundo que faz parte do Parque Serra do Araçá e do Parque do Jaú na floresta Amazônica brasileira. São mais de 1.000 ilhas cobertas por densa floresta onde em determinadas épocas do ano surgem os extensos depósitos arenosos de quartzito, que formam belas praias de areia muito branca de uma beleza cênica imensurável. 

 




 
A Ilha do Governador, em frente à cidade de Barcelos, no período da vazante se torna a praia mais procurada para o lazer. A Praia Grande é o mais famoso e mais visitado ponto turístico da cidade. Estando a apenas 1 km de distância e devido ao fácil acesso, é onde acontecem grandes eventos como luaus, festivais e reveillon.


 



 
Com 40 km de praias, dezenas de lagos, igarapés e paranás, nos rios de Barcelos existem mais de centenas de espécies de peixes mas principalmente o Boto cor-de-rosa também conhecido como golfinho do rio Amazonas.





A cidade, que é cercada por águas, tem na pesca um dos seus atrativos turísticos e também a sua maior fonte de renda. Barcelos é a maior exportadora de peixes comestíveis e ornamentais para todo mundo e tem a maior concentração de peixes tucunarés de toda a Amazônia.





O Pirarucu, tucunaré e tambaquis são muito apreciados na culinária amazonense. A cada ano acontece o Festival do Peixe Ornamental que homenageia os piabeiros e expõe espécies raras de peixes ornamentais da região. O Cardinal é o peixe ornamental mais exportado da região. 




 

No Parque Serra do Aracá está a cachoeira com a maior queda livre do Brasil, a Cachoeira El Dorado, com aproximadamente 400 metros de altura o que equivale a um prédio de quase 130 andares. Localizada na serra do Curupira, para visitar a cachoeira é preciso organizar uma expedição para aventurar-se pela mata. Também no parque está o abismo Guy Collet, a caverna mais profunda do mundo com 670 metros formada por quartzito.   A região é selvagem e não existem tours rotineiros para lá.







A 220 km de Manaus, o Parque do Jaú é a maior área florestal contínua do mundo. O parque funciona como área de proteção da floresta tropical úmida e intacta, abrangendo 23.000 km quadrados nas cidades de Barcelos e Novo Airão.

Considerado Patrimônio Natural da Humanidade, no parque estão os típicos representantes da fauna equatorial: araras, papagaios, bacuraus, macacos, anatas, ariranhas, tartarugas, onças-pintada, jaguatirica, cobra sucuri e muitos outros, além de muitas espécies de peixes. 
 







O jacaré-açu é o maior réptil da América do sul e pode atingir até 6 m de comprimento. Umas das excursões mais excitantes acontecem à noite quando as lanchas com os guias turísticos levam os turistas para observar os jacarés, chamada de Focagem do jacaré.

Dentro dos igapós, que são os canais estreitos do rio, com potentes lanternas os guias agarram um filhote da espécie com as mãos, para que os turistas possam tocá-lo ou fotografá-lo. Depois o jacaré é devolvido à natureza.
 
Dentro do parque existem quase 160 famílias de caboclos ribeirinhos que vivem da pesca e da roça de mandioca e frutas, que moram ali há muitas gerações e são profundos conhecedores da região. Eles são os melhores guias turísticos do local.


O principal vilarejo é Seringalzinho. Entre os rios Negro e Japurá está o maior lago amazônico, o Amanã, com 45 km de extensão e 3 km de largura. O Parque do Jaú possui Centro de Visitantes, alojamento para pesquisadores e atracadouro de barcos.






A 180 km de Manaus está o Arquipélago de Anavilhanas, um paraíso para biólogos e ecologistas. Com quase 400 ilhas, 608 lagos e igarapés, o Rio Negro é o principal curso fluvial que se ramifica em centenas de igarapés, paranás, canais e até mesmo enormes lagos que se formam entre as ilhas.

 
 
 
 
Uma das melhores formas de ver Anavilhanas e admirar sua grandiosidade é através de um voo panorâmico.  De novembro a abril é o período das cheias do rio, quando a metade das ilhas fica submersa e os animais se refugiam nas partes mais elevadas.

Quando as águas baixam, as ilhas submersas reaparecem com uma grande variedade de animais formando belas praias. São 90 km de canais que entrecortam toda a região. O principal acesso é feito pelo Rio Negro em lancha voadeira ou pela estrada de Manacapuru.






A histórica ruína de Airão Velho é um resquício dos primórdios da ocupação européia na região. Foi uma das vilas mais importantes no Rio Negro desde a época dos colonizadores portugueses até a 2a. Guerra Mundial, quando a extração do latex para a fabricação de pneus e materiais cirúrgicos estava em seu auge. Airão concentrava toda a produção de borracha nessa região.

Com o fim da guerra, os ingleses passaram a comprar látex da Malásia, levando a cidade à decadência. Existe uma lenda de que as pessoas abandonaram Airão Velho porque estavam sendo devoradas pelas formigas. Verdade ou mentira, todas as pessoas se tranferiram para a nova cidade Novo Airão. Porém há alguns anos algumas famílias retornaram, construindo suas casas nas proximidades das ruinas para auxiliar os turistas que visitam o vilarejo.






Exuberantes árvores e inúmeras plantas fazem a riqueza dessa região, de onde sai o palmito que provém da palmeira Jauaru e também castanhas. Também nessa região existem muitas plantas com propriedades antibióticas como a Sucuba e o Cumaru que serve de base para perfumes e incensos entre outras.

A trilha que leva até uma grande Samaúma, uma espécie de árvore amazônica que pode atingir até 40 m de altura, passa também por detalhados petroglifos, gravuras rupestres presentes em diversas rochas ao redor do parque que comprovam a milenar ocupação da região. No final do dia, o espetáculo fica por conta da revoada dos pássaros e das cores do pôr-do-sol refletidas nas águas do rio.
Leia mais sobre a Samaúma: click aqui
 





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Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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