terça-feira, 19 de julho de 2011

Chapada dos veadeiros, a morada dos místicos



No meio do cerrado goiano há um lugar de muita energia. Ponto de encontro de místicos, a Chapada dos Veadeiros em Goiás tem como característica especial a sua localização sobre uma imensa placa de cristal de quartzo. Crenças à parte, o que qualquer um pode constatar é a extrema beleza protegida pelo Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Mesmo para quem não é místico, é difícil não acreditar que a Chapada realmente seja um ponto de convergência de energia, como pregam os que vivem nela.





Inúmeras trilhas levam às cachoeiras e poços de águas cristalinas, de cor castanha, devido à alta concentração de óxido de ferro entre canions rochosos. As trilhas, desde as mais suaves até as que exigem maior esforço, levam a terrenos planos e acidentados por alguns quilometros, sendo um lugar para caminhar mantendo um contato direto com a natureza, sentindo toda a sua energia e esplendor.

Os primeiros habitantes da região foram os índios Goyazes, que deram o nome de Goiás ao estado. Em 1592, ao abrir as primeiras trilhas na região, os bandeirantes dizimaram os índios e deram o nome à Chapada dos Veadeiros, que faz referência aos caçadores do veado-campeiro. Atualmente, seja na natureza ou em uma das mais de trinta terapias e vivências existentes em Alto Paraíso de Goiás, um dos municípios ao qual a Chapada pertence, é impossível não encontrar paz e mergulhar no clima zen da exótica cidade de Alto Paraíso.





Alto Paraíso de Goiás é conhecida como a rota dos peregrinos da Era de Aquário e algumas seitas e entidades voltadas para o misticismo se estabeleceram no lugar em busca do poder emanado pelos cristais de quartzo. Desde a década de 80, a cidade vem atraindo esotéricos, astrólogos, tarólogos, terapeutas e espiritualistas. Algumas casas construídas por místicos tem formatos exóticos. Uma delas é feita em forma de pirâmide, outra em formato de gota e várias possuem pinturas de símbolos esotéricos. São também comuns no local relatos sobre discos voadores e seres extraterrestres.

As formações de cristais surgiram pelo encontro de duas placas tectônicas há mais de um bilhão de anos e na Chapada é possível tropeçar em pedras de quartzo rosa e branco em todos os lugares por onde se passa, mas é próximo às cachoeiras que estão as grandes concentrações de cristais da região. As cachoeiras mais conhecidas podem ser vistas no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, onde os guias especializados que conhecem bem a região podem mostrar lugares incríveis. Além disso, eles conhecem alguns riscos que envolvem a aventura e os melhores locais para natação.









As lindas cachoeiras são os pontos mais visitados da Chapada. Com até 200 metros de altura, a sucessão de quedas são de impressionante beleza, como por exemplo, as Cataratas dos Couros, a Cachoeira de São Bento e o Salto de Duas quedas. Dos mirantes pode-se observar cachoeiras que são de difícil acesso. O impacto visual é deslumbrante, ao se deparar com o cenário das maravilhosas quedas e um infinito de arcos-íris.

Algumas são propícias para a natação, outras são melhores para a prática de rapel e canyoing. Rodeadas por campos floridos e pedras de cristal, algumas cachoeiras formam piscinas naturais rodeadas por lajes de pedras. O rio inclui inúmeras possibilidades de aventura mas desaconselha-se a visitação na época das chuvas.









Uma das mais belas caminhadas da Chapada em meio a campos de altitude cheios de flores chamados Sertão Zen, leva às nascentes do Rio Macacão, no topo de uma cachoeira com cerca de 200m de altura. O Rio Macacão abandona a Serra Geral do Paranã formando grandes quedas, as Cachoeiras do Rio Macacão, cannyons e piscinas de rara beleza. As Águas Quentes é uma piscina artificial, rústica, sobre uma mina de água quente e dentro de uma mata, sendo um bom passeio para o final de tarde, depois de uma longa caminhada.







Mas não são somente as cachoeiras encantam quem passa pela Chapada. Campos de flores, mirantes, animais como o veado-campeiro, o lobo-guará, a ema e o tucano de bico-amarelo completam a beleza desse santuário ecológico. Um curioso vale rochoso com piscinas naturais e mini grutas como o Vale da Lua, incrementam a paisagem característica do cerrado.

O Vale da Lua, a 38 km de Alto Paraíso de Goiás, é uma das principais atrações da Chapada mas por causa do risco de enchentes repentinas, não pode ser visitado em dia de chuva. O Mirante do Aeroporto é um dos lugares mais disputados para ver o pôr-do-sol e onde nos fins de semana acontecem encontros para meditações e apresentações musicais. O Pouso Alto é o ponto culminante de Goiás com 1.676m de altitude.



O Vale do Macacos é um complexo de cachoeiras e canions rochosos. O acesso por trilha tropeira é de 35 km e um íngrime caminho a pé. O Canyon I, II e Carioca são canions com piscinas e quedas d'água que são alcançados através de uma boa caminhada. Atravessando alguns riachos, as flores do cerrado são uma atração à parte.





O Jardim Zen tem formações rochosas cercadas de flores. Procurado para meditação, é o lugar predileto dos esotéricos que realizam ali seus rituais, pois ali perto passa o paralelo 14, o mesmo que corta Machu Pichu. O Jardim de Maytrea é um local de extrema beleza com campos de flores, veredas e buritizais. Também é um dos locais mais frequentados pelos místicos. O Parque Salorim com campos, poços, mirantes, área para camping, é onde estão a Cachoeiras Anjos e a Cachoeira Arcanjos, com 7 e 10 metros de queda.

Com quase 40 hotéis, pousadas e hotéis-fazendas, além de 20 restaurantes, a Chapada tem um clima semitropical de suave brisa, com temperaturas médias entre 21º e 22º C mas em qualquer época do ano as noites costumam ser frias. Talvez seja por isso que uma cultura em Alto Paraíso tão comum seja o hábito de ficar em volta de uma fogueira que existem até nas pizzarias, pousadas e áreas de camping. Praticamente todas as pousadas tem um lugarzinho onde uma bela fogueira é acesa a noite e as pessoas costumam se reunir em volta para tomar vinho e conversar. Entre os moradores é comum o hábito de convidar os amigos para uma fogueira.

A mehor época do ano para visitação é entre maio e outubro, pois chove menos e a vegetação fica mais exuberante. Veredas com buritis e campos floridos de sempre-vivas, canelas de ema, caliandras, mimosas e outras, principalmente a partir de janeiro, florescem atingindo seu apogeu em maio. Na Fazenda Lua, cercada por paredões de pedra, vive uma pequena comunidade seguidores do mestre indiano Osho.



Tanta riqueza permaneceu guardada durante muito tempo, da mesma forma que a riqueza cultural mantida pelas comunidades pioneiras revelando tradições que permanecem na região há mais de 250 anos. O meio ambiente e a cultura foram preservados e permitem o eterno encantamento dos que visitam a Chapada dos Veadeiros pela primeira vez ou que retornam presos pela magia do lugar.

Além das belezas naturais, a Chapada dos Veadeiros tem encantos próprios, que não se encontra em nenhum outro lugar. Uma particularidade é o delicioso sorvete com florais do cerrado, receitas desenvolvidas por uma terapeuta alternativa que estuda as propriedade dos florais. Mas o que encanta é o jeito muito peculiar e afetuoso dos cumprimentos. Com um discreto beijinho na face, as pessoas se abraçam e respiram por um segundo em sintonia...





Mas a maior sintonia está em Cavalcante, considerado o berço dos povos da Chapada onde está um dos principais quilombos do Brasil. Há mais de 250 anos os calungas remanescentes se espalham em uma área de mais de 200.000 hectares. O povoado do Engenho II, o Vão de Almas e Vão do Moleque nos remete a um encontro com o passado.

O isolamento em meio de uma natureza rude que segrega mais ainda seus habitantes, faz com que eles vivam como no século passado, muitas vezes em estado precário precisando caminhar cerca de 5 km para pegar água. Isolados, chegaram ali no passado fugindo da escravidão e se isolaram entre os vales e afluentes do rio Paraná, em lugares quase inacessíveis. Quando se ingressa nos "Vãos", como são chamados, entramos definitivamente em outra dimensão.

Os Calungas são pessoas simples e profundas que preservam hábitos que se impõem ao nosso tempo e que eleva o homem acima dos conceitos do consumo que o mundo globalizado nos deixa de herança, suprimindo a cultura popular e a sutileza encontrada na simplicidade das coisas. Apesar de estarem desprovidos de bens materiais, sabem aproveitar a vida melhor do que os que moram em grandes cidades. Isso fica evidente na alegria das crianças ou na serenidade estampada no rosto dos mais velhos...



Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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