sábado, 21 de julho de 2012

Cananéia, a mini amazônia do sul do Brasil


Cananéia foi apontada pela revista Condè Nast de New York como um dos melhores roteiros ecológicos do mundo. Situada no extremo sul do litoral de São Paulo, a região é um dos últimos santuários de Mata Atlântica intocada na costa brasileira com uma grande biodiversidade. É também um dos 5 maiores berçários de vida marinha do mundo, que se estende desde a foz do Rio Ribeira em São Paulo até a Baia de Paranaguá ao norte do Paraná, podendo ser considerada uma mini amazônia no sul do Brasil. 

A região é conhecida como Lagamar, sendo o lugar ideal para quem gosta de aventurar-se a descobrir muitas trilhas, rios, lagoas, cachoeiras, mangues, ilhas, dunas e praias selvagens para praticar caminhadas, esportes náuticos e pescaria ou passear de bicicleta e barcos que são os principais meios de transporte. É onde as marés provocam correntes, subindo e descendo, alagando ou drenando os manguezais fazendo os rios inverterem seu curso, submetendo a vida ao ritmo da lua e ao sabor dos ventos.  



Pórtico de Cananéia

Fundada em 1531, Cananéia é considerada uma das primeiras cidades do Brasil. Por essas terras passaram muitos espanhóis, portugueses e franceses à procura de riquezas do novo mundo. Localizada em um ponto estratégico, em séculos passados era o local escolhido pelos navegadores para reabastecimento de alimentos e consertos nas embarcações. Dessa época existem os argolões de bronze que foram encravados em pedras e que serviam para amarrar as caravelas. Isso explica a caravela que decora o pórtico da cidade.





Igreja de São João Batista

A história de Cananéia inclui muitas proezas e lendas sobre batalhas, aventureiros, piratas e tesouros enterrados. Para se defender de ataques, as comunidades caiçaras e quilombolas construíram em 1577 a Igreja de São João Batista que mais parece uma fortaleza. Sem janelas, com enormes e fortes portões e muros largos, os habitantes se refugiavam na igreja além das fendas que permitiam atirar flechas e usar seus mosquetes contra invasores. 


 



Cananéia fêz parte de um importante novimento nacionalista. Contam que em 1932 a cidade foi invadida por tropas sulistas que lá chegaram por terra e mar por conta da Revolução Constitucionalista em que o governo de São Paulo pretendia derrubar o governo de Getúlio Vargas.

Depois de alguns entreveros com derrotas dos paulistas, o padre de Cananéia resolveu se meter no bochincho. Passou a conversa na gauchada para que assistissem a uma "missa de confraternização".
Porém o representante divino era traiçoeiro e tinha entrincheirado seus conterrâneos atrás do altar. Lá pelas tantas, em meio às preces mal intencionadas, os paulistas saltaram e deram voz de prisão. A gauderiada puxou fogo e sucedeu um tremendo tiroteio dentro da igreja. 

O comandante gaúcho saiu esgualepado da peleia para o hospital. Os paulistas foram derrotados e o padre, segundo conta a história, foi surrado à ponta de baioneta para aprender a não se meter mais em confusão. Na tal Guerra de 9 de Julho os paulistas foram derrotados, mas ainda hoje se gabam de tal feito sendo a data um feriado para todo o estado. Ainda assim, foi o início de democratização do país ocorrida anos depois.  



Praça Martin Afonso

Em séculos passados, cerca de 20 canhões foram deixados no Pontal da trincheira. Com o tempo, à medida que o mar fazia desmoronar o barranco, os canhões rolaram para o fundo do mar. Desses apenas 4 canhões foram recuperados em 1990. Na praça Martin Afonso, que é a principal da cidade, estão dois dos antigos canhões ingleses em conjunto ao obelisco. É nesta praça que se concentram os barzinhos e comércio da cidade.

A nova Praça Vereador Hélio França Fortes, com banquinhos e jardins, tem como atrativo principal a exposição de uma galeria permanente de painéis que mostram os atrativos naturais e culturais de Cananéia, contados através de textos e gravuras, sendo chamada de Alame
da do Descobrimento.

Outra atração do centro histórico é a Figueira conhecida como a árvore do coração de pedra. Contam que na época da colonização começou a germinar uma semente junto a um antigo pilar. A semente tornou-se um arbusto e cresceu transformando-se em uma gigantesca árvore cujo caule cresceu em torno do pilar que lhe serviu de berço, envolvendo-o completamente. Pelas fendas do tronco pode-se ver vestígios da pedra. 





Casarões coloniais

No passado, da praça principal partiam as expedições de bandeirantes que saiam em busca de pedras preciosas do Vale do Ribeira. Os casarões coloniais construídos no século 17 são testemunhas de um tempo glorioso da cidade. Alinhados e construídos uns junto a outros, os antigos casarões ainda mantêm as janelas e portas se abrindo diretamente para a rua.




As primeiras construções de Cananéia são da Rua Tristão Lobo, que antigamente era chamada de Rua do Fogo porque era toda iluminada à gás. Naquela época, as casas eram construídas com detalhes nos telhados que demonstravam o status dos proprietários. A Beira era a conhecida aba ou beiral, um prolongamento do telhado que caracterizava as construções de famílias em boas condições financeiras que podiam enfeitar e proteger a casa da chuva. 


 


As Eiras eram as áreas calçadas ou de terra batida que serviam para secar e limpar cereais, guardar legumes, cana de açúcar que aguardava moagem e os depósitos de sal. Assim, Eira tinha sentido implícito de boa situação financeira. Portanto, Eira e Beira eram sinais evidentes de riqueza e prosperidade. A Tribeira aparecia nas construções dos mais ricos. Dos pobres dizia-se que não tinham nem Eira e nem Beira, surgindo daí a expressão popular para designar pobreza. 




Museu Municipal

Cananéia é considerada Patrimônio Natural da Humanidade e o Museu Municipal mantém um acervo que retrata sua história e cultura conservando algumas curiosidades. Ali está exposto o 2º maior tubarão branco do mundo que foi capturado por pescadores locais ao sul da costa litorânea. Pesava 3,5 toneladas e tinha mais de 5 metros de comprimento, sendo o 1º tubarão branco no mundo que foi taxidermado e colocado em exposição.

Entre outros atrativos, há um tacho de bronze encontrado na Ilha do Bom Abrigo que foi trazido pelos navegadores portugueses em 1767. No tacho era derretido o óleo de baleia para se fazer a mistura do cal de ostras retirado dos Sambaquis com areia da praia que serviu para a construção das antigas casas de pedras e da igreja.




Sítios arqueológicos

Na região de Cananéia há inúmeros sítios arqueológicos caracterizados pelos Sambaquis, que são montes de conchas que foram sendo acumuladas por antigos povos primitivos que habitavam na região. Eles eram chamados Sambaquis porque tinham esse hábito de depositar conchas e os restos em um único lugar.

Muitos desses montes de conchas foram utilizados para a construção de casas antes que se conhecesse seu valor arqueológico. Estima-se que o Homem Sambaqui ocupou essa região desde 4.000 anos a.C. até 1.000 anos de nossa era, um verdadeiro marco pré-histórico que às vezes são confundidos com simples montes cobertos pela vegetação.  




Trilha no Morro São João

A trilha no Morro São João leva ao Mirante, de onde se tem uma bela vista panorâmica da cidade, das praias e das ilhas. Segundo uma lenda local, existe uma sereia do mar encantada que aparece na ponta do morro ao sul da vila. Os roteiros são acompanhados por monitores na parte continental da Mata Atlântica e levam a 4 cachoeiras: Pitu, Mandira, Rio de Minas e Encanto.



Cachoeiras da região

A Cachoeira do Pitu está na Comunidade do Itapitangui sendo a que tem melhor estrutura, com banheiros e local de refeições. A Cachoeira do Mandira está próxima da comunidade onde existe uma reserva extrativista de ostras. A Cachoeira do Encanto está em uma propriedade particular mas pode-se agendar almoço e a Cachoeira Rio de Minas na área do Parque Estadual de Jacupiranga está a uns 30 Km de Cananéia, sendo uma das maiores e mais belas cachoeiras da região. 



Passeios no estuário

Do Pier Municipal na Avenida Beira-Mar partem barcos e escunas para passeios no estuário. Nas imediações da cidade existem diversas ilhas como Cardoso, Bom Abrigo, Filhote, Cambriú, Castilho, Figueira, Casca, Pai do Mato e Ilha Comprida. Se tiver sorte poderá ver os botos cinza que se aproximam e acompanham os barcos encantando os turistas com seus saltos. A Baía dos Golfinhos fica entre Ilha Comprida, Ilha do Cardoso e Cananéia. 



Ilha do Bom Abrigo

A Ilha do Bom Abrigo localiza-se entre a barra do mar a 3,5 milhas de Cananéia. Estando em alto mar, é um lugar paradisíaco com bela paisagem vista através do Farol do Bom Abrigo. Uma pequena enseada de praia serve para banho de mar e atracagem de embarcações. Várias espécies de aves migram de vários lugares para se abrigar na ilha. 



Rodeada por um costão rochoso, é naturalmente protegida das fortes tempestades que ocorrem em determinada época do ano, sendo um bom lugar para acampar e fazer uma boa pescaria. No centro da ilha encontram-se ruínas de um antigo forno utilizado para o processamento do óleo de baleia. A Ilha do Bom Abrigo e a Ilha da Figueira são excelentes pontos de mergulho. 






Ilha do Cardoso

A Ilha do Cardoso faz parte do Parque Estadual que abrange uma área de 15.000 hectares de vegetação costeira, quase 90% coberta por Mata Atlântica onde vivem vários animais como jaguatiricas, jacarés, ariranhas, botos, tartarugas e cobras; uma mini amazônia no sul do Brasil. O acesso marítimo é feito pela balsa que liga Cananéia a Marujá em alguns dias da semana. A travessia de escuna dura em média 3 horas ou de voadeira que dura 50 minutos, sendo também possível alugar barcos. 

Marujá é ponto de partida para a exploração da Ilha do Cardoso, uma aventura que requer disposição porque é preciso caminhar na areia, escalar pedras e andar por trilhas na mata, preferencialmente junto com monitores ambientais que conhecem as matas, cachoeiras, piscinas naturais, os melhores pontos e os perigos do lugar. Através de voadeira e com uma pequena caminhada chega-se à bela Cachoeira Grande.

Na ilha só existe o povoado de Marujá onde vivem cerca de 200 pessoas e um ancoradouro seguro. Com um modo de vida simples, os moradores controlam o número de hóspedes para ajudar na preservação do ambiente e prestam orientações através do Centro de visitantes. Há pousadas em casas de pescadores, camping nos quintais além de servirem refeições avulsas. Há também locais para camping selvagem, que os moradores podem indicar o local mais apropriado. Em alguns locais deve-se estar atento à subida da maré.





O interior da ilha é montanhoso, sendo o ponto mais alto com 800 metros. Com rios, cachoeiras e sambaquis, a várzea do Canal do Ararapiara é uma grande via de acesso fluvial cercada por um mangue. A Trilha do Poço das Antas de 2.5 km pertence ao Núcleo Perequê. Com pouca dificuldade, passa pela planície litorânea, o Rio Perequê e parte da mata que encobre as encostas dos morros.

A Trilha do Mangue tem 700 metros de extensão seguindo o percurso do Rio Perequê até a Praia do Pereirinha. Chamados de berçários dos oceanos, os mangues misturam a água doce dos rios com a água salgada do mar criando uma vegetação diferenciada. 

A Trilha do Morro das Almas tem 2 km de caminhada fácil e a vegetação se modifica da planície litorânea até a Serra do Mar. São 3 horas de caminhada entre muitas bromélias. A Trilha do Sambaqui e do Costão Rochoso percorre o interior da floresta de encosta e os costões rochosos. Essa caminhada de 1 km leva aos sambaquis que ficam no meio da mata.





 Praias de Cananéia

As praias de Cananéia estão na orla marítima da Ilha do Cardoso que é praticamente desabitada. As diversas praias desertas, ilhotas e extensa restinga de areias claras, costões rochosos e dunas estão do lado da ilha que recebe as águas do Oceano Atlântico onde se encontram as praias do Itacuruçá, Pereirinha, Ipanema, Cambriú, Fole Pequeno, Foles, Lage, Marujá, Enseada da Baleia e Pontal do Leste.

A Praia do Itacuruçá está perto da Ponta do Perigo, onde bancos de areia submersos, correntezas e ondas fortes atemorizam os navegadores. É uma praia larga, plana, com vegetação rasteira devido aos ventos fortes do local.
A Prainha é cercada por mangues, onde se reproduzem flora e fauna típicos da região, tendo suas areias finas e escuras banhadas pelas águas mansas do Canal.

Logo adiante, a Praia do Pereirinha tem poucos atrativos que se resumem em 100 metros de areias claras à beira das águas calmas do canal e com vista da cidade. Ali estão as instalações de pesquisa e alojamento pertencentes ao Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo. Essas são as praias que estão mais próximas de Cananéia, a 1 hora de barco. 




A Praia de Cambriú é uma enseada de areias claras e finas, à sombra de mata densa que chega até a praia. É habitada por caiçaras que praticam a pesca artesanal e se mantêm avesso a contatos. O mar de ondas fortes esconde parcéis submersos e uma ilhota, sendo excelente para mergulho ou pesca. O acesso marítimo está a 2 horas de Cananéia. 

Caiçara designava as pessoas que viviam no litoral e passou a designar as comunidades caiçaras nascidas da miscigenação entre os indígenas, colonizadores portugueses e negros. Caiçara tem origem no termo Kaá-içara que denominava as estacas e galhos de árvores fincados na água para cercar o peixe, algo que ainda hoje persiste em Cananéia. 



 
Praias do Fole Grande e Fole Pequeno está entre costões, ao pé do Morro da Tapera separadas por um rochedo. A areia é firme e o acesso pode ser marítimo ou por trilha a partir de Cambriú. A Praia da Laje tem uma longa faixa de areia onde o mar quebra com força. Os costões são bons para pesca de linha ou de arremesso. 

O relevo plano, com vegetação, mananciais de água doce e acesso relativamente fácil criam as melhores condições para o camping selvagem. O acesso pode ser marítimo ou por trilha a 2 horas de Marujá. A Praia do Morretinho é uma continuação da praia da Lage. De mar aberto e limpo, areias finas, claras e boas ondas são apropriadas para surfe. Nos costões faz-se pesca de arremesso e o acesso pode ser maritimo ou por trilha a 1 hora até Marujá. 




A areia batida da praia do Marujá oferece condições ideais para um passeio de bicicleta por quase 18 km, desde o morro que a separa da praia da Laje até a barra do Ararapiara no extremo sul da ilha. Pode-se alugar bicicletas na ilha. A Enseada da Baleia e o Pontal do Leste marcam o ponto final da ilha e a divisa entre os estados de São Paulo e Paraná.




Ararapiara - a cidade fantasma

Ararapiara é um vilarejo abandonado, considerado um local fantasma que no passado nasceu do sonho de construir ali um próspero povoado em 1767. Não se sabe porque ali o mar enfureceu e começou a engolir a terra, avançando com fúria sobre as casas, igrejas, comércio e escola. O único prédio ainda intacto é a igreja de São Jose de Ararapira construída em 1776, as demais casas estão completamente em ruinas.




A vila banhada pelo braço de mar teve um importante papel no comércio local. Em seu apogeu, entre as décadas de 40 e 50, a vila negociava farinha, arroz, peixe seco e oferecia até tecido inglês no armazém. Mas em 1953 os pescadores juntaram suas famílias e suas coisas e foram para outro lugar, deixando para trás um pedaço da história do Brasil que ficará guardado apenas na memória de quem ali viveu.




Uísque Caiçara

Nos bares a pedida é o Uísque Caiçara, uma bebida típica da cidade. Conhecida como a Folha que queima, a Cataia é um ingrediente curtido na cachaça. A planta tem propriedades curativas sendo conhecida cientificamente como Pimenta Pseudocaryophyllus e os antigos já usavam Cataia para cicatrizar ferimentos, tratar problemas estomacais e diarréia.

Muitas cozinheiras usam a folha da Cataia como tempero que substitui o louro e dizem que combate a impotência sexual e repele os mosquitos, mas o melhor da Cataia é o sabor que dá à bebida; quem prova não esquece jamais.






Outro sabor inesquecível são as especialidades da culinária caiçara feitas com peixes e camarões: calderada, moqueca, tainha na brasa etc. Quem gosta de frutos do mar se deleita em cananéia, pois a ostra é uma das especialidades da região. Uma boa época para saborear todas essas especialidades é durante a Festa do Mar. 



 


O lugar é tranquilo, simples e rústico, perfeito para quem quer se desconectar do mundo sem gastar muito. Sob a claridade do dia, sem internet e sem sinal de celular, o único contato é com a natureza. À noite, o único luxo e glamour é o céu que fica cheinho de estrelas.

Quem está acostumado com inúmeras tecnologias e comodidades, tem a experiência de estar em um lugar sem energia elétrica, pois o gerador só funciona até 23 horas. Durante a madrugada é preciso lanterna para abrir caminho no meio da escuridão e estar bem protegido, pois ali os mosquitos atacam pra valer durante a noite até o amanhecer...  


Um comentário:

Maria Edméia. disse...


*Lúcia, ri muito quando li sobre

o tiroteio na Igreja e a surra que

o padre - safado !!! >.< - levou !

*Também gostei de saber da onde

veio a expressão "sem eira nem

beira" e sobre o significado, a

origem da palavra caiçara ! Para

mim que sou professora e de

"Língua Portuguesa", esses

conhecimentos são necessários !!!

*Lúcia, eu gostaria de

conhecer Ararapiara, a cidade

fantasma e a cachoeira Rio de

Minas que fica na área do Parque

Estadual de Jacupiranga e, também,

de beber este "uísque" de Cananéia

feito com a planta Cataia !

*Lúcia, estou tendo uma bela

aula de Geografia e História lendo

aqui o teu blog ! (*Acho que já

estou preparando-me para ser

aluna do curso técnico de Turismo

que existe aqui na minha cidade

e é da Fundação Paula Souza !!!).

*Lúcia, vou seguir alguns

blogues teus também através deste

outro meu blog : "Mesa de Estudo"

!(Possuo apenas dois blogues por

enquanto ! Risos).

* * *

Quem sou

Nascida em Belo Horizonte, apaixonada pela vida urbana, sou fascinada pelo meu tempo e pelo passado histórico, dois contrastes que exploro para entender o futuro. Tranquila com a vida e insatisfeita com as convenções, procuro conhecer gente e culturas, para trazer de uma viagem, além de fotos e recordações, o que aprendo durante a caminhada. E o que mais engradece um caminhante é saber que ao compartilhar seu conhecimento, possa tornar o mundo melhor.

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